ANO IV

23/06/2026

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NEGÓCIOS

Mestres e doutores da Jornada da Produtividade consolidam modelo de inteligência de dados

21/06/2026
Mestres

O Paraná está redesenhando o futuro de sua base industrial por meio de um ecossistema único que une ciência aplicada, tecnologia e desenvolvimento industrial. A Jornada da Produtividade é uma iniciativa estratégica que teve início em 2024 com um projeto piloto voltado a micro, pequenas e médias empresas e atualmente atinge um novo patamar de escala e sofisticação tecnológica.

Em apenas 8 meses, no período de setembro de 2025 a abril de 2026, a iniciativa alcançou a marca de mais de 120 empresas atendidas em Curitiba e Região Metropolitana, consolidando uma metodologia única e estruturada, que orienta a atuação de diversas universidades estaduais em diferentes regiões do Paraná, integradas ao mesmo processo de execução do projeto.

O Diferencial Estratégico: Diferente de consultorias tradicionais, a Jornada da Produtividade atua em duas frentes de especialização técnica que garantem a modernização integral da planta industrial:

  • Agentes de Eficiência Produtiva (AEPs): Especialistas que atuam diretamente no nível de inteligência estratégica e governação operacional, colaborando com o desenvolvimento da tomada de decisão estratégica baseada em dados e relatórios técnicos. Sua função consiste em traduzir a complexidade operacional em diretrizes claras para o crescimento sustentável e a competitividade do negócio.
  • Agentes de Implementação Tecnológica (AITs): Especialistas responsáveis por operacionalizar a transformação tecnológica no ambiente produtivo-chão de fábrica, atuando na modernização e digitalização de processos. Sua atuação principal é identificar e mitigar gargalos tecnológicos integrando soluções digitais além de preparar as empresas para níveis mais avançados de automação, conectividade e Indústria 4.0.

O Ponto de Partida: Imersão Técnica e Pesquisa de Maturidade

A excelência da Jornada da Produtividade começa na primeira visita realizado pelo AEP (Agente de Eficiência Produtiva). Diferente de diagnósticos convencionais, o processo inicia-se com uma pesquisa de maturidade e inovação. Além disso, o empresário recebe um Panorama Setorial completo do seu segmento, oferecendo um comparativo estratégico entre o cenário do Paraná e do Brasil. Este documento detalha indicadores vitais de cada segmento, como:

  • Dinâmica do Trabalho: Dados sobre baixas de trabalhadores, rotatividade, níveis salariais e legislação setorial.
  • Desempenho Econômico: Receita anual comparada e saldos de exportação e importação.
  • Diagnóstico de Gargalos: Identificação precisa de oportunidades de melhoria e inovação na gestão estratégica dentro do território paranaense.

As industrias recebem também a visita do Agente de Implementação Tecnológica (AIT), responsável por realizar diagnósticos e priorizar gargalos identificados em soluções aplicadas no ambiente produtivo. Nesta etapa, o foco desloca-se da inteligência estratégica para a execução técnica, promovendo intervenções direcionadas à modernização operacional, digitalização de processos e aumento da eficiência produtiva. Entre as principais frentes de atuação, destacamse:

  • Mapeamento Tecnológico: Levantamento da infraestrutura produtiva, nível de digitalização e maturidade tecnológica da empresa.
  • Identificação de Gargalos Operacionais: Análise detalhada de processos, fluxos produtivos, desperdícios, tempos improdutivos e limitações tecnológicas.
  • Plano de Implementação Tecnológica: Estruturação de um roadmap de melhorias com priorização de ações de curto, médio e longo prazo.
  • Digitalização de Processos: Introdução de ferramentas e sistemas para coleta, integração e monitoramento de dados em tempo real.
  • Automação e Eficiência Operacional: Proposição de soluções para redução de perdas, otimização de recursos e aumento da produtividade.
  • Preparação para Indústria 4.0: Desenvolvimento das bases para conectividade, rastreabilidade, inteligência de dados e integração tecnológica entre setores.
  • Essa etapa consolida a transição do diagnóstico para a ação, garantindo que as oportunidades identificadas se convertam em ganhos concretos de produtividade, competitividade e sustentabilidade industrial.

Inteligência de Mercado: O Poder dos Dados do Paraná

O grande diferencial competitivo dessa fase do projeto é a orientação estratégica de mercado baseada em dados. Utilizando a robusta infraestrutura do Observatório SENAI, que possui uma base de dados atualizada mensalmente, os AEPs realizam a coleta, integração, análise estratégica e cruzamento de informações provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE – setores 5 ao 43), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e Receita Federal.

Esse processo permite a construção de diagnósticos setoriais e territoriais de alta precisão, subsidiando a identificação de oportunidades, a priorização de intervenções e a tomada de decisão estratégica no contexto industrial paranaense.

O objetivo é claro: fazer com que a indústria paranaense prospere dentro do seu próprio território. “Não entregamos apenas um diagnóstico, entregamos o perfil do mercado e potencial crescimento”, afirmam os especialistas. Através do cruzamento dos dados dos clientes atuais de cada indústria com a base do Observatório, o programa é capaz de entregar mais de mil novas possibilidades de potenciais clientes, fornecedores e concorrentes, com um mapeamento
detalhado. Isso permite uma gestão estratégica de vendas e suprimentos mais efetiva para empresas de pequeno e médio porte.

Competências Estratégicas e Retenção de Talentos

Um dos pilares orgânicos do projeto, evidenciado pela integração de instituições como Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), SENAI, FIEP, Governo do Estado do Paraná, Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e Fundação Araucária, é a utilização de competências técnicas e científicas altamente
qualificadas. A equipe de agentes é composta por mestres e doutores com formação multidisciplinar nas áreas de Engenharias, Ciências Sociais Aplicadas e Humanas, conferindo ao projeto elevada capacidade analítica, estratégica e de implementação.

Essa estrutura cumpre uma função social e econômica vital: a retenção de talentos no Paraná. Ao aplicar o conhecimento acadêmico de ponta diretamente na solução de problemas da indústria local, o projeto evita a evasão de profissionais altamente qualificados para outros estados ou países, garantindo que a inteligência gerada nas universidades estaduais, federais e privadas do Paraná e Brasil, reverta em aumento de produtividade e riqueza para a população paranaense. Essa estratégia permite às empresas conhecer o potencial de incorporar profissionais com amplo conhecimento que podem, inclusive, serem absorvidos em seu quadro de funcionários.

Investimento e Sustentabilidade

A Jornada da Produtividade é sustentada por um modelo de investimento sólido e articulação institucional, contando com recursos do programa federal Brasil Mais Produtivo e pela atuação integrada entre o Governo Estadual, o SENAI, a Fundação Araucária e o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Essa união garante que as indústrias paranaenses, especialmente aquelas que enfrentam maiores desafios para investir em inovação por conta
própria, tenham acesso a tecnologias, diagnósticos e consultorias especializadas com alto valor agregado, sem dispender recursos específicos para essa finalidade.

O resultado é uma indústria local mais resiliente, digitalizada e estrategicamente posicionada para enfrentar os desafios de uma economia globalizada, com impactos concretos e duradouros vinculados ao fortalecimento do desenvolvimento econômico, tecnológico e social do Paraná.

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