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30/01/2023



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O que tem por trás da tatuagem?

 O que tem por trás da tatuagem?

Por Gisele Finardi –

Você já deve ter se questionado “porque as pessoas se tatuam? ou quem sabe ainda “será que eu faço uma tatuagem?”.

 

As justificativas para fazer uma tatuagem podem ser as mais variadas, mas todos que se tatuam fazem por um motivo especial e em geral esse motivo não faz sentido para o mundo, não adianta ela explicar, nunca iremos  entender por completo, ela é tão particular que só faz sentido pra quem a tem.

 

O que leva uma pessoa fazer uma tatoo pode ser uma paixão, uma homenagem, o amor de sua vida, uma fé profunda ou talvez algo que você queira lembrar de um momento de alegria ou de superação. Quem sabe para esconder uma cicatriz considerada feia, ou ainda a necessidade de ser único, mais atraente, sexy ou descolado, talvez passar um ar de malvado, uma rebeldia, uma declaração, uma afronta a sociedade, ou até mesmo uma forma de se destacar. Tudo isso pode estar por trás de um simples se tatuar.

 

A tatuagem muda o padrão mental da pessoa, e mesmo que temporariamente, eleva a sua autoestima. É como se ela ao se tatuar criasse uma determinação de algo sobre si. A marca eterna que fica é sinônimo de alegria, sofrimento,
orgulho e expressão. Definindo assim uma parte da própria identidade.

 

E em cima desse assunto, há muita divergência ainda. Afinal ser tatuado é algo bom ou ruim para a imagem?

 

Hoje muito mais aceita e interpretada como arte, a tatuagem passou a ser símbolo de liberdade sobre seu próprio corpo, como forma de expressão e não de caráter.

 

O que antes era rejeitado começou a ser e aceito, o que era feio passou a ser bonito, o que era marginalizado passou a ser desejado. Ter tatuagem agora é estar na moda.

 

E se tem uma coisa que o ser humano gosta é se sentir fazendo parte do que está em alta.

 

Numa breve pesquisa que fiz para esse artigo, revelou que muitas pessoas estão fazendo tatuagem agora, pois parece que se não tiverem é como se estivessem fora de moda. Deixou de ser rebeldia e passou a ser moderno.

 

Esse senso de pertencimento comum ao ser humano faz com que muitas pessoas façam o que muitos estão fazendo, desde tatuagem, silicone, preenchimento labial, alongamento de cílios, unhas artificiais e por ai vai…sem se questionar se realmente é algo que gosto ou se faço para não me sentir deslocado. A moda sempre ditou regras, não seria diferente com a tatuagem.

 

Gostando ou não, elas estão ai e não sabemos se essa moda irá mudar daqui a pouco. Quem sabe mais pra frente o descolado será uma pele completamente limpa de imagens.

 

Uma coisa é certa, conceitos e comportamentos mudam ao longo do tempo. Nada é definitivo nesta vida. Acostume-se com as novidades e mudanças.

 

Engana-se quem acha que a tatuagem é algo recente. Há séculos, a arte de printar na pele um símbolo, uma imagem ou palavra é praticada ao redor do mundo. E vamos longe quando se fala em tatuagem, Ötzi, o Homem de Gelo, a
pessoa tatuada mais antiga que já se encontrou, viveu há mais de 5.300 anos e tinha cerca de 61 tatuagens em forma de linha que percorriam seu corpo.

 

Acredita-se que possam ter exercido alguma função terapêutica, simbólica ou religiosa. Vai saber o que estava por trás do significado das suas tatuagens naquela época.

 

Até muito pouco tempo atrás, a tatuagem estava associada à marginalidade, ao comportamento rebelde, como também às classes socioeconômicas mais baixas, à prostituição e, finalmente, ao crime.

 

E veja que interessante, às vezes temos um conceito ruim sobre algo e nem sabemos porque pensamos assim. Esses conceitos são passados de geração em geração, sem ser questionados e sim apenas replicados.

 

O fato da tatuagem estar ligada pessoas criminosas tem uma origem. Antigos gregos e romanos usavam tatuagens para penalizar escravos, criminosos e prisioneiros de guerra, soldados e fabricantes de armas, uma prática que continuou no século IX.

 

Do outro lado do mundo, no Japão, a tatuagem punitiva foi praticada por séculos, e consistia em tatuar as pessoas que haviam cometido crimes, como uma espécie de lembrança dos antecedentes criminais gravadas na própria
pele. Também era uma forma de estigmatizar os criminosos, pois bastava olhar para saber quem já havia cometido um crime.

 

Agora começamos a entender porque muitos olham para pessoas tatuadas, duvidando do seu caráter, e vem aquele pensamento: “Se tem tatuagem, bom elemento não é”.

 

Ainda temos resquícios deste preconceito criado pela história. Assistindo uma serie semana passada, chamada Good Girls, me deparei com um estigma (para quem observa os detalhes) sobre tatuagem. Uma série envolvendo o mundo do crime e 3 donas de casas tidas como corretas e de bom caráter. O interessante é que todos os criminosos usam tatuagem e as donas de casa, maridos e amigas não. O que reforça que, ainda estamos longe de nos livrarmos do preconceito criado anos atrás.

 

Em meados do século XVIII, as tatuagens decorativas começaram a aparecer e ser vista como arte e lentamente a prática passou a ser adotada como arte, por artistas da música, do cinema e em pessoas “comuns”.

 

O primeiro tatuador profissional documentado na Grã-Bretanha foi estabelecido no porto de Liverpool na década de 1870. Na Grã-Bretanha, a tatuagem ainda estava amplamente associada aos marinheiros e à criminosos, mas a partir da década de 1870, se tornara moda entre alguns membros das classes superiores, incluindo a realeza. Porém uma clara divisão de opiniões sobre a aceitabilidade da prática continuou ainda por um longo tempo.

 

Pasmem, inúmeras personalidades históricas, tais como: o Czar Nicolau II da Rússia; o Kaiser Guilherme II da Alemanha; a Rainha Vitória do Reino Unido; os Presidentes americanos James K. Polk, Theodore Roosevelt e Andrew Jackson; o Primeiro-ministro Britânico Winston Churchill; os escritores George Orwell e Dorothy Parker; Thomas Edison; o Rei Haroldo II de Inglaterra; o Rei Eduardo VII do Reino Unido; também eram tatuados.

 

O que costumavam tatuar? O mesmo que o restante das pessoas: motivos orientais, pássaros, âncoras, flores, animais e nomes. A diferença é que eram tatuagens difíceis de se ver, pois os nobres e a classe alta costumavam cobrir seus corpos.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi muito utilizada por soldados, marinheiros e pilotos, que gravavam o nome da pessoa amada nos seus corpos. Olha ai de onde vem aquela romântica idéia de gravar o nome da amada na pele, que muitos por sinal se arrependem depois que a paixão acaba.

 

Chico Buarque em sua música Tatuagem, expressa com poesia o significado da tatuagem que encaixa muito bem a esse romantismo da época. A letra diz:

 

“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem

Que é pra te dar coragem

Pra seguir viagem

Quando a noite vem”.

 

No Brasil a é uma arte surgiu em meados dos anos 60, na cidade de Santos e trazida pelo dinamarquês Knud Harld Lucky Gregersen (também conhecido como Lucky Tattoo), que tinha sua loja próxima do cais, onde na época era a
zona de boemia, repleta de arruaceiros, envolvidos com drogas e prostitutas; gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas.

 

Isto contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação.

 

Hoje em dia, devido à circulação de informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras sem distinções.

 

Certamente, a pessoa que se tatua é acima de tudo um ser humano que se distingui do demais, encontrando em sua própria pele uma tela para expressar suas crenças e significados da sua história e que não define o seu caráter.

 

Nenhuma teoria psicológica, religiosa, antropológica, apresenta uma explicação exclusiva e final para a tatuagem. O ambiente, a época, as influências, modismos, ideologias, crença são alguns dos motivos que podem dar um direcionamento sobre o que tem por trás desta arte de marcar o corpo.

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