ANO IV

23/06/2026

HojePR

O problema não é a reforma. É a tua pressa em decidir sem entender

31/10/2025
reforma

A cada nova mudança de lei, o mercado parece entrar em transe. Basta um vídeo circulando, uma manchete com tom de urgência ou um comentário atravessado num grupo de empresários, e pronto: começa a corrida. É o mesmo roteiro de sempre, a reforma ainda nem começou a valer, mas já tem gente refazendo planilha, mudando CNPJ, trocando contador e montando estratégia de sobrevivência. Tudo isso antes mesmo de entender o que realmente muda.

É curioso como a palavra “reforma” desperta tanto medo.Talvez porque a gente tenha aprendido a associar mudança a ameaça.

Mas o que mais abala uma empresa não é a reforma em si, é o comportamento de quem não sabe lidar com ela. O problema nunca foi o imposto. O problema é a ansiedade.

Tem empresário que confunde velocidade com preparo. Acha que agir rápido é sinal de inteligência, quando às vezes é só sinal de pânico. E é nesse impulso de querer resolver tudo na marra que nascem as piores decisões.

Porque pressa não é estratégia. Pressa é só movimento e movimento sem direção é o mesmo que girar em círculo.

O empresário maduro sabe que o tempo é um aliado quando usado com consciência. Ele não se desespera diante da mudança; ele observa, entende, busca quem sabe, e só depois age. Não porque seja lento, mas porque entende que o verdadeiro risco está em decidir sem entender. Quem vive apagando incêndio nunca tem tempo de construir nada sólido.

A reforma tributária é só mais uma entre tantas que ainda virão. E cada uma delas vai testar o mesmo ponto: o quanto o empresário está preparado para pensar antes de agir. Porque, no fundo, a mudança na lei só expõe o que já existia quem tem gestão e visão, e quem só tem reação.

Alguns empresários olham para o futuro com medo. Outros, com leitura. Os primeiros vêem ameaça. Os segundos vêem oportunidade. Mas a diferença entre um e outro não está no tamanho da empresa, nem na área de atuação. Está no comportamento! Enquanto uns perdem noites de sono tentando adivinhar o que vai acontecer, outros dormem tranquilos porque têm clareza de onde estão e do que precisam ajustar.

E é isso que a pressa rouba: clareza. A pressa não deixa o empresário enxergar o cenário inteiro, só o pedaço que assusta. Ela faz parecer que tudo é urgente, que tudo é decisivo, que se não mudar hoje vai ficar para trás amanhã.

Mas a história mostra o contrário, quem muda sem entender, acaba voltando atrás com prejuízo. É fácil se deixar levar pelo pânico coletivo. É fácil seguir a corrente e acreditar que “todo mundo está mudando, então eu também preciso”. Mas o empresário que constrói legado não age por reflexo. Ele age por leitura. Ele não corre quando todos correm, ele observa para entender para onde estão indo. E às vezes, a melhor decisão é não decidir ainda. Esperar o cenário se revelar, juntar informações, escutar quem entende. Porque uma decisão bem pensada vale mais do que dez decisões apressadas.

A maturidade empresarial é isso: entender que o mundo muda o tempo todo, e que seu papel não é correr atrás de cada mudança, mas aprender a se posicionar diante delas. É sobre ter serenidade para agir com propósito, e não por impulso. E entender que o empresário que quer prever o futuro precisa primeiro aprender a parar de reagir ao presente.

Quando a poeira baixar (e ela sempre baixa) vai ficar claro que a reforma tributária, por si só, não destrói nem salva ninguém. O que define o futuro das empresas é o comportamento de quem as conduz. O problema não é a reforma.O problema é a tua pressa em decidir sem entender.

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