ANO IV

23/07/2026

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Ratinho Junior manda a pesquisa da Neokemp para o limbo

23/07/2026
ratinho junior

O governador Ratinho Junior frustrou as pretensões de quem imaginava contar com o PP e o União Brasil para reforçar outra candidatura ao Governo do Paraná. Depois de muitas conversas, recuos, pressões e idas e vindas, a Federação União Progressista anunciou apoio a Sandro Alex para o governo e a Alexandre Curi para o Senado.

Não foi uma negociação simples. Durante meses, União Brasil e PP caminharam em direções diferentes, alimentaram expectativas distintas e deixaram mais de um interessado acreditando que poderia receber o apoio da federação. No fim, prevaleceu a articulação do governador.

Ratinho Junior conseguiu preservar a aliança que construiu ao longo de dois mandatos e entregou ao PSD algo ainda mais valioso do que fotografias de lideranças sorridentes. Garantiu um tempo precioso no horário eleitoral de rádio e televisão. A Federação União Progressista reúne a maior bancada da Câmara e deverá acrescentar aproximadamente dois minutos e meio à campanha de Sandro Alex.

Em uma eleição na qual o candidato governista precisará crescer, apresentar-se ao eleitor e vincular sua imagem à administração estadual, esse tempo poderá fazer enorme diferença. Ratinho Junior ganhou espaço para entrar na televisão, defender o seu governo e pedir votos para o escolhido.

Mas houve outro efeito político importante.

O anúncio realizado na quarta-feira (22) praticamente apagou a divulgação da estranha pesquisa do Instituto Neokemp, contratada por um jornal de Santa Catarina para medir a disputa pelo Governo do Paraná.

Somente Sergio Moro e Requião Filho encontraram motivos para comemorar publicamente. Ambos divulgaram o levantamento em suas redes sociais. Fora desse restrito círculo de interessados, os números foram recebidos com silêncio, indiferença e uma dose considerável de desconfiança.

A Neokemp tem mantido Moro na liderança em todos os seus levantamentos e sempre em posição bastante confortável. O comportamento chama atenção porque outros institutos já registraram perda de vantagem e uma disputa mais apertada.

Aparentemente, a Neokemp não percebeu essa movimentação. Ou preferiu ignorá-la.

Nada disso invalida automaticamente uma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral. Mas também não elimina as perguntas. Por que um jornal de Santa Catarina decidiu financiar um levantamento sobre a eleição paranaense? Qual era o interesse nessa fotografia eleitoral? A quem ela beneficiava? Quem efetivamente tomou a iniciativa de contratar a pesquisa?

São questões legítimas. Pesquisa eleitoral não é escritura registrada em cartório. É um retrato produzido a partir de metodologia, amostra, questionário, contratante e contexto político.

Desta vez, porém, a discussão nem chegou a ganhar força. A origem pouco usual do levantamento, a estranheza dos resultados, as dúvidas sobre quem realmente tinha interesse na divulgação e, principalmente, o anúncio da aliança comandada por Ratinho Junior empurraram a pesquisa para o lugar em que ela acabou merecendo permanecer.

O limbo.

Sem repercussão, sem publicidade e sem capacidade de interferir no jogo político.

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