Sustentável, Regenerativo ou Responsável?
Não é novidade que as atividades de turismo são importantes para o desenvolvimento e que agregam valor social e econômico. Números apresentados pela Embratur (2025), mostram a importância estratégica do turismo para o Brasil. Nesse ano, havia 2,43 milhões de pessoas ocupadas com carteira assinada no setor de turismo, o equivalente à 5% dos empregos formais no Brasil. No mesmo ano, de janeiro a novembro, foram criados cerca de 107 mil novos empregos formais. O país recebeu 9,5 milhões de turistas internacionais, um recorde histórico, com crescimento de 37,5% em relação à 2024. Turistas argentinos somaram cerca de 3,4 milhões (36 % do total de estrangeiros), seguidos por países da Europa (1,28 milhão), Chile (802 mil) e Estados Unidos (760 mil). O valor movimentado no país também foi recorde em 2025, estimado em US$ 7,9 bilhões.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio, 2025), os 74 parques nacionais do Brasil que estão sob a gestão do governo federal ocupam uma área de 173,5 milhões de hectares (cerca de 20% do território brasileiro). Vislumbra-se assim um horizonte impressionante para a expansão de locais turísticos de pura contemplação da natureza a serem visitados.
Quando considerados, por exemplo, alguns números do turismo na Itália, que possui apenas 3,5% da extensão territorial do Brasil, percebemos o extenso caminho que ainda temos que percorrer para que obtenhamos mais e melhores resultados. De acordo com a Agência Italiana de Turismo (ANSA, 2025), aquele país registrou mais de 185 milhões de chegadas, o equivalente a 612 visitantes por km2 além da população local, sendo que a cidade de Roma registrou um recorde com 22,9 milhões de chegadas. Qual será o impacto causado, inclusive no dia a dia dos seus habitantes?
A reflexão inicial nos leva ao tema central deste texto. Em que pese a distância do número de turistas que chegam ao Brasil em relação aos que visitam a Itália, temos que estar à frente do nosso tempo, ou seja: “buscar o crescimento do turismo com a devida atenção aos nossos ambientes urbanos e às nossas unidades de conservação, sejam elas municipais, estaduais ou federais, com a abertura de possibilidades para a população local e o devido respeito às suas questões culturais”. Trata-se, assim, de um assunto estratégico para a maior longevidade dos sistemas, com a geração de benefícios por mais tempo.
Mas, qual é o melhor caminho a ser seguido?
Existem, no campo teórico, os mais variados pontos de vista, que inclusive causam controvérsia quanto à definição mais apropriada para o turismo: Sustentável, Regenerativo ou Responsável?
Para tentar esclarecer o assunto, alguns textos apresentam a polêmica conceitual no âmbito acadêmico. Portanto, há total convergência entre o que é Sustentável, Regenerativo ou Responsável, em alguns pontos fundamentais para o menor impacto das atividades turísticas, resumidos pelo Doutor Harold Goodwin (com base na Declaração da Cidade do Cabo Sobre Turismo Responsável em 2002), Professor Emérito da Manchester Metropolitan University, no seu artigo intitulado “Responsible Tourism and Regenerative Travel (2025)”, quais sejam:
a) É necessário minimizar os impactos econômicos, ambientais e sociais;
b) Gerar maiores benefícios econômicos e de bem-estar para as comunidades locais, com maior acesso ao trabalho e ao consumo de bens e serviços;
c) Envolver as comunidades locais nas decisões que podem afetá-las ou promover mudanças no seu modo de vida;
d) Contribuir positivamente para a conservação do patrimônio natural e cultural, mantendo a diversidade mundial;
e) Proporcionar experiências mais agradáveis para os turistas, por meio de conexões mais significativas com as comunidades locais, para uma maior compreensão das questões culturais, sociais e ambientais;
f) Proporcionar acessibilidade àqueles em situações diversas de vulnerabilidades, bem como às pessoas com deficiência;
g) Respeitar as normas locais para uma relação respeitosa entre turistas e anfitriões, como forma de gerar autoestima e confiança.
Diante do exposto, nos resta envidar todos os esforços para um crescimento sustentável e duradouro das atividades de turismo no Brasil. Podemos mostrar ao mundo que somos capazes de receber a todos, com respeito aos nossos recursos naturais e à nossa cultura diversa e extremamente rica. Isso não depende apenas de ações governamentais, deve ser a expressão da vontade de todos que, com responsabilidade, se dedicam a alavancar a imagem do nosso país no planeta.




2 comentários em “O Turismo e os nossos recursos humanos e naturais”
Muito boa a matéria, o turismo é uma ótima ferramenta para os empregos locais gerando economia para as cidades e o Estado.
Excelente texto com considerações avançadas sobre as perspectivas do turismo no Brasil.
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