Na minha opinião o Fado por vezes é um canto de lamentos, que transforma a dor em música, e as lágrimas em melodia. Dizem que o Fado é para momentos de despedida. Nas próximas semanas encerra o clico do Restaurante Lisboa do empresário Adriano Barison, alí na Alameda Princesa Izabel, no bairro das Mercês, quase ao lado do Sesc da Esquina em Curitiba.
Restaurante dá muito trabalho, e depois de quase 30 anos de atividade na área, ele merece umas merecidas férias ao lado da família. Então vamos nos despedir do Restaurante Lisboa com alegria, mas também com Fados na caixa de som, guardar as boas lembranças, e tomar o restante dos vinhos que ele tem na adega. Aliás o Adriano foi uma dos primeiros “restauranters” à incentivar aos seus clientes à levarem o próprio vinho com a devida taxa de rolha. Em vários lugares do mundo é assim, é uma maneira justa de remunerar o dono do local pelo serviço.
Uma das iguarias que o Adriano serve no seu restaurante é o Bacalhau. Aqui no Brasil temos o costume de comer bacalhau com vinho branco, mas em Portugal é super natural comer o bacalhau com vinho tinto. Voltei de Portugal recentemente depois de participar de um evento para Startups em Coimbra, foi lá que recebi a notícia do fechamento do restaurante e por isso resolvi fazer uma homenagem ao Lisboa dando dicas de vinhos portugueses nas próximas semanas.

Vou começar com um vinho da Região do Dão, A Descoberta da Quinta da Passarella. É um blend de quatro uvas, Touriga Nacional e Tinta Roriza com 30% cada, e Alfrocheiro e Jaén com 20% cada uma. Vinho que passa um ano em barracas usadas de carvalho depois da estagiar em cubas de cimento. Vinho com 14% de teor alcoólico, que na taça tem uma cor rubi intenso, aromas de frutas vermelhas e os seus taninos são bastante equilibrados e suaves. Final elegante. No Brasil ele varia de preço entre R$ 170 a R$ 220.
Maçanita

O enólogo Antônio Maçanita é um daqueles prodígios modernos da enocultura. Ganhou o mundo com os seus vinhos produzidos no adverso arquipélogo dos Açores e logo passou a produzir no Alentejo e no Douro. São daqueles vinhos que você não erra, que agradam aos mais diversos paladares. Abri uma garrafa do alentejano Fita da FitaPreta. Um blend de Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez, com 10 meses de estágio em barricas de carvalho, 14,5% de teor alcoólico, que na taça possui uma cor vermelho para o rubi, aromas de caramelo, frutas e especiarias, aroma de bosque, e na boca ele possui uma boa acidez e final bastante equilibrado. Na loja da Grand Cru ele sai por 250 reais.
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