Eles têm mais de 80 anos, são engenheiros formados na década de 1960 pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e participaram da construção de muitas das maiores obras de infraestrutura do Brasil. Entre “jogar damas na praça” e continuar trabalhando para construir um País melhor, ficaram com a segunda opção. E fundaram o Movimento de Cidadania GRITA! que, desde 2020, trabalha com foco na conscientização do eleitor brasileiro e na importância do voto consciente nos representantes do Legislativo. Agora, o Movimento que começou com os colegas da turma de 1964 de engenharia aeronáutica Cassio Taniguchi, Luiz Maria Esmanhoto, Eduardo Guy de Manoel e Manoel Loyola conta com um grupo robusto de conselheiros, dirigentes e associados. Com uma organização formada por vários grupos de trabalho, o GRITA! estudou e montou o maior plano de reconstrução do Brasil de que já se tem história.
“Lançamos um manifesto direcionado aos parlamentares e a toda a população onde apontamos os problemas do sistema político brasileiro. Mas não paramos por aí e trazemos junto as soluções viáveis e concretas para a reconstrução do Estado brasileiro”, diz o presidente do Movimento, Luiz Esmanhoto. O manifesto “De um Estado‑sem‑noção para um Estado‑Nação”, foi lançado nesta quinta-feira (7).
Apesar do título bem humorado, o texto faz duras críticas ao sistema político brasileiro, apontando corrupção estrutural, distorções na representatividade, ineficiência administrativa, desigualdades regionais e ausência de planejamento de longo prazo. Reúne indicadores de educação, segurança, Judiciário, inovação e gestão pública para sustentar o diagnóstico de um Estado incapaz de atender às demandas da sociedade.
Como resposta, o movimento propõe uma mudança pacífica e institucional, com foco no fortalecimento do Poder Legislativo. “A principal iniciativa é o Plano Estado‑Nação (PEN), que define diretrizes permanentes para a atuação parlamentar em 14 áreas estratégicas”, explica o diretor executivo do Movimento, Roberto Henrich. Para as eleições, o GRITA! lançará plataformas digitais que permitirão ao eleitor identificar e acompanhar candidatos comprometidos com o plano, usando ferramentas de inteligência artificial acessíveis por celular. Os aplicativos já estão em fase de conclusão e apresentarão informações relevantes sobre os candidatos comprometidos com a pauta de mudança estrutural do Brasil. “Hoje temos associados de todas as faixas etárias, mas temos claro que ter mais de 80 anos não nos impede de produzir para o Brasil soluções que aliem muito estudo e a mais alta tecnologia”, ressalta Esmanhoto.
Veja o manifesto completo
Manifesto de um Estado-sem-noção para um Estado-nação
Este manifesto é dirigido aos cidadãos brasileiros e às entidades pró-cidadania que estejam empenhados na transformação da atual situação política no Brasil. Nos tempos atuais nossa prática política é fortemente baseada em velhas oligarquias políticas e no domínio de grupos comprometidos com a corrupção e o crime organizado. Queremos novos tempos, moldados por uma Política Moderna, que nos conduzam para um novo Estado-Nação muito desejado pelos cidadãos dispostos a contribuir para sua construção.
É muito frustrante viver numa Terra Adorada e se sentir maltratado todos os dias pelo Poder Público. A lista de malfeitos é tão grande e de presença tão insistente que sufoca qualquer cidadão consciente de seus valores, e que não queira participar das imoralidades quotidianas disponíveis, um verdadeiro arco-íris de opções.
A expressão “Estado-sem-noção” reflete um sentimento de frustração com a falta de planejamento, eficiência e coerência presentes em todas as áreas de atuação do Poder Público, em qualquer nível, Federal, Estadual ou Municipal.
Exagero? Vejamos uma amostra do ponto “onde estamos”, organizada em 12 temas:
Contradições no Sistema Político – representatividade desproporcional, como acontece na Câmara Federal, onde 1 Deputado Federal pode representar desde 657 mil habitantes como é o caso do Estado de São Paulo ou 53 mil habitantes em Roraima (Censo de 2022), por conta de regras casuísticas que fixaram um mínimo de 8 e um máximo de 70 Deputados por Estado, gerando desequilíbrio político a favor de Estados com baixa população; partidos em excesso, muitos deles apenas grupos ávidos para acessar dinheiro público; corrupção sistêmica e endêmica, impedindo confiança nas instituições e nos políticos que – inimaginável! – até fazem de cofre-forte suas roupas íntimas; Estados e Municípios deficitários sem obrigações para sair deste status.
Desigualdades Regionais – desigualdade no desenvolvimento econômico-social regional, perceptível até para turistas desavisados; regiões como o Norte e Nordeste têm déficits continuados nas áreas de educação, saúde e segurança; a métrica deste descompasso – o IDH – coloca o Brasil na posição 89º, entre os 193 países, com apenas 7 Estados contribuindo com boa pontuação.
Falta de Planejamento de Longo Prazo – políticas frequentemente descontinuadas na troca de mandatos, novos Governos abandonam projetos em andamento por divergências ideológicas ou, o que é mais comum, por simples perseguição à visibilidade de opositores políticos; resultado do olhar míope dos políticos que só enxergam a próxima eleição.
Educação Insuficiente – com baixa qualidade no ensino básico, o sistema educacional enfrenta desafios significativos: altos índices de evasão escolar e baixa proficiência em Leitura, Matemática e Ciências, como atesta a posição do Brasil no indicador PISA. Na última avaliação em 2022, entre 81 países participantes, o Brasil ficou no 65º lugar em Matemática, 62º em Ciências e 52º em leitura; Educação para a Cidadania é praticamente inexistente, parece que não acreditamos que crianças um dia serão eleitores.
Pouco investimento em inovação – baixo investimento em Ciência e Tecnologia, o Brasil investe pouco mais de 1% do PIB, enquanto os países desenvolvidos investem entre 3 e 5%; produtividade estagnada há mais de 40 anos não constrange sucessivos governos, todos parecem não saber diferenciar “gasto” de “investimento” e prometem um futuro que, sem inovação, só pode repetir o passado.
Cultura do “Jeitinho” e dos Privilégios – em nossa cultura, seguir normas é menos meritório do que improvisar soluções e resolver problemas “na hora”, uma prática que desvaloriza o planejamento e admira o improviso desgastando a seriedade das ações institucionais. A busca de privilégios domina todas as atividades e as vantagens adquiridas se transformam em direitos sem obrigações. A esperteza é mais valorizada que o trabalho.
Contrastes Culturais e Comportamentais – desalinhamento com prioridades que requerem ação continuada por longo tempo fazem o Brasil ser percebido como um país que prioriza questões superficiais ou momentâneas, e que adia de modo continuado soluções estruturais; reações contraditórias, a sociedade brasileira pode oscilar entre exigências por mudanças, e ao mesmo tempo oferecer resistência às reformas necessárias.
Desorganização Administrativa – políticas públicas fragmentadas pela falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo (federal, estadual e municipal) resultam em políticas mal implementadas e até contraditórias; burocracia improdutiva, processos lentos, caros e ineficientes, prejudicando o cidadão e a dinâmica dos negócios; gestão pública conivente com a corrupção e leniente com desperdícios.
Judiciário caro e ineficiente – no Brasil a Justiça tarda e falha apesar de ter o judiciário mais caro do mundo, consumindo 1,5% do PIB quando é usual que seu custo se situe entre 0,5 e 1,2% do PIB, sem que o gasto expressivo se traduza em eficácia, o que fica demonstrado pelo Brasil ocupar a 80ª posição entre 142 países no Índice Global de Estado de Direito; indignados, só nos resta lamentar “no Brasil, a Justiça tarda e falha”.
Gestão Ambiental Sem Rumo – retórica x prática é um embate quotidiano neste quesito onde sempre ganha a retórica; basta perceber as discrepâncias flagrantes entre manifestações grandiloquentes de autoridades em encontros internacionais, como ocorreu na COP30, sem ações subsequentes notáveis, a não ser seu comparecimento usando transportes de luxo para surgirem em cenários de tragédias ambientais, em geral para salvar um animal de estimação, o que servirá apenas para completar seu álbum de figurinhas organizado para comover eleitores.
Violência Endêmica – noticiários assustadores todos os dias asseguram nosso lugar destacado no índice de homicídios por 100 mil habitantes, ocupando uma mais do que alarmante posição 130 entre 165 países.
Corrupção Generalizada – o Brasil ocupa a posição 107 entre 180 países no nível de corrupção. O indicador é preocupante, mas infelizmente está correto: afinal, se juízes escolhidos por “reputação ilibada e notável saber jurídico” para a Corte Suprema precisam de um Código de Ética, segundo propõe o Presidente atual do STF, pode-se imaginar uma autocondescendência elástica como sugerem os desdobramentos do caso do Banco Master. Os demais Poderes, Legislativo e Executivo, também navegam em águas escuras, como se vislumbra ao acompanhar casos como o desvio de recursos do Sistema Previdenciário.
A lista prossegue. O Brasil oferece um catálogo sem fim de desastres em nossa vida coletiva. A amostra já é suficiente para confirmar o título deste Manifesto:
Somos uma Nação-Sem-Noção.
Essa condição de indigência moral e política não é obra do acaso. Está em metódica construção desde a Proclamação da República em 1889. O resultado disso pode ser ilustrado pelo elevado número de Municípios deficitários, conforme ilustra o mapa abaixo. Cerca de 25% dos Municípios, assinalados nas cores amarela e vermelha, não arrecadam o suficiente para pagar sequer as despesas da Prefeitura e a Câmara de Vereadores. Apesar disso são mantidos assim, ano após ano.
MUNICÍPIOS DEFICITÁRIOS EM VERMELHO E AMARELO – Fonte: RELATÓRIO FIRJAN 2025
SEM RECEITA MUNICIPAL PARA REMUNERAR PREFEITURA E CÂMARA DE VEREADORES (25%)
Mas, não queremos apenas tornar público o ponto crítico “onde estamos em nossa vida coletiva”. Queremos registrar também uma proposta construtiva “para onde vamos” elaborada pelo Movimento GRITA!. É importante ressaltar que as poucas áreas nas quais o Brasil se destaca mundialmente, por exemplo, agronegócio e indústria aeronáutica, são resultantes de estratégias bem definidas, ambas norteadas por educação de qualidade, planejamento eficaz, continuidade de propósitos e ações governamentais positivas durante décadas.
Assim, temos soluções para os problemas que o país enfrenta, mas é urgente mudar nossa trajetória política. De modo pacífico e construtivo. O Poder Legislativo é que tem a obrigação constitucional de zelar e aprimorar a Democracia. Os eleitores, ao contrário do que hoje acontece, precisam dar a mesma atenção aos candidatos para o Poder Legislativo e para o Poder Executivo. Para os candidatos ao Poder Legislativo o Movimento GRITA! elaborou ao longo de mais de ano com intensa dedicação de Associados um documento com o título Plano Estado-Nação (PEN) onde 14 áreas são sugeridas para organizar os trabalhos legislativos e os objetivos que devem ser seu norte permanente.
O Brasil tem jeito! Depende de elegermos um Legislativo muito diferente do que hoje temos! Um Legislativo onde os Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais estejam cientes de que precisam reconstruir o Estado-Nação Brasil segundo traçado no Plano Estado-Nação (PEN).
Os candidatos de qualquer partido que sejam aderentes aos princípios balizadores do Plano Estado-Nação (PEN) poderão ser conhecidos pelos eleitores consultando o Sistema de Informação de Candidatos (SIC) a partir do dia 16 de agosto, data em que o TSE dá partida no processo eleitoral. O SIC, desenvolvido pelo Movimento GRITA!, usando tecnologia de IA, mostrará ao eleitor, via acesso por celular, os “santinhos” dos candidatos que concordam em batalhar pela implantação do PEN em seu mandato. O eleitor também poderá formular perguntas aos candidatos usando a voz no celular. Além do SIC o eleitor contará com o Sistema do Eleitor Protagonista (SEP), que lhe permitirá agir diretamente para a verificação de aderência de seu candidato aos objetivos e diretrizes do PEN.
Assim, o Congresso que queremos para iniciar a jornada de reconstrução do Brasil estará visível no SIC, e, literalmente, ao alcance da voz dos eleitores conscientes do poder de sua escolha.
LISTA DE DIRIGENTES QUE ASSINAM O MANIFESTO
Américo Richieri Filho
Antonio Tyla
Arnaldo Coutinho Costa
Carlos Roberto Teixeira Netto
Cassio Taniguchi
Eduardo Guy de Manuel
Fábio Augusto Negreiros Kupper
Gustavo Humberto da Costa Carvalho
Jackson Luiz Santos Vasconcelos
Luis Mário Luchetta
Luiz Maria Guimarães Esmanhoto
Manoel Afonnso Vianna de Loyola e Silva
Newton Dan Faoro
Oscar Akio Nawa
Raul Antonio Del Fiol
Roberto Heinrich
Romulo Villar Furtado
Ruderico Ferraz Pimentel
O manifesto completo que foi enviado hoje a todo o Congresso Nacional também está disponível em www.grita.net.br.
GRITA!
A Associação GRITA! é um movimento suprapartidário, sem fins lucrativos fundada por engenheiros formados no ITA, octogenários e com um corpo atual de pessoas comprometidas com a missão de eleger melhores legisladores federais, estaduais e municipais para transformar o Brasil no Estado-Nação que todos desejam.




3 comentários em “GRITA! chega aos cinco anos, lança manifesto e defende reconstrução do Estado brasileiro”
Excelente Manifesto ! Desejando fortemente que vá adiante, eu pergunto:
É viável?
Por onde começar?
Excelente iniciativa do Movimento GRITA! que precisa repercutir entre a classe politica e eleitores cansados do estado de corrupção que dominou o Estado brasileiro.
Vamos
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