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03/12/2022



Paraná

Até quando? Ferry boat registra filas de mais de quatro horas nesta quarta

 Até quando? Ferry boat registra filas de mais de quatro horas nesta quarta

O ferry boat de Guaratuba é um problema longe de acabar. A falta de respeito com o paranaense registrou mais um capítulo dessa famigerada história nesta quarta-feira (6). Motoristas indignados enviaram vídeos e fotografias para as redações de jornais reclamando das filas e do tempo perdido. De acordo com a empresária Kassia Novochadlo, que usa o serviço rotineiramente, a espera chegou a quase 5 horas para carros e caminhões. Nem os veículos que teriam preferência de passagem, como ambulâncias e viaturas policiais, escaparam da ineficiência da operadora. Para esses, a espera chegou a 1h30, disse a empresária.

 

O que nem a empresa que opera o serviço, a baiana Internacional Marítima, nem o governo do Estado parecem se importar é o transtorno que a demora em longas filas têm causado ao comércio do Litoral. A empresária Kassia Novochadlo mora em Guaratuba e tem empresa em Matinhos. Ela depende, diariamente, do ferry boat para se deslocar de uma cidade a outra. “Normalmente saio às 20h do meu estabelecimento. Com esse absurdo que está, chego em casa perto das 23h. Tem dias que a vontade é fechar tudo”, disse ela. “Não existe mais serviço de entrega ou de prestação de serviços entre Guaratuba e Matinhos. Não tem como se comprometer com cliente do outro lado da balsa, porque não se sabe quanto tempo levará para chegar”, completou a empresária em entrevista ao G1.

 

Por volta das 20h30, as câmeras instaladas pelo portal Litorânea, de Guaratuba, no atracadouro do ferry boat, ainda registravam filas de veículos e caminhões

Os constantes problemas do ferry boat de Guaratuba são um reflexo da má administração da coisa pública. Em 2020, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) licitou o serviço de travessia entre Matinhos e Guaratuba sem tomar o cuidado de exigir, por exemplo, qualificação técnica das empresas que disputariam a concorrência e comprovação da qualificação dos funcionários e operadores.

 

Não foi exigido, também, que as empresas detalhassem a especificação técnica do equipamento operacional a ser disponibilizado para realizar as travessias. Dessa forma, a BR Travessias, empresa que ganhou a licitação, sequer trouxe equipamentos novos para a prestação do serviço contratado. Assumiu o serviço com a estrutura já existente, com ferry boats em operação há mais de 50 anos, construídos, conforme imagem nessa reportagem, no governo Moisés Lupion.

 

Placa instalada em ferry boat ainda em operação, 62 anos depois de construído

Um dimensionamento da capacidade de tráfego e da quantidade de veículos que fariam uso do serviço também não foi exigida. Os cálculos para a demanda operacional do sistema foram feitos com estudos preparados em décadas passadas. Dessa forma, nem o DER nem as empresas que disputaram a licitação sabem qual é a quantidade necessária de embarcações para oferecer um serviço minimamente razoável. É de se perguntar para que serve a Agepar, agência criada pelo governo do Paraná para exercer a regulação e fiscalização dos contratos, além de regular o transporte das travessias marítimas, fluviais e lacustres (em especial da travessia da baía de Guaratuba pelo sistema de ferry boat).

 

Diante de inúmeros problemas, como longas filas e tempo de espera exorbitantes, sem contar o vexame de um atracadouro afundado, o DER rompeu o contrato com a BR Travessias e, em fevereiro deste ano, sem nova licitação, contratou emergencialmente a Internacional Marítima. A nova empresa, porém, chegou ao Paraná e não mudou nada na operação do serviço. Continuou usando as mesmas balsas e os mesmos ferrys. Obviamente, os problemas continuaram.

 

Nenhum investimento foi feito por parte da nova empresa responsável pela operação do ferry boat. As longas filas continuaram a ser uma constante. O DER tentou contornar os problemas implantando medidas paliativas. No Carnaval, pediu que os motoristas adotassem rotas alternativas para chegar a Guaratuba e restringiu a passagem de veículos pesados pelo ferry boat. No final de março, uma estranha colisão entre uma balsa e um dos ferrys causou pânico em motoristas e usuários do serviço. Cabe indagar se a Capitania do Portos do Paraná já tem algum resultado do inquérito administrativo que foi aberto para apurar a causa desse acidente.

 

O governo insiste que a solução para o problema do ferry boat é a construção de uma ponte. Uma providência que, se sair do papel, vai demorar anos para se tornar realidade. Até lá, o paranaense vai continuar a ficar horas esperando para atravessar a Baía de Guaratuba.

 

Outro lado

Em nota, a Internacional Marítima disse que o fluxo das balsas na travessia sofreu alteração para atividades de manutenção, “no sentido de garantir a segurança, comodidade e eficiência dirigida aos usuários”.

A empresa disse, também, que mantém o compromisso de trabalhar para garantir um atendimento cada vez melhor aos clientes.

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