ANO IV

08/07/2026

HojePR

karla

O técnico que a sua Seleção merece

08/07/2026
seleção

Imagine que o líder da sua empresa é o “técnico da seleção”.

Sabe aquela ideia romântica de que o técnico perfeito da Seleção é aquele que todo mundo adora, que sorri nas entrevistas, que o time obedece caladinho e que ganha todos os jogos com futebol arte? Pois é, no mundo real — especialmente numa Copa do Mundo — essa versão só “lidera” time mediano. Para comandar craques de verdade, com pressão de 200 milhões de torcedores, precisa de muito mais.

Se você quer uma seleção de alta performance, esteja preparado para lidar com jogadores que são melhores que você em vários aspectos dentro de campo. O craque questiona tática, sugere ajustes, olha pro plano tático lindo e fala: “mas e se a gente tentar assim?”.

Respeito não se conquista sendo o mais simpático na coletiva. Se conquista sendo competente, justo e com coragem para tomar decisões difíceis — mesmo quando a torcida vai vaiar. Tem hora que você vai ter que dizer não para o ídolo. Tem hora que vai ter que cobrar no treino mesmo com câmera ligada. Tem hora que vai ter que admitir o erro publicamente e aprender com o próprio elenco. Técnico que é técnico sabe: liderança não é concurso de popularidade. É resultado. E resultado, no futebol brasileiro, não combina com agradar todo mundo.

Não tenha medo de comandar jogadores que brilham mais que você. Muitos técnicos novos morrem de pavor de ter estrela no elenco. Aí cercam-se de atletas “fáceis de gerenciar”. Resultado? Time morno, desempenho morno, eliminação precoce. Enquanto isso, o concorrente que topou o desafio de liderar talentos, tá levantando taça. Medo de ser ofuscado? Relaxa. O grande técnico não precisa ser o mais brilhante em campo. Precisa ser aquele que faz todo mundo jogar melhor.

Invista tempo de verdade nesses jogadores. Converse no treinamento, pergunte o que eles sentem, onde querem chegar, o que os irrita no dia a dia. Craque bom costuma ter opinião forte — e é exatamente por isso que ele é craque.

Esteja disposto a crescer junto. Os times extraordinários cobram evolução constante do treinador. Eles te desafiam, te fazem estudar, te obrigam a sair da zona de conforto. No fundo, estão cobrando de você o mesmo nível que entregam em campo.

Celebre o questionamento. O jogador que chega com “eu discordo, e aqui vai uma ideia melhor” é ouro. Guarde esses. Invista neles. E aprenda rápido a separar o joio do trigo: tem quem questiona pra crescer o time, tem quem questiona pra inflar o ego. A diferença é sutil, mas decisiva.

Nas vitórias, o técnico mostra humildade: divide o mérito, elogia o coletivo e mantém o foco.

Nas derrotas, mostra coragem: precisa assumir responsabilidade, proteger o grupo de críticas exageradas e já pensar no próximo treino. Não adianta ser herói só quando ganha. O verdadeiro líder da Seleção aparece exatamente quando o placar não ajuda.

Imagem: Gerada por IA

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