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13/07/2026

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O dia em que o PL descobriu as virtudes do PT

16/05/2026
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A política paranaense talvez tenha finalmente produzido sua versão institucional do “vale tudo por um carguinho”. E o espetáculo desta semana, na Assembleia Legislativa, foi digno de estudo antropológico, psiquiátrico e, principalmente, humorístico.

A bancada do PL/Novo, aquela mesma que costuma tratar o PT como se fosse uma combinação de Cuba, invasão alienígena e apocalipse bíblico, resolveu protagonizar uma das cenas mais divertidas do ano legislativo. Votou juntinha com o PT contra um projeto do governador Ratinho Junior.

E não foi um “voto técnico”, desses que o sujeito tenta explicar usando palavras como “responsabilidade fiscal”, “debate democrático” ou “aperfeiçoamento institucional”. Não. Foi vingança mesmo. Vingança com V maiúsculo, cheiro de mágoa e tempero de nomeação perdida.

Tudo porque o governador resolveu fazer aquilo que político odeia mais do que CPI, tornozeleira eletrônica e câmera ligada. Cortar cargos em comissão.

A turma ficou inconformada. Afinal, sair do governo era uma coisa. Sair dos cargos do governo já parecia humilhação demais.

A coluna já havia tratado do assunto em abril, quando alguns deputados descobriram, da forma mais dolorosa possível, que romper politicamente com o Palácio Iguaçu e continuar controlando carguinhos é uma tese administrativa ainda pouco aceita no planeta Terra.

Mas a mágoa precisava produzir efeitos práticos. E produziu.

De repente, deputados que passam 70% do tempo gravando vídeos furiosos contra o PT resolveram descobrir as maravilhas do diálogo republicano com a esquerda. Foi uma transformação emocionante. Quase espiritual.

O deputado Jacovós, líder dessa frente ampla do ressentimento, explicou que o PL e o Novo votaram com o PT porque as emendas da deputada Ana Júlia “eram muito interessantes para o erário público do Paraná”.

Que momento histórico.

A deputada Ana Júlia, do PT, virou subitamente uma referência técnica para o bolsonarismo de plenário. Uma espécie de musa da responsabilidade fiscal. Quem diria.

Dizem que teve assessor engasgando com café na Assembleia quando ouviu aquilo. Outros olharam para os lados tentando entender se haviam entrado por engano numa realidade paralela.

Porque até anteontem, essa mesma turma falava do PT como quem descreve a chegada do anticristo. Era vídeo inflamado, dedo em riste, discurso indignado, postagem apocalíptica, patriotismo de ring light e indignação patrocinada por algoritmo.

Agora? Agora caminham de mãos dadas pelos corredores. Quase faltou apenas um piquenique coletivo no gramado da Assembleia ao som de “Imagine”, de John Lennon.

O eleitor mais fanático talvez tenha sofrido um pequeno curto-circuito mental. Imagine o cidadão que passa o dia compartilhando os vídeos dos deputados Ricardo Arruda e Tito Barichello berrando “FORA PT”, usando camiseta verde-amarela e chamando petista de ameaça comunista global, descobrir que seus heróis parlamentares resolveram abraçar justamente o PT na primeira oportunidade útil para atingir Ratinho Junior e pavimentar o caminho eleitoral de Sergio Moro.

É bonito ver como os princípios políticos brasileiros são sólidos. Sólidos como sorvete no asfalto de janeiro.

No fundo, tudo se resume à velha política brasileira. Não existe convicção ideológica que sobreviva a um corte de cargos.

A turma do PL/Novo descobriu que o amor ao Estado mínimo termina exatamente onde começa a nomeação em comissão.

E convenhamos, chamar aquilo de articulação estratégica talvez seja exagero. O espetáculo teve mais cara de vingança do pipoqueiro. Aquela revolta barulhenta, dramática, cheia de fumaça, mas que no fim não muda absolutamente nada.

Porque, apesar do chilique coletivo, o projeto do governador acabou aprovado.

Ratinho venceu e o PT ganhou novos amigos temporários.

E o eleitor, mais uma vez, descobriu que na política brasileira o discurso é conservador, liberal, revolucionário, patriótico ou ideológico até aparecer uma boa oportunidade de revanche.

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