Uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) prendeu, nesta quinta-feira (9), o prefeito de Fazenda Rio Grande, Marco Marcondes, e o radialista Fernando Gomes, figura conhecida do rádio e da televisão. Além deles, outras pessoas também foram presas, suspeitas de envolvimento em um esquema de desvio de recursos da área da Saúde que pode ultrapassar R$ 10 milhões.
A ação, batizada de Operação Fake Care, investiga contratos fraudulentos firmados pela prefeitura de Fazenda Rio Grande com empresas de fachada, criadas para simular a prestação de serviços de saúde. O MP aponta que as empresas recebiam pagamentos vultosos por atendimentos e fornecimentos inexistentes, desviando dinheiro público para contas particulares e para financiamento de campanhas políticas. Além do prefeito e de Fernando Gomes, foram detidos o ex-secretário de Saúde — atualmente titular da Secretaria da Fazenda do município —, um auditor do Tribunal de Contas do Estado e empresários ligados ao grupo.
De acordo com as investigações, o esquema funcionava como uma engrenagem precisa e bem lubrificada, com participação de agentes públicos e privados. O Gaeco cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos na Região Metropolitana de Curitiba, recolhendo documentos, computadores e celulares que podem aprofundar a apuração. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça do Paraná, que também determinou o afastamento de servidores municipais suspeitos de envolvimento.
O prefeito de Fazenda Rio Grande é acusado de ter avalizado contratos suspeitos e de se beneficiar politicamente do esquema. Em nota, a Prefeitura de Fazenda Rio Grande informou que colabora com as investigações, mas a gravidade das denúncias já provoca uma crise institucional no município. Nos bastidores, vereadores articulam uma comissão para avaliar a possibilidade de afastamento do prefeito.
Se a detenção de Marcondes choca pelo impacto político, a prisão de Fernando Gomes causa espanto pelo simbolismo. Com mais de 50 anos de carreira no jornalismo esportivo paranaense, Gomes era conhecido por sua voz grave e opiniões contundentes no rádio e na TV. Segundo o Ministério Público, ele seria sócio de uma das empresas utilizadas para desviar os recursos públicos. O envolvimento de um comunicador experiente e influente num caso dessa natureza amplia o escândalo e expõe as ramificações do esquema além dos limites da política tradicional.
A investigação segue sob sigilo, mas fontes próximas ao caso afirmam que há provas robustas de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados. A rede de corrupção, segundo o Gaeco, teria se estruturado para dar aparência de legalidade a contratos fraudulentos, utilizando notas frias e falsos relatórios de execução de serviços médicos e hospitalares.
Presos na operação
• Marco Antonio Marcondes Silva, prefeito de Fazenda Rio Grande;
• Francisco Roberto Barbosa, secretário da Fazenda municipal (ex-secretário de Saúde);
• Alberto Martins de Faria, auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR);
• Samuel Antonio da Silva Nunes, sócio de empresa investigada.
• Abrilino Fernandes Gomes, o comentarista esportivo Fernando Gomes – sócio de empresa investigada
As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), que também determinou a suspensão de quatro servidores públicos. O caso segue em sigilo judicial.



