A coluna do jornalista Lauro Jardim, publicada em O Globo nesta quarta-feira (22), traz informações que, para o eleitor paranaense, deveria ao menos acender uma luz amarela, ainda que o protagonista da história esteja, curiosamente, na lanterna.
Segundo o levantamento, o senador Sérgio Moro (PL) apresenta o menor nível de execução de emendas individuais impositivas entre os senadores do Paraná.
Eu diria que essa lanterna é uma posição um tanto desconfortável para quem está pretendendo administrar o bilionário orçamento do Paraná.
E num cenário em que não há desculpa estrutural possível, já que os três senadores paranaenses tinham exatamente o mesmo ponto de partida, R$ 212,2 milhões entre 2024 e 2026. Orçamento carimbado, autorizado e disponível.
Mas, como se vê, disponibilidade não é sinônimo de entrega.
Ainda de acordo com Lauro Jardim, “Moro registra R$ 160 milhões empenhados, o equivalente a 75% do total autorizado”, ficando atrás dos colegas. E, como registra o próprio jornalista, “a diferença se mantém nas etapas seguintes”.
Nos valores executados, “Moro soma R$ 138 milhões (65%), contra R$ 145 milhões (68,4%) de Arns e R$ 148 milhões (69,6%) de Oriovisto”.
E no dado que realmente importa, aquele em que o dinheiro deixa de ser promessa e vira realidade, a fotografia se consolida. “O montante efetivamente pago totaliza R$ 122 milhões, o que corresponde a 57% do autorizado”, abaixo de Arns (63%) e Oriovisto (58%).
Em todas as etapas, o mesmo desfecho. Consistente, é verdade. Mas não exatamente no sentido desejado.
Convém lembrar o básico. Emenda não executada não é economia, é ausência. É recurso que não chega às cidades, que não se transforma em investimento, que não melhora a vida de quem está na ponta. É dinheiro parado enquanto a demanda anda.
E é justamente aqui que o episódio ganha um contorno mais amplo.
Porque o mesmo senador que aparece com dificuldade em transformar um orçamento já definido em entrega concreta é o mesmo que quer ser governador do Paraná.
Política não é para amadores, já ensina o velho ditado. Administrar um estado não é exercício retórico, nem tese e muito menos intenção. É execução. É pegar números autorizados e fazer com que eles virem resultado.
Se, em escala limitada e com recursos previamente garantidos, o desempenho de Moro já levanta questionamentos, é natural que o eleitor olhe com mais atenção quando o assunto passa a ser um orçamento bilionário, com todas as complexidades, pressões e negociações que isso envolve.
E não me venham os que adoram políticos me azucrinar nas redes sociais. Não se trata de julgamento precipitado. Trata-se de observar os dados.
E, nesse caso, os dados são claros, objetivos e, talvez por isso mesmo, extremamente incômodos.
Porque, no fim, a política pode até tolerar discurso. Mas a gestão, invariavelmente, cobra entrega.



