Sabe aquela mania nacional de responder “tô na correria” ou “tá corrido”, toda vez que alguém pergunta como você tá? É quase automático. Perguntam do dia e lá vem: “correria, amiga”, como se isso fosse medalha de honra, sinal de importância ou prova de que a gente é super produtiva.
Pois eu vim aqui com o maior carinho te dizer: para com isso agora. Essa expressão não te valoriza, ela te sabota.
Pensa bem. Quando você fala que o dia foi uma correria, o que você está realmente falando? Que não soube organizar o tempo, que o planejamento foi para o espaço ou que vive apagando incêndio que você mesma ajudou a acender.
Soa pesado? É. Mas trocar “correria” por “meu dia foi cheio, mas organizei direitinho” muda tudo.
A gente vive num mundo que romantiza o esgotamento. Postar stories lotados de tarefas, reclamar do cansaço como se fosse estilo de vida. Mas, na real, quem vive de verdade não precisa provar que tá correndo o tempo todo. As pessoas mais interessantes que eu conheço parecem ter 48 horas no dia, mas não andam com cara de quem foi atropelada pela agenda. Elas priorizam, delegam, dizem não sem culpa e ainda sobra espaço para um cafezinho sem culpa.
Experimenta se policiar e comece a medir a tal “correria”. Por que está corrido? E aí em vez de “hoje não dá, tô na correria”, experimenta “hoje meu dia tá cheio, mas te respondo amanhã com calma”.
Parece bobeira? Não é.
Falar correria o tempo, sem saber o porquê só reforça o caos interno. Faça isso e de repente você passa de “a louca da agenda” para “aquela que entrega e ainda vive”.
A vida é mesmo cheia: trabalho, casa, filhos, cachorro, supermercado, academia… O problema não é ter muita coisa pra fazer, é transformar isso em um eterno drama e usar como desculpa para não fazer mais nada.
Muitas vezes a “correria” pode significar falta de limite. A gente aceita tudo, responde mensagem na hora, marca reunião em horário sagrado do almoço e ainda se acha eficiente. Resultado? Irritação acumulada e aquela sensação de que a semana passou e você não viveu nada. Pare de com isso.
Troque o “tá corrido” por algo mais honesto como “meu dia tá agitado, mas tá fluindo.” “Tenho bastante coisa, mas tô no controle.” “Foi intenso, mas terminei o que precisava.” Isso vai te fazer bem.
No fim, ninguém vai lembrar de você como “a que vivia na correria”. Vão lembrar daquela que sorria, que tinha tempo para ouvir, para tomar um café, que era organizada e que entregava com qualidade.
Tenta, experimenta prestar atenção na sua correria e veja o que acontece.
Porque, sinceramente, a vida é curta demais pra viver como se fosse uma agenda sem fim. Merecemos mais do que correr o tempo todo. Merecemos viver com intenção. E isso começa com a boca — e com a cabeça.
Imagem: Gerada por IA
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