ANO IV

13/07/2026

HojePR

sergio

Lançamento literário duplo no Estúdio Lâmina

19/03/2026
cidade

O Estúdio Lâmina é um espaço de arte polimorfa e invenção em arte contemporânea abrigado em vários andares de um prédio construído na década de 40, no Centro de São Paulo, próximo do Vale do Anhangabaú e do Edifício Martinelli. Constituído e idealizado como um espaço multicultural que dá visibilidade a cena independente promovida por artistas e coletivos de arte, o Lâmina se mantém na ativa ininterruptamente há quase quinze anos e já faz parte do roteiro cultural de São Paulo, principalmente do circuito de arte do Centro da cidade. Inaugurado em novembro de 2011, ele atualmente abriga um estúdio de criação, atelier compartilhado, espaço expositivo, palco para lançamento de poetas, escritores e bandas autorais, saraus poéticos, residência artística, locação para festas, eventos corporativos, sessão de fotos e filmagem para cinema e TV.

Foi lá que aconteceu, por muitos anos até a pandemia, o evento poético La Garçonnière, festa de inspiração modernista criada pelo artista plástico e curador Luciano Corta-Ruas e pelo editor e poeta Vanderley Mendonça. Mensalmente, houve um grande encontro poético de artistas e amantes das artes, abrigado em um dos andares do Estúdio Lâmina.

Mais de cem anos antes, a poucos metros dali, entre 1917 e 1918, no terceiro andar do número 67 da Rua Líbero Badaró, nascia o espaço que deu origem ao nome: a Garçonnière de Oswald de Andrade, um berço do Modernismo brasileiro, onde se reuniam os artistas pré-modernistas, poetas e amigos de Oswald (como Monteiro Lobato e Menotti Del Pichia) e sua namorada, a normalista Miss Cyclone.

No salão extenso com clima da “belle époque” paulistana, a turbulência estética dá o tom à Garçonnière do século XXI. A sensualidade da arte se expande pelos cômodos do prédio, tomados por performances de literatura, teatro, música, enquanto as paredes expõem a arte visual de artista residentes e convidados. No salão charmoso, sofás e cadeiras acomodam a gente que se esparrama, se joga na arte e na boemia. Pé direito alto, janelas amplas à moda dos antigos edifícios parisienses do século XX e uma bela sacada que dá vista para o Vale do Anhangabaú, um clima que convida a um tipo especial de embriaguez, motivada pelos drinks do bar local.

Em 21 de março (sábado), La Garçonnière será o palco dos lançamentos de dois livros de poetas curitibanos, em São Paulo: “A Caverna dos Destinos Cruzados”, de Monica Berger e Sérgio Viralobos e “O Livro Póstumo de Sérgio Viralobos e Marcos Prado”, antologia de poemas dos mesmos autores. Também estará presente o escritor e músico Renato Quege que lançará oficialmente seu último romance: “Trilogia”.
Na mesma noite, n’A Garçonnière, acontecerá um sarau literário com a presença de cinco poetas do grupo Neomarginal: Ira Rebella, Vitor Miranda, Ikaro Maxx, S.S. Maisa e Fernanda Fiuza, além de Vanderley Mendonça, Sérgio Viralobos, Monica Berger, Leonardo Chioda e Daniel Perroni Ratto, que também fará a discotecagem do evento.
A Banda convidada para encerrar a festa é a Meta Golova, um duo de electropunk/darkwave baseado em São Paulo, formado em 2022 pela artista siberiana Lena Kilina e pelo brasileiro Carlos Issa (Objeto Amarelo). A dupla cria “estruturas de áudio rápidas e abrasivas” com vocais multilíngues, explorando temas apocalípticos e políticos. São a atual sensação do underground paulistano.

Serviço

  • Data: 21 de março de 2026, a partir das 20 horas.
  • Endereço: Avenida São João, 108 – 1º andar – Centro – SP
  • Telefone: (11) 32286815
  • Contribuição sugerida: R$ 15,00
  • @estudiolamina
  • Todo o evento será filmado pelo fotógrafo e vídeo maker Fê Gonzales e o material será disponibilizado nas redes sociais.

O livro “A caverna dos destinos cruzados” é uma parceria poética dos escritores Monica Berger e Sérgio Viralobos e conta a aventura de um lobo e uma pantera em meio a um mundo que está prestes a se autodestruir. Foi lançado em 2019 pelo selo Demônio Negro, do editor Vanderley Mendonça (justamente um dos criadores do evento poético Garçonière) com ilustrações de Leonardo Chioda. A Apresentação e o texto da Contracapa foram escritos pelos poetas Cláudio Daniel e Daniel Perroni Ratto, respectivamente.

A ideia foi concebida há alguns anos, quando Monica usou como tema para as suas aulas de literatura o livro de Italo Calvino – “O castelo dos destinos cruzados”. Nele, o Tarot, utilizado como um sistema de linguagem, uma espécie de abecedário imagético, ocupa o papel principal. O livro é dividido em duas partes: “O castelo dos destinos cruzados” e “A taverna dos destinos cruzados”. Na Nota Final do livro, o autor observa que a proposta de trabalho matemático-literário a que se dedicou, quase o enlouqueceu sem que chegasse a um resultado que o satisfizesse plenamente. É quando faz uma sugestão tentadora e perigosa, a criação de um livro de número três, “O motel dos destinos cruzados” que, ao invés de usar cartas de Tarot, se valeria de trechos de histórias em quadrinhos.

Todas essas informações convergiram em um encontro com o poeta Sérgio Viralobos, seu amigo de adolescência punk. Por que não fazer uma Caverna dos destinos cruzados, onde um lobo e uma pantera passeariam pelos arcanos de um Tarot contemporâneo, em um poema?

Durante um ano, os dois se encontravam quase todos os dias para escrever a saga de Pan e o Lobo. O resultado foi a publicação deste livro. Sem a pretensão de realizar o desejo de Calvino, um terceiro livro a cruzar destinos, uma história marcada pela parceria, pelo caos e pela inocência.

Pois bem, não é que sete anos depois do lançamento original o editor Vanderley Mendonça resolve republicar o livro numa edição de luxo acompanhada de um baralho de tarot chamado de Amor Fati, com as ilustrações de Leonardo Chioda. Leo também assina o “Caderno de Métodos para a Leitura dos Destinos”, um ensaio sobre Tarot e Literatura seguido de “A Filosofia da Composição”.

Amor fati é uma expressão latina que significa “amor ao destino”, representando a aceitação integral e ativa da vida, incluindo sofrimentos e prazeres, sem desejar que nada seja diferente. Popularizado por Nietzsche e central no estoicismo, incentiva abraçar o fado como necessidade para a força interior, transformando cada acontecimento em algo positivo.

Marcos Prado foi poeta, escritor, letrista, tradutor e ator. Sua produção literária, ativa entre 1978 e 1996, aparece e se destaca em obras fundamentais como: Sala 17; Reis Magros; De leve não vale a pena apesar; Sangra-Cio; Dois Mais Dois São Três Em Um; O Corvo; OSS; Pérolas Aos Poukos; Herdeiros do Azar; Os Catalépticos; Paraguayos do Universo; Passei Minha Mão na Cara; Eu, Aliás, Nós; O Livro dos Contrários; e Três Quadrúpedes Bípedes.

Sua relevância histórica é incontestável. Em 1996, seu primeiro e maior “livro-solo” foi publicado na prestigiada Coleção Catatau, junto com Paulo Leminski e Wilson Bueno. Postumamente, teve a obra Ultralyrics editada em 2005 e foi tema de um documentário homônimo, lançado em 2011. Foi incluído em antologias seminais como Feiticeiro Inventor, Outras Praias e Fantasma Civil. Por ocasião dos 150 anos do Paraná, foi selecionado entre os 100 poetas mais importantes do Estado. Em 2012, foi o principal homenageado no Salão Internacional de Humor do Piauí. E, em 2015, Curitiba inaugurou a Casa da Leitura Marcos Prado.

Morto precocemente, em 1996, Marcos surgiu como uma das mais importantes, instigantes e inovadoras influências culturais do Paraná. Amplamente reconhecido pelos pares e nos meios acadêmicos, sua obra é objeto de estudos acadêmicos em universidades como UFPR, Unicamp e USP. Paralelamente, sua poesia foi adotada com entusiasmo por compositores dos mais diversos estilos. Com seu espírito gregário e energia criativa, tornou-se referência do punk, do samba, da MPB e do pop, criando pontes entre variadas tribos musicais. Produziu memoráveis letras que inspiram gerações e são executadas até hoje.

Um dos seus parceiros de poemas e letras de músicas mais constante foi Sérgio Viralobos, poeta, compositor e cantor de grupos seminais do rock paranaense, como Contrabanda e Beijo AA Força (atualmente participa da Orquestra Sem Fim). Depois de se conhecerem num final de semana mágico na Ilha do Mel, em 1981, passaram a compor dezenas de sucessos das bandas citadas e, já no fim da vida de Marcos, brincaram de juntar tudo isto numa antologia denominada “O Livro Póstumo de Sérgio Viralobos e Marcos Prado”.

Trinta anos depois, o livro vem à tona numa edição gráfica caprichada, com projeto gráfico de Geórgia Mantoan e produção do editor Samuel Lago, que, junto com seu parceiro Rodrigo Barros, montou uma playlist das músicas compostas por diversas bandas para os poemas do livro, além de leituras memoráveis como as de Antonio Abujamrra. Na primeira página haverá um QR Code para dar acesso ao material gravado, que também será reproduzido no Radiocaos, programa radiofônico de música e poesia. Veja em Radiocaos.com.br.

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