ANO IV

24/06/2026

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CASO MASTER

Sob pressão, Jaques Wagner entrega cargo de líder do governo e diz que foi ‘em comum acordo’

24/06/2026

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Sob pressão do PT e do Palácio do Planalto, o senador Jaques Wagner (BA) entregou o cargo de líder do governo nesta quarta-feira (24), seis dias após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, Wagner garantiu que nunca atuou no Congresso para defender os interesses do Banco Master, disse que se sentia “injustiçado”, mas afirmou não querer atrapalhar a campanha do presidente à reeleição.

O sucessor de Wagner ainda não está definido. São cotados para a liderança do governo os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).

Lula esperava que o senador tomasse a iniciativa de se afastar para não ter de demitir o amigo de mais de 40 anos. Candidato a novo mandato pela Bahia, o senador resistia, sob o argumento de que sua saída equivaleria a uma confissão de culpa.

Diante do diagnóstico de que a permanência de Wagner como líder do governo já respingava no presidente, porém, dirigentes do PT atuaram para convencê-lo a deixar o cargo, com o discurso de que saía para se defender.

Em nota publicada nas redes sociais após sair do Alvorada, Wagner seguiu o script combinado com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, comandada por Sidônio Palmeira.

“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, escreveu o senador. “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, completou. O texto foi publicado nas redes sociais.

Atingido pela nona fase da Compliance Zero, Wagner é acusado de receber propina do Banco Master ao ganhar um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador, do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.

Além disso, investigações da Polícia Federal descobriram repasses de R$ 3,5 milhões, por parte de Lima, a uma empresa de seu enteado e de sua nora.

A Polícia Federal também afirma que, em junho de 2023, Augusto Lima solicitou à sua secretária a compra de ingressos destinados a Wagner e seus parentes, no valor de R$ 63,3 mil, para um show de Taylor Swift, em Los Angeles. A compra teria sido feita pela Reag Investimentos, gestora de recursos envolvida em negócios com o Master.

No apartamento ocupado por Wagner, em Brasília, a PF descobriu dinheiro em espécie – notas de US$ 55 mil e 33 mil euros –, ao lado de 13 relógios.

O senador afirma que o dinheiro é fruto de “diárias legais” e declaradas, pagas a ele pelo Senado para viagens internacionais. Alega que, para não levar as notas, teria quitado as despesas nessas missões oficiais com cartão de crédito.

Nos bastidores, porém, ministros e dirigentes do PT dizem que uma imagem de dinheiro em espécie é mortal para qualquer campanha. Pesquisas que chegaram ao Palácio do Planalto apontaram que, no caso do PT, as fotos ressuscitaram a pecha de corrupção que marcou campanhas do partido após os escândalos do mensalão e do petrolão nos governos Lula e Dilma Rousseff.

A avaliação no Palácio do Planalto e no PT foi de que era preciso agir rápido para conter a crise. Como mostrou o Estadão, levantamentos analisados pela cúpula petista revelam que a disputa à Presidência está mais apertada do que indicam os atuais levantamentos de intenção de voto.

Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal desafiante de Lula, tenha perdido apoio após a revelação de suas ligações com Vorcaro, trackings do governo mostram que essa queda estancou.

Apesar da nota divulgada nesta quarta-feira, Wagner deixou a liderança do governo a contragosto. O senador sustenta que nunca atuou para beneficiar o Master no Congresso. Quanto ao apartamento em Salvador, diz que pediu a Augusto Lima para comprar o imóvel sob a condição de recomprá-lo depois para a filha morar. Justificou o pedido com o argumento de que o prédio ainda estava em construção.

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