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Festival de Curitiba exibe peças que contam histórias femininas no Mês da Mulher; confira

05/03/2026
festival de curitiba

No Mês da Mulher, o Festival de Curitiba apresenta uma seleção de espetáculos que trazem histórias e reflexões sobre a vida e os desafios das mulheres. As apresentações integram a Mostra Lúcia Camargo e a Mostra Fringe, algumas com entrada gratuita, e ficam em cartaz de 30 de março a 12 de abril.

O teatro tem se mostrado uma ferramenta importante para dar visibilidade às questões femininas, oferecendo contraponto à violência e aos abusos relatados diariamente pela imprensa. As peças selecionadas exploram diferentes perspectivas sobre a experiência feminina, combinando denúncia, reflexão e expressão artística.

Peça ‘Mulher em Fuga’ 34º Festival de Curitiba – Foto: João Pacca

Mostra Lucia Camargo

“A Bailarina Fantasma”
Dias 6 e 7 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques

A peça-instalação foi criada a partir da icônica e polêmica escultura francesa “A Bailarina de 14 anos”, do escultor Edgar Degas, em fricção com os relatos autobiográficos da bailarina brasileira Verônica Santos.
Com encenação e instalação cênica de Wagner Antônio e dramaturgia inédita de Dione Carlos, o espetáculo revela um corpo fraturado por violências físicas e simbólicas e também por tentativas de apagamento da visibilidade de uma bailarina clássica negra.

A obra propõe uma espacialidade imersiva onde a performer e a dramaturga ritualizam um diálogo íntimo e, diante do público, elaboram um plano de vingança.

Indicada ao Prêmio Shell de Teatro, ao Prêmio APCA de Melhor Espetáculo e Intérprete e vencedora da categoria Melhor Espetáculo do Prêmio Denilto Gomes de Dança.

“Bailarinas Incendiadas”
Dias 9 e 10 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques

A música toca no palco e a plateia dança, hipnotizada, enquanto cinco artistas narram histórias de eventos sombrios ocorridos em meados do século 19. São histórias de bailarinas queimadas vivas pelas lâmpadas a gás usadas nos teatros da época. Será verdade? Bailarinas incineradas por lâmpadas a gás?

Espetáculo de grande sucesso internacional e de crítica, baseado na pesquisa documental de Ignacio Gonzáles, especialista em história da dança.

“Mulher em Fuga”
Dia 11 de abril, às 20h30, e dia 12 de abril, às 19 horas, no Guairinha

A narrativa acompanha Monique, mãe de Édouard Louis, em diferentes momentos de sua vida: os casamentos marcados pela violência, a criação solitária dos filhos, a reconstrução de sua trajetória e, por fim, a busca por uma vida independente.

Ao narrar a libertação da mãe, o autor transforma uma história íntima em um gesto político, revelando as estruturas sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Com Malu Galli – a Celina, de “Vale Tudo” – e Tiago Martelli.

“Reparação”
Dias 31 de março e 01 de abril, às 20h30, no SESC da Esquina

Baseada em um caso real ocorrido no interior de São Paulo nos anos 80, a peça combina depoimentos, ficção e drama para reconstruir um episódio de violência e suas reverberações ao longo do tempo. O autor entrevistou moradores e pessoas ligadas à história, preservando suas vozes em transcrições fiéis, que se entrelaçam com cenas ficcionais.

A narrativa acompanha a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de escola, que, após engravidar, é obrigada pela família a deixar a cidade para ter o filho em outro lugar. Seis anos depois, ela retorna com a criança para apresentá-la ao pai. O reencontro coloca em choque passado e presente, oscilando entre desfecho trágico e possibilidade de reparação.

Peça ‘Soledad – Peça de Agitação’ – Foto: Divulgação

Mostra Fringe

“Chica da Silva – A Imperatriz das Minas” (gratuito)
Dia 02 de abril, às 15h30, na Praça Santos Andrade
Dia 03 de abril, às 16 horas, no Bebedouro do Largo da Ordem
Dia 04 de abril, às 11 horas, no Circo da Cidade, Boqueirão

O espetáculo retrata a vida e resistência de Francisca da Silva de Oliveira, a célebre Chica da Silva, uma mulher negra que rompeu as correntes da escravidão no Brasil colonial para afirmar seu lugar no mundo.

No ano de sua morte, Chica retorna para revisitar suas memórias, lutas e desilusões, interseccionando passado e presente em uma reflexão sobre as marcas inapagáveis deixadas pela opressão. Da corda bamba onde equilibra sua trajetória até o “trono” que construiu com coragem, Chica se torna um símbolo de luta,transformando dor em liberdade e inspirando gerações com seu legado de coragem e resistência.

“Golpes no Ventre”
Dia 02 de abril, às 19 horas, no Teatro Novelas Curitibanas

A história de Bárbara, uma mulher preta imersa no útero da sua mãe e que precisa tomar uma importante decisão sobre o seu próprio nascimento, diante das histórias que sua mãe lhe conta, no período da sua gestação.

“Filipa”
Dia 03 de abril, às 19 horas, no Teatro Novelas Curitibanas

A trajetória singular e apaixonante de Filipa de Souza, personagem histórica condenada no século 16 pela Inquisição da Bahia sob a acusação de “sodomia”. Filipa assume que se relacionou, afetiva e sexualmente, com diversas mulheres e arca com as consequências de sua coragem.

“12 horas” (gratuito)
Dia 04 de abril, às 16 horas, no Teatro Novelas Curitibanas

O relato cru de um acontecimento real e comum: o que acontece quando uma mulher chega no hospital sofrendo um aborto? O silêncio social, as violências, as opiniões controversas e temas relativos às discussões trazidas pela PL 1904 são abordados nesse exercício performático, baseado em autonarrativas, em memórias e sonhos da autora.

“Isto Não é Uma Mulata”
Dia 04 de abril, às 19 horas, no Teatro Novelas Curitibanas

Um solo que transita entre o teatro e a performance, compondo uma espécie de manifesto estético sobre a representação da mulher negra. A invisibilidade, à visibilidade reduzida, os estereótipos, o silenciamento, a exotização e a hipersexualização são alguns dos pontos tocados na obra.

“Consolo, Um Solo de Contação Fêmino-Circense”
Dia 05 de abril, às 16 horas, no Teatro Novelas Curitibanas

Um solo autoral, multilinguístico, onde a multiartista Alice Cunha traz para a cena dois aparelhos aéreos (um deles original), para contar histórias tão fantásticas quanto reais, em um mergulho no profundo e vasto universo da psique instintiva da mulher. “Consolo” é um convite à imersão no inconsciente coletivo e individual do feminino.

“Soledad – Peça de Agitação” (gratuito)
Dia 09 de abril, às 11h30, na Rua Monsenhor Celso
Dia 10 de abril, às 19 horas, na Praça Osório
Dia 11 de abril, às 15 horas, no Palco Ruínas
Dia 12 de abril, às 15 horas, na Praça Santos Andrade

A peça tem como premissa fazer emergir “memórias clandestinas” de mulheres da América Latina. A partir da aproximação de imagens da vida da poeta e militante Soledad Barrett Viedma iniciamos um processo de costuras materiais e alegóricas, aproximando situações de enfrentamento e utopia.

O espetáculo evoca imagens poéticas transitando em um teatro barroco de encantamento e carnavalização, e busca debater efervescências políticas, convocando o público a ter coragem para enfrentar os desafios da atualidade.

Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba (www.festivaldecuritiba.com.br) e pelas redes sociais.

Serviço
34.º Festival de Curitiba
Data: De 30/3 até 12/4 de 2026
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller – Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Foto: Carlos Canhameiro

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