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Cinco anos após seu lançamento, o Pix é o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros para quitar contas mensais. Sua versão manual é o método adotado para essa finalidade por mais da metade da população (51,7%).
A forte aderência à função manual, porém, ainda não é compartilhada pela versão automatizada – criada justamente para pagamentos recorrentes e lançada pelo Banco Central em junho do ano passado.
A maioria dos brasileiros (81%) diz conhecer o Pix Automático, mas só 11,8% o utilizam para pagar contas mensais. Outros 15% ainda mantêm o uso de boletos e 7,2% usam o débito automático tradicional como modalidades principais.
Os dados são de um levantamento realizado pela Toku, fintech de soluções para pagamentos recorrentes, em parceria com a PiniOn, plataforma de pesquisa de mercado. As informações foram coletadas em fevereiro de 2026, em 528 municípios de todos os Estados do País. Foram entrevistadas 1.531 pessoas.
“O Pix automático existe no mercado desde 2025 e estamos no comecinho de 2026, então ele é um novíssimo meio de pagamento. Com a novidade, acho que há dois pontos importantes, tanto as empresas precisam se adaptar tecnologicamente quanto os consumidores precisam se adaptar culturalmente”, afirma o country manager da Toku no Brasil, Raphael Emerick.
A aderência ainda limitada à versão automática do Pix se relaciona a outros dados apresentados pelo levantamento, como a preferência pelo controle manual dos gastos por 44,8% dos brasileiros e a afirmação de mais da metade dos entrevistados de que deixaram de contratar serviços para evitar cobranças recorrentes.
Esse comportamento ocorre em um cenário no qual seis em cada dez brasileiros possuem mais de 50% do orçamento comprometido com despesas fixas. Nesse contexto, ainda segundo a pesquisa, o estresse mensal decorre principalmente da falta de dinheiro (34,2%), mas fatores como o caráter manual e burocrático dos pagamentos também interferem, entre eles esquecer a data de vencimento (16,6%) e a necessidade de emitir boletos mensalmente (10,7%).
Ainda segundo o levantamento, esse quadro se associa muitas vezes à preferência dos brasileiros por organizar as despesas apenas mentalmente ou pelo aplicativo do banco, sem detalhá-las em planilhas, por exemplo. Essa prática, diz Emerick, acaba contribuindo para a inadimplência.
Conforme a pesquisa, 51% já atrasaram pagamentos, mesmo com as dívidas sendo prioritárias, 50,8% afirmam ter pago multa ou juros por atraso nos últimos 12 meses e 32% dos atrasos em financiamentos são causados por esquecimento ou desorganização.
“De um lado existe uma pressão orçamentária que faz com que as pessoas não queiram a programática do Pix automático todos os meses, mas de outro deixa claro que o brasileiro acaba deixando de fazer alguns pagamentos ao longo da jornada”, diz o executivo.
Futuro promissor
Apesar de detectar uma aderência ainda limitada, a pesquisa capta um futuro que pode ser promissor para a funcionalidade. Segundo os dados, 46,4% associam pagamentos automáticos à prevenção de atrasos e 21% à redução de estresse, mas a migração depende de confiança: 81% adotariam a funcionalidade automática do Pix se houvesse total transparência e facilidade de cancelamento.
“É uma novidade, tem uma adaptação cultural e funcional que vai acontecer naturalmente ao longo dos meses. O Pix não se tornou o meio de pagamento preferido dos brasileiros e modelo de negócio inclusive para outros países à toa. Ele funciona e é eficaz. Entendemos que o Pix automático vai ocupar um papel parecido.”
Para a concretização desse prognóstico, diz Emerick, há um papel importante das empresas. Cabe a elas informar os clientes sobre o funcionamento do Pix automático e oferecer uma boa experiência de utilização, com transparência e previsibilidade sobre os valores e as datas do pagamento. Um ponto importante, destaca, é mostrar que a funcionalidade é menos engessada do que outros meios, como o débito automático.
Um exemplo disso, destaca, é a possibilidade de não só cadastrar, mas também descadastrar o Pix automático em segundos. “O cliente tem que saber disso desde o começo da jornada para que tenha tranquilidade caso mude de decisão”, diz.



