Julho é um mês tradicionalmente marcado pelo reencontro entre gerações. Durante as férias escolares, muitos avós assumem parte da rotina dos netos, recebem as crianças em casa ou aproveitam para viajar em família. A proximidade ganha ainda mais significado com o Dia dos Avós, comemorado em 26 de julho, mas também chama a atenção para um cuidado muitas vezes esquecido: a vacinação dos idosos.
Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com 60 anos ou mais apresentam maior risco de desenvolver formas graves de diversas doenças infecciosas, especialmente durante o inverno, quando aumenta a circulação de vírus respiratórios. Manter a carteira vacinal atualizada reduz significativamente o risco de hospitalizações, complicações e mortes, além de contribuir para a proteção de toda a família.
Para a enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, o encontro entre avós e netos é um dos momentos mais especiais das férias, mas também exige atenção aos cuidados preventivos. “É muito comum que os avós passem mais tempo com os netos durante as férias de julho. As crianças frequentam colônias de férias, parques, shoppings e outros ambientes com grande circulação de pessoas e podem entrar em contato com vírus respiratórios mesmo sem apresentar sintomas importantes. Por isso, manter a vacinação dos idosos em dia é uma forma de reduzir o risco de complicações e permitir que esses momentos sejam vividos com mais segurança”, explica.
O envelhecimento natural do organismo provoca uma redução gradual da resposta do sistema imunológico, fenômeno conhecido como imunossenescência. Isso torna os idosos mais suscetíveis a infecções e aumenta a probabilidade de evolução para quadros graves de doenças que poderiam ser evitadas por meio da vacinação.
Entre as principais vacinas recomendadas para pessoas com 60 anos ou mais estão a vacina contra a influenza, atualizada anualmente; a vacina contra a Covid-19, conforme orientação das autoridades de saúde; a vacina pneumocócica, que ajuda a prevenir casos graves de pneumonia e outras infecções causadas pela bactéria pneumococo; e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), recomendada para essa faixa etária e disponível em clínicas privadas. Também merecem atenção a vacina contra o herpes-zóster, indicada para reduzir o risco da doença e de suas complicações, e a vacina contra difteria, tétano e coqueluche (dTpa ou dT), conforme o histórico vacinal e as recomendações médicas.
Elisa destaca que muitas pessoas acreditam que as vacinas são importantes apenas na infância, quando, na verdade, a proteção precisa acompanhar todas as fases da vida. “Depois dos 60 anos, a vacinação passa a fazer parte do envelhecimento saudável. Assim como fazemos exames periódicos, controlamos doenças crônicas e adotamos hábitos saudáveis, manter a imunização atualizada é uma estratégia importante para preservar a qualidade de vida e a autonomia”, afirma.
A especialista lembra ainda que a vacinação dos idosos beneficia toda a família, especialmente bebês, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com doenças crônicas, que podem apresentar maior vulnerabilidade a infecções. “Quando um idoso está protegido, ele reduz as chances de adoecer gravemente e também diminui a possibilidade de transmitir algumas doenças para pessoas mais vulneráveis do seu convívio. A vacinação é um cuidado individual, mas seus benefícios alcançam toda a família”, conclui.
Com a chegada das férias e das comemorações do Dia dos Avós, julho se torna um momento oportuno para reunir a família e, ao mesmo tempo, revisar a carteira de vacinação dos idosos. Um gesto simples que ajuda a transformar os encontros em lembranças felizes e mais seguras para todas as gerações.



