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08/02/2023



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Judeus de Curitiba contra Bolsonaro

 Judeus de Curitiba contra Bolsonaro

Saiu no blog do Aroldo Murá um manifesto de intelectuais e profissionais de origem judaica que se posicionaram contra o presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento é nacional de uma parcela significativa da comunidade judaica brasileira, que tem se posicionado nos últimos 4 anos contra a política do presidente, classificada por muitas vezes como de inspiração nazista.

 

Não raro, a comunidade judaica brasileira fica espantada com imagens, frases e posturas de forte vínculo nazista pelo presidente, pela família Bolsonaro e por integrantes do governo federal. Soma-se a isto, a visão distorcida dos bolsonaristas por um Israel Imaginário, no qual o país é belicista, armamentista e preconceituoso. Visão que não reflete a realidade dentro do Estado de Israel.

 

A manifestação dos judeus paranaenses é legítima, quando é notório que a ideologia nazista implica na destruição do povo judeu. A reação de uma parcela da comunidade judaica resgata a papel que os judeus têm na história mundial e brasileira, desde o início da colonização, com a migração de judeus, que forçadamente se tornaram cristãos novos (Fernão de Noronha), até ao longo da história brasileira, como Olga Benário.

 

Os judeus sempre lutaram contra injustiça dentro da sociedade. Ainda que haja o estereótipo negativo do judeu, a comunidade judaica no Brasil e no mundo sempre contribuiu para melhoria das sociedades onde viveram. Albert Sabin, Albert Einstein, Sigmund Freud, Karl Marx, Jesus Cristo foram judeus, que se somaram a outros, que estão ainda mudando a realidade do mundo, com avanços enormes na medicina, nas artes, na pesquisa social, entre outras áreas.

 

O posicionamento da comunidade judaica no Brasil, sempre muito retraída, marca um início de enfrentamento de ideias. O bolsonarismo fez emergir o preconceito e a segregação. E este processo precisa ser freado. Parabéns aqueles que colocaram a cara a tapa.

 

Parabéns a comunidade que resgata  uma importante ação judaica: Tzedaká – Justiça!

 

Judeus de Curitiba contra Bolsonaro

Duas dezenas de judeus de relevante porte intelectual de Curitiba divulgaram na manhã de ontem (4) o manifesto a seguir, explicitando suas posições contra o governo federal de Jair Bolsonaro:

O MANIFESTO

Os abaixo assinados, judeus ligados afetivamente à cidade de Curitiba, tornam público, neste momento, seu absoluto e total repúdio ao desgoverno comandado por Jair Bolsonaro.

Entendemos que é indispensável manifestar por escrito que nos alinhamos inteiramente com todos quantos o condenam, porque ele envergonha o Brasil perante si próprio e o mundo.

A enorme tragédia que estamos vivendo não constitui nenhuma surpresa. Bolsonaro faz exatamente o que toda a sua vida anterior mostrava escancaradamente que ele faria.

Jair Bolsonaro representa o ser humano em profundo estado de degradação.

Mas o que se poderia esperar de alguém que, ao longo de toda a sua vida pública, enalteceu torturadores e defendeu a tortura física de adversários?

No poder, Bolsonaro, como era de esperar, levou o Brasil à Idade das Trevas.

Instalou uma corrupção generalizada e baixa, típica da ignorância parva e da pobreza espiritual que acometem a si e a todos os seus.

Emoldurado permanentemente por um perverso discurso de ódio, e escorado em fraudes de todos os naipes, este governo destruiu a Cultura, arruinou a Educação, queimou a Amazônia, assassinou indígenas, e transformou o Brasil, outrora nosso orgulho perante o mundo, em pária internacional.

Na área da Saúde, revelou sua faceta mais cruel. Ao desdenhar da pior crise sanitária internacional dos últimos cem anos, foi o responsável direto pela morte desnecessária de centenas de milhares de brasileiros, por conta do descaso, da incúria, da falta de empatia e da desumanidade de Bolsonaro, seus ministros e asseclas, e que ainda hoje, 660.000 mortos depois, se repetem sem pudor, remorso ou arrependimento.

O menosprezo pela gravidade da pandemia de COVID-19; a tenaz oposição a todas as medidas preventivas recomendadas pelas maiores autoridades científicas mundiais; a defesa escabrosa das condutas condenadas; as mentiras assacadas diariamente; a propaganda reiterada de medicamentos comprovadamente ineficazes; a displicência canalha, que culminou na tragédia de Manaus; a demora na aquisição das vacinas disponíveis, coroada pela exposição vergonhosa da tentativa de obtenção de vultuosa propina – tudo se fez, e ainda mais um pouco, para matar e deixar morrer a população.

Com boa-fé e objetividade, não há escapatória possível: Bolsonaro é, sim, um genocida.

A súcia que assaltou Brasília, envolvida até o pescoço em políticas que glorificam a morte, despreza solenemente os valores mais caros ao que o homem construiu por milênios, e denominou civilização: cultura, educação, saúde, direitos humanos, ecologia, justiça, respeito à diversidade. Isto para citar apenas alguns.

Tudo aliado a uma política econômica ultraliberal verdadeiramente degenerada, cujo resultado, também previsível, é o sofrimento cruel de milhões de brasileiros. Desemprego recorde, informalidade atroz (jornadas de até 16 a 18 horas diárias em total desamparo, e sem perspectivas de uma aposentadoria digna), miséria avassaladora, fome exposta de maneira vergonhosa nas esquinas de todos os recantos do país.

Bolsonaro não apenas enalteceu a violência, como muitos são enganadoramente levados a pensar, mas guindou-a ao centro do poder. Hoje pouca dúvida resta de que as milícias assassinas que dominam o Rio de Janeiro influenciam decisivamente os destinos do País.

Não é por mero acaso que, como judeus, estamos do lado absolutamente oposto a Bolsonaro. Fomos colocados nesse lugar pela memória de nosso próprio passado. O judaísmo é todo calcado no humanismo, na solidariedade, no aprimoramento do homem. Por exemplo, ele privilegia o Tikum Olam (“consertar” o mundo), e isenta de culpa por furto de alimento viúvas e órfãos necessitados. O bolsonarismo é o contrário disso.

As duas posições são mútua e irreconciliavelmente excludentes.

Ao nosso ver, portanto, é rigorosamente impossível ser, ao mesmo tempo, judeu e bolsonarista.

O mais eloquente exemplo disso é a descarada idolatria não só do fascismo como do próprio nazismo, tão evidentes neste governo.

O presidente posou orgulhosamente ao lado de um imitador de Hitler, declarou-se admirador deste, apoiou por escrito pelo menos um grupo neonazista e, como se não bastasse, recebeu em seu gabinete, com honras de estado, uma política alemã de extrema-direita umbilicalmente ligada ao nazismo, por convicção e até laços familiares. Seu secretário de cultura foi à televisão imitar desavergonhadamente o tenebroso Ministro de Propaganda nazista Joseph Goebbels, e vários de seus assessores mais diretos foram flagrados praticando ou endossando símbolos de supremacismo branco.

Claro que o resultado, mostrado em pesquisa de 2021 da antropóloga Adriana Dias, é o crescimento significativo (de 334 para 530) do número de células neonazistas no Brasil somente nos 2 anos anteriores.

Tudo isso assombra qualquer pessoa civilizada. Mas, quando se é judeu, a mais notória vítima  do nazismo, ao assombro deve se associar um permanente estado de alerta.

Nossa postura se origina de um lugar especialmente singular. A comunidade judaica brasileira tem sido vista, de maneira genérica e equivocada, como conservadora. E Curitiba, por sua vez, é considerada – infelizmente com alguma, mas não toda, razão – como a capital símbolo do reacionarismo no Brasil.

Somos judeus, com nitidez e orgulho. E temos, cada um a seu modo, uma ligação amorosa com esta cidade. Inobstante, nos entendemos inequivocamente progressistas.

Não são poucos, em Curitiba, os progressistas que lutam e resistem, bravamente. Pois é com a cabeça erguida e o peito estufado que afirmamos que entre eles há, sim, judeus. Artificialmente colocados nas sombras, agora estamos vindo à luz.

E vamos lutar, até o limite das nossas forças, pelo fim do retrocesso e do obscurantismo obscenos que hoje desgraçam o Brasil, pelo pleno restabelecimento do Estado Democrático de Direito, e por um país soberano, justo, fraterno e generoso para com todos os seus habitantes.

O momento político exige grandeza e coragem. É preciso derrotar Bolsonaro e seu projeto fascista de poder!

Curitiba, 4 de abril de 2022.

1 – Tânia Maria Baibich – Professora Titular da UFPR

2 – Débora Iankilevich – Jornalista

3 – Jaime Cohen – Professor Associado, Universidade Estadual de Ponta Grossa.

4 – Peggy Distefano –  Tradutora e intérprete de conferência

5 – Marcelo Jugend – Advogado e escritor

6 – Gitel Bucareski – Professora aposentada

7 – Thaís Kornin – Pesquisadora de temas urbanos e metropolitanos

8 – Marcelo Gruman – Antropólogo

9 – Sarita Warszawiak – Psicóloga sanitarista aposentada

10 – Rebeca Sachs Iankilevich- Pedagoga

11 – Renata de Sant’Anna – Antropóloga

12 – Ilan Kuczynski Kessel – Educador Físico

13 – Michel Ehrlich – Historiador e professor

14 – Eliane Berger – Diretora e atriz

15 – Konrad Yona Riggenmann – Pedagogo e escritor.

16 – Sérgio Feldman – Professor Titular da UFES

17 – Paula Distefano – Jornalista

18 – Noemi Osna – Jornalista e radialista

19 – Iara Feldman- Psicopedagoga

20 – Horácio Sendacz – Aposentado e acordeonista

21 – Bruno Hendler – Professor Adjunto da UFSM

22 – Aritanan Osna Carriconde – Biólogo

23 – Rudá Osna Carriconde – Técnico eletrônico

24 – Marli Osna – Professora aposentada

25 – Élio Luiz Mauer – Médico Psiquiatra – ex-professor da UFPR e PUCPR

26 – Gabriel Paciornik – Programador

27 – Tali Warszawiak Miranda – Jornalista e cozinheira

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