A decisão do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, de se colocar novamente como candidato a deputado federal não é apenas legítima, é coerente. E, sobretudo, consistente com o diagnóstico que ele próprio construiu a partir da experiência recente no Executivo.
“Aprendi muito, tive uma noção de executivo muito importante”, afirmou ao explicar sua decisão. Não se trata de discurso ou frase feita. É a síntese de um aprendizado que muda o olhar de qualquer político. Governar uma cidade expõe, com nitidez, os limites da ação local diante de um arcabouço legal definido em Brasília. E Martins, ao lado do prefeito Eduardo Pimentel, vive diariamente essa situação.
E é exatamente esse ponto que sustenta sua escolha. “É toda uma estrutura que cabe sobre legislação federal. Eu não posso ter esse diagnóstico e ficar aqui no município só gritando sem ter condição de resolver”, disse ele. A frase é direta e, mais do que isso, rara na política. O vice-prefeito reconhece que o discurso, sem instrumento institucional, é insuficiente e voltar a Brasília significa ampliar sua voz por Curitiba.
Uma observação atenta ao posicionamento de Martins mostra que há coerência entre o diagnóstico e a decisão. “Você entra na política para quê? Para buscar os meios de ação para fazer aquilo que você acredita”, salientou.
Ao optar pelo retorno à Câmara Federal, Martins deixa claro que não pretende apenas opinar sobre os problemas. Quer atuar onde as regras são, de fato, definidas.
Não se trata de um movimento improvisado. Martins já foi deputado federal, conhece o funcionamento da Câmara e chega com bagagem. Soma-se a isso um capital político relevante. Na disputa pelo Senado, em 2022, obteve cerca de 1,7 milhão de votos, desempenho que o colocou no centro do debate político paranaense e redesenhou o espaço de lideranças no estado.
O eixo central da sua candidatura também está explícito. “Eu acredito que esse país precisa de uma reforma legal muito ampla e por isso eu decidi que quero voltar ao parlamento”, afirmou. É uma aposta em atuação estrutural, em um momento em que o país acumula entraves que dificilmente serão resolvidos sem revisão legislativa consistente.
Curitiba pode até perder um quadro qualificado no Executivo. Mas o movimento de Paulo Martins indica algo maior. A tentativa de levar para Brasília alguém que conhece, na prática, os limites do sistema e que decidiu enfrentá-los onde eles realmente se originam. “Senão, não vai haver esperança”, concluiu o vice-prefeito.
E, no cenário atual, isso faz diferença.
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