Não teve rodeio, nem metáfora e nem tampouco espaço para interpretação criativa. O governador Ratinho Junior fez algo raro na política, disse exatamente o que quis dizer. E disse olhando na direção certa e mirando com precisão milimétrica o alvo, que atende por Sergio Moro.
Antes mesmo de qualquer análise mais elaborada, o fato é simples: Moro foi eleito para ser protagonista e virou coadjuvante de si mesmo. Prometeu enfrentamento e entregou silêncio seletivo. Vendeu independência e passou a orbitar narrativas que não produzem absolutamente nada para o Paraná.
E isso incomoda. Pelo menos àqueles que não tem político de estimação, como alguns militantes mais apaixonados que esquecem as peripécies de Moro na busca desenfreada por poder.
Esse incômodo não é por birra, nem por divergência menor. É porque, quando o estado tem peso, representação fraca deixa de ser detalhe e vira prejuízo.
Foi nesse contexto que veio a frase limpa, direta e quase pedagógica do governador. “O Paraná tá muito fraco de senadores. Nós precisamos ter senadores mais combativos e que defendam mais o interesse do estado.”
Traduzindo sem esforço: falta gente jogando sério. E aqui entra o ponto que separa adultos de crianças. De um lado, um governador com mais de 80% de aprovação. Do outro, um senador que ainda parece preso à própria biografia, como se o mandato fosse um eco permanente do que já foi, e não uma responsabilidade concreta no presente.
Moro não é mais promessa. E esse é exatamente o problema.
Porque, quando a promessa acaba e o resultado não aparece, sobra o quê? Resta o personagem, cada vez menos útil.
Flávio Arns segue sua trajetória discreta, praticamente invisível, como se Brasília fosse um lugar onde a ausência fosse uma estratégia. Oriovisto Guimarães mantém a coerência técnica, o discurso organizado, a lógica bem montada. Tudo muito correto, tudo muito inofensivo.
Nenhum dos dois, no entanto, se apresentou como solução. Moro, sim. E é justamente por isso que o recado bate mais forte nele.
Não se imagina aqui qualquer traço de ressentimento. Não é resposta a alianças, nem reação a movimentos partidários. Quem governa com esse nível de aprovação não perde tempo com isso.
A frase define direção. E Ratinho Junior definiu.
Ao dizer publicamente que o Paraná está mal representado no Senado, ele não fez crítica, fez reposicionamento. Ajustou o tamanho de quem ocupa cadeira grande demais para a entrega que vem apresentando.
Na política, há quem cresça com o cargo. E há quem revele suas limitações quando finalmente o ocupa.
Moro entrou grande. E, hoje, cabe em bem menos.
E para os “apaixonados” pelo senador não me encherem os pacovás, me acusando de inventar frases, deixo o vídeo abaixo para se deleitarem.
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