Jorge Rodrigo Araújo Messias – Bessias desde que Dilma o chamou assim – acaba de ter a sua indicação ao STF rejeitada pelo Senado. Na proporção, a derrota do governo bateu com o 7 a 1 da Copa de 2014. Naquele ano, o zagueiro David Luiz, enrabichado. disse que ‘só queria dar alegria ao povo’. Virou meme. Na quarta, outro Davi (o Alcolumbre) cantou as pedras antes da apuração: ‘Vai perder por oito’. Vem meme aí.
Essa é a primeira vez na história que um advogado indicado pelo presidente da República é rejeitado na sabatina do Senado. Sim, houve uma rejeição em 24 de setembro de 1894 (há 132 anos), mas Barata Ribeiro era médico e, diga-se, exerceu o cargo por dez meses, até que a câmara alta achou por bem apeá-lo.
Se há alguma referência bíblica no feito, ela se dá pelo avesso. Davi, agora gigante, girou a funda e acertou o adversário em cheio por 42 votos a 34. Votaram 76 dos 81 senadores. Cinco preencheram a lacuna com sua ausência.
Lula se sentiu traído. Pudera. Na véspera da sabatina, o Palácio do Planalto ofereceu cargos em órgão estratégicos da alta administração pública, emendas bilionárias e espaços privilegiados de influência política. Deu com os burros.
Os parlamentares aprenderam a lição. Se fossem um cêntimo do que foi o poeta Augusto dos Anjos diriam: ‘a mesma mão que afaga é aquela que apedreja’.
Lula poderia deixar vazia a cadeira do STF até que a ‘farra da democracia’ em 5 de outubro empurrasse a sujeira dos ministros da corte e do Banco Master para debaixo dos tapetes palacianos.
A soberba, contudo, o fez arriscar. Já não bastava Cristiano Zanin, engolido goela abaixo, ele queria cercar de brilho e lantejoulas outro de seus serviçais fiéis. Messias, 46 anos, evangélico e advogado-geral da União com penduricalhos que bateram em RS 193 mil reais somente em janeiro do ano passado.
O editorial do ‘Estadão’ diz que Messias foi rejeitado menos pelo perfil do postulante do que pelos conchavos de gabinete. E daí? Lula sofreu uma derrota histórica que já acendeu uma luz de alerta quanto ao seu futuro político. É hora de vender o orgulho e a pompa na bacia das almas. Isso se não quiser sofrer uma derrota vexaminosa ainda no primeiro turno. É um cenário que deixa de ser inimaginável.
Com a rejeição a Messias, o presidente petista afirmou que irá congelar as indicações. Que a tarefa de preencher a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, no momento desfilando risonho e sacudido em Harvard, fique a cargo de seu sucessor. Por enquanto, ele faz essa afirmação apontando uma grande seta luminosa para si mesmo. Mas sabe, ou deveria saber, que o caminho das urnas, ora em diante, será mais árduo.
Na terça-feira, véspera da sabatina, Lula achava que seu toque divino e sua capacidade de articulação política eram suficientes para comprovar a infalibilidade de sua sabedoria política.
Não acha mais. Saem chamuscados desse episódio o próprio Lula, agora colecionador de derrotas, e o STF, que viu testada a capacidade do Senado de afastar ministros que se consideravam ‘intocáveis’. Não são.
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