Tem coisa que, na política, cresce feito massa de pão. Você acha que vai dobrar de tamanho, mas chega uma hora em que simplesmente para. E, pelo visto, o senador Sergio Moro (PL) pode ter encontrado exatamente esse ponto: o teto.
Vamos aos números, porque, como dizia minha avó, “contra números não há argumento, só choro e coletiva de imprensa”.
Em fevereiro de 2025, a Genial/Quaest mostrava Moro com 30%. Um início robusto, liderando com folga. Naquela época, sem candidaturas colocadas no mercado, Rafael Greca, ainda no PSD, aparecia com 18%. Cristina Graeml, que não me recordo em que partido estava pois já mudou várias vezes de legenda, tinha 10% e Zeca Dirceu, que tentava ser o candidato do PT, tinha 7%.
Havia, ainda, um contingente respeitável de indecisos (15%) e, mais interessante, 20% já inclinados ao branco ou nulo, o famoso “não gostei de ninguém, obrigado”.
Seis meses depois, em agosto, Moro subiu para 38%. Cresceu, mas nada alarmante. Foram 8 pontos percentuais em meio ano, um avanço que, para quem lidera com tanta exposição, não chega a ser exatamente uma avalanche.
Na mesma pesquisa aparecia o vice-prefeito Paulo Martins, que ainda estava no PSD, com 8%. O PT aparecia representado pelo presidente de Itaipu, Enio Verri, que chegava a 7%. Surgia, também, Guto Silva, com 6%, já então apontado como nome preferido de Ratinho Junior.
O dado mais curioso? Os brancos e nulos saltaram para 28%. Trocando em miúdos, aumentou o número de eleitores dispostos a cruzar os braços e assistir ao espetáculo comendo pipoca.
Agora, oito meses depois, a nova rodada da Genial/Quaest traz Moro com 35%. Ou seja, caiu 3 pontos. Não é queda livre, mas também não é exatamente uma trajetória de foguete.
E aqui entra o detalhe mais relevante: é a primeira pesquisa em que aparecem todos os pré-candidatos conhecidos, algo mais próximo da vida real, aquela situação em que ninguém some convenientemente do cenário para facilitar a vida de outro.
Nesse ambiente mais completo, surgem novidades. Requião Filho entra direto com 18%. Greca aparece com 15% (3 pontos a menos que em fevereiro). E estreia Sandro Alex com 5%, praticamente repetindo o desempenho inicial de Guto Silva meses atrás.
Ou seja, o campo se organizou. E quando o campo se organiza, o líder precisa correr mais, não só para crescer, mas para não ser alcançado.
Outro ponto relevante: Moro costuma variar quando um ou outro nome é retirado dos cenários testados. Isso é comum. Cenários artificiais sempre favorecem alguém. Mas, quando se coloca todo mundo na mesa, como numa eleição de verdade, o desempenho parece estabilizar. E estabilizar, em política, muitas vezes é um jeito elegante de dizer “bateu no teto”.
Agora, vamos falar de rejeição, aquele indicador que ninguém gosta de comentar, mas que costuma decidir eleição.
Na pesquisa atual, da Quaest, Requião Filho lidera a rejeição com 47%, seguido por Moro (37%), Greca (33%) e Sandro Alex (13%). Como não há histórico desse dado nas pesquisas anteriores do instituto, vale recorrer à Paraná Pesquisas, que no início do mês trouxe números na mesma ordem: Requião Filho também liderando (33,5%), depois Moro (21,7%) e Greca (12,7%).
Não são números idênticos, mas a hierarquia é praticamente a mesma. Em política, quando dois institutos diferentes contam histórias parecidas, é bom prestar atenção.
E aí entra o próximo capítulo dessa novela.
Até aqui, o eleitor médio ainda não foi plenamente informado, ou convencido, de que Ratinho Junior tem um candidato. Quando essa informação começar a circular com força, o jogo tente a mudar. E mudar principalmente para quem disputa o mesmo espaço.
Requião Filho, por exemplo, tende a sofrer menos com isso. É, hoje, o único nome consolidado à esquerda. Não divide tanto o eleitorado com concorrentes diretos. Já Moro, Greca e Sandro Alex estão no mesmo campo e, como diz o ditado, “onde há muitos galos, o dia demora a clarear”.
Mas há um detalhe que não pode ser ignorado. Sandro Alex terá o apoio direto e ostensivo de Ratinho Junior. E estamos falando de um governador com aprovação na casa dos 80% e com 64% dos entrevistados dizendo que ele merece eleger o sucessor. Isso não é pouca coisa. É, no mínimo, um empurrão de montanha abaixo.
Em outras palavras, o risco de desidratação de Moro existe, e não é pequeno.
Claro, eleição não é equação matemática. É mais parecido com briga de rua ou, para manter a elegância, com um bando de babuínos em disputa territorial. Muito barulho, muita movimentação e, invariavelmente, alguém arremessando algo pouco nobre no adversário.
Até lá, o cenário que o paranaense tem é esse. Moro lidera, mas não dispara. Cresceu, mas parou. Caiu, mas não despencou. Está ali, no topo, encostado no teto. E só lembrando, pois não quero encheção de saco nem de assessor nervoso, nem de advogado habituado a pedir segredo de justiça na abertura dos processos: a comparação dos resultados foi feita com apenas as pesquisas divulgadas pela Genial/Quaest. A exceção é apenas na rejeição.
E, como todo bom teto, ele não costuma subir sozinho.
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* A pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27) foi registrada na Justiça Eleitoral com o número PR-02588/2026. As pesquisas divulgadas em fevereiro e agosto de 2025 não dispuham de registro.



