O amor vem cedo, aos galopes, rasgando auroras, quando o orvalho ainda nem despertou. Ele nasce no princípio da esperança. Aos doze, aos quinze, aos vinte. E também pode chegar a qualquer hora.
Surge cheio de charme, fazendo promessas. Tão certo, tão esperto… Traz consigo sonhos ainda frágeis, expectativas alvas, puras. Escreve as primeiras linhas, e a gente acredita.
Nas camadas quentes do peito, o amor é livre. Não pede licença. Não obedece. O próximo passo é o vestido branco, o véu transparente e o buquê cor-de-rosa.
O corredor da igreja é o caminho mais longo rumo ao altar das palavras que, muitas vezes, não sabem o que dizem. E, por inocência, sem que se perceba, ali mesmo começa o preço.
Segundo as Escrituras, o maior dos dons jamais acaba. Mas a premissa é de pureza na alma para que ele permaneça: verdade, presença e cuidado. E que contemple e se perca no olhar. Que entonteça e nunca se canse de admirar. Que caminhe de mãos dadas e não faltem chocolate nem conversas demoradas.
Céus estreladíssimos, primaveras em pleno inverno, pores do sol em chamas e brotos de orquídeas sussurram a certeza: o amor jamais esquecerá os românticos.
Mas é preciso saber: amar é verbo, é ação. Conjuga-se no pretérito, no presente e no futuro. E, se ficou no passado, talvez tenha sido deixado de lado.
A Noiva
Matizes furta-cor
Bordam o vestido de renda pura.
Sonhos imaturos
Seguem o véu diáfano.
As flores, alinhadas em laço,
Vacilam ao tremor das mãos.
Uma silhueta de menina-mulher
Desfila inocência, de sapatos brancos,
No tapete vermelho-paixão.
O altar das promessas está longe…
Mas ela continua.
O altar da aliança está longe…
Os pés se machucam.
Ela para, olhos no infinito…
O altar do encontro não estava lá.
Poema do livro “Escreva, Maria!”
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