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Euler e a bronca que Curitiba queria dar na quinta série da Câmara; veja o vídeo

26/05/2026
euler

A Câmara Municipal de Curitiba viveu um momento pedagógico nesta terça-feira (26). Coisa rara. Quase um fenômeno astronômico. Uma espécie de eclipse institucional em que, por alguns minutos, alguém resolveu lembrar que plenário não é recreio de colégio estadual em sexta-feira depois da aula de educação física.

O vereador Euler subiu à tribuna para prestar homenagem ao professor de jiu-jitsu Gustavo Feres, referência do esporte em Curitiba. Era para ser uma sessão normal, protocolar, respeitosa. Mas aí entrou em cena a ala da lacração profissional da Câmara. A turma do fundão. O sindicato da interrupção permanente. Os vereadores que confundem mandato com live de TikTok.

Enquanto o homenageado estava ali, presente, ouvindo a sessão, alguns parlamentares decidiram fazer aquilo que fazem melhor. Conversar alto, circular pelo plenário, debochar da liturgia e agir como adolescentes hiperativos depois de duas garrafas de energético.

Euler cansou. E cansou do jeito certo.

Parou a homenagem no meio e disparou aquilo que muita gente dentro da Câmara pensa há algum tempo, mas poucos têm coragem de falar olhando no olho. “Eu não quero me indispor com vocês, mas é uma palhaçada o que vocês fazem com os visitantes nessa Casa”, disparou.

Não era discurso, era bronca. Carraspana raiz. Daquelas que professor antigo dava antes de mandar o aluno virar para frente e parar de bater régua na carteira. E o melhor, tinha endereço certo: Eder Borges e Perdeu Piá, dois nomes que frequentemente aparecem mais pelo barulho do que pela produção legislativa, viraram alvo público do pito. E sinceramente? Fazia tempo que alguém precisava dizer em voz alta que transformar sessão legislativa em feira de provocação contínua talvez não seja exatamente o ápice da democracia ocidental.

Euler continuou. “Ou saiam do plenário ou sentem”.

Foi maravilhoso. Porque existe um momento na vida em que todo adulto responsável perde a paciência com gente que acha que inconveniência é personalidade.

O curioso é que o vereador Eder Borges, atualmente investigado no Conselho de Ética, ainda achou espaço para reclamar da “deselegância” de Euler.

Deselegância. Veja só.

É como ser atropelado por um caminhão de circo pilotado por um palhaço e ouvir do motorista uma palestra sobre direção defensiva.

Euler então resolveu distribuir o segundo tempo da bronca. “Você tem coragem de falar isso? Depois não sabe porque está no Conselho de Ética. Aí faz videozinho falando eu não sei porque estou no conselho de ética”, disse Euler. “Você desrespeita essa Casa. Você desrespeita as pessoas”, completou.

Aquela foi a parte em que o plenário deixou de parecer uma sessão legislativa e passou a lembrar reunião de condomínio quando finalmente alguém resolve enfrentar o morador que deixa o lixo no elevador.

Mas o auge veio depois. Apontando para o fundo do plenário, Euler definiu com precisão cirúrgica a cena. “É sempre esse grupinho ali, a quinta série ali do final”.

Perfeito. Não existe definição melhor.

Porque há mesmo um comportamento infantilizado contaminando parte da política moderna. A lacração virou substituta da argumentação e a interrupção virou método. O deboche virou estratégia de sobrevivência intelectual para quem não consegue produzir conteúdo minimamente relevante.

E aí nasce essa fauna política curiosa. Parlamentares que vivem em campanha para cortes de vídeo, não para construir alguma coisa útil.

O presidente Tico Kusma ainda tentou restabelecer a ordem lendo o artigo do regimento que obriga vereadores a permanecerem sentados durante a sessão. O que já é, por si só, uma cena constrangedora. Imagine precisar explicar regras básicas de comportamento para homens adultos eleitos pelo voto popular.

Faltou apenas alguém distribuir lanche e pedir silêncio porque “a tia da biblioteca está reclamando”.

Euler voltou ao ataque. “É difícil entender isso? Ou sai do plenário”. Em português claro, foi quase um “fica quietinho aí e deixa os adultos trabalharem”.

E talvez tenha sido exatamente isso que incomodou tanto a turma da algazarra.

Porque o lacrador profissional suporta tudo, menos ser tratado como aquilo que muitas vezes parece ser: alguém desesperadamente carente de atenção.

No final, Euler ainda pediu desculpas ao homenageado Gustavo Feres. “Talvez, daqui pra frente a gente melhore esse comportamento da quinta série ali atrás. Infelizmente a gente tem um grupo de vereadores aqui que não respeita ninguém nessa Casa. Peço desculpas pelo ocorrido mas um dia era necessário que alguém falasse isso para esses vereadores”.

E talvez esteja aí a frase mais importante de toda a sessão.

Porque respeito institucional não é frescura, nem formalidade vazia. É o mínimo que se espera de um vereador.

Quem visita a Câmara Municipal merece encontrar vereadores discutindo a cidade e não personagens brigando para ver quem viraliza primeiro no Instagram.

Chega desse pessoal. Curitiba não merece ter que financiar a “quinta série do fundão” em horário integral.

Veja o vídeo:

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