A mais recente pesquisa sobre a sucessão estadual, produzida pelo Instituto Opinião, indica que, a pouco menos de um ano das eleições estaduais, o eleitorado do Paraná ainda está longe de uma definição clara sobre em quem votar. Em todos os cenários testados, o dado que mais chama atenção é o elevado contingente de eleitores indecisos, o que mantém a disputa em aberto e sujeita a mudanças relevantes nos próximos meses.
Nos cinco cenários estimulados apresentados pelo levantamento, o senador Sergio Moro (União Brasil) aparece na liderança em todas as simulações, com percentuais que variam de 27% a 39%. O segundo colocado é Requião Filho (PDT), com intenções de voto entre 17% e 29%, dependendo do cenário.
Apesar disso, ambos começariam a campanha sob o peso de índices de rejeição considerados altos para esta fase do processo eleitoral: Moro soma 24% de rejeição, enquanto Requião Filho chega a 28%.
Ainda assim, o aspecto central da pesquisa é a expressiva fatia do eleitorado que declara não saber em quem votar. No primeiro cenário, os indecisos alcançam 26%, percentual próximo ao do próprio líder da corrida. Mesmo nos cenários em que o número diminui, ele permanece elevado, oscilando entre 15% e 19%, além dos votos nulos, brancos e dos que preferiram não opinar. Na prática, isso significa que uma parcela significativa dos paranaenses ou ainda não se vê representada pelos nomes colocados até agora ou não está interessada, no momento, no processo eleitoral.
O levantamento também mostra que o terceiro colocado varia conforme o cenário, com nomes do PSD como Alexandre Curi, Rafael Greca, Guto Silva e Darci Piana aparecendo com índices mais modestos, mas ainda competitivos, especialmente em um ambiente marcado por tanta indefinição.
Outro fator decisivo apontado pela pesquisa é a ausência, até o momento, de um candidato oficialmente indicado pelo governador Ratinho Junior. Segundo o Instituto Opinião, o apoio do governador teria potencial para influenciar diretamente 35% dos eleitores, enquanto outros 48% afirmam que a decisão dependeria do nome escolhido. Apenas 15% dizem que não votariam de forma alguma em um candidato apoiado por ele.
A força política de Ratinho Junior é explicada pelos altos índices de avaliação de sua gestão. A administração estadual é considerada ótima ou boa por 76% dos entrevistados, e a taxa de aprovação pessoal do governador chega a 83%.
Lula e Bolsonaro
A pesquisa também mediu a influência de lideranças nacionais. O apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria impacto positivo para apenas 17% do eleitorado, enquanto 53% afirmam que não votariam em um candidato apoiado por ele. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro influenciaria diretamente 27% dos eleitores, mas encontra rejeição maior, de 46%.
Diante desse quadro, a leitura predominante é de que o processo sucessório no Paraná está longe de estar consolidado. A liderança de Sergio Moro é clara, mas não confortável, até porque sua situação como candidato não está definida já que o PP, partido que compõe a Federação União Progressista, já avisou que não aceita a sua candidatura; a rejeição dos principais nomes é elevada; e o grande volume de indecisos indica um eleitorado atento, porém cauteloso, que pode redefinir completamente o cenário a partir da entrada de novos atores ou, sobretudo, da decisão de Ratinho Junior sobre quem apoiar. Em um ambiente tão fluido, a eleição de 2026 segue em aberto.



