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13/07/2026

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Rejeitados venceremos

11/05/2026
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Houve um tempo em que uma rejeição de 30% ou mais era considerada um teto difícil de superar, praticamente inviabilizando candidaturas. A análise condizia com a teoria política clássica no Brasil. Mas os tempos mudaram. Lula bate em 50% de repúdio, enjeitamento, desprezo e repulsa por parte do leitor. Ainda assim, aparece como um candidato a ser batido. Por quê? A polarização explica.

Nas eleições de 2018 e 2022, com a direita mostrando a cara – uma cara que veio para ficar –-, as regras se alteraram. Não se trata mais de aprovar este ou aquele candidato e assim cravar o voto. Agora, a questão é o menos pior. Se vamos engolir o sapo, que seja o deglutível.

Há quatro anos, o capitão chegou ao segundo turno com mais de 50% de rejeição ante 48% do petista. Era, de fato, uma campanha nem-nem. Com índices tão negativos de parte a parte, era natural que as abstenções atingissem níveis estratosféricos. Em um universo de 150 milhões de eleitores, 32,7 milhões cabularam o primeiro turno e 32,2 milhões o segundo.

No Brasil, ainda convivemos com o cabresto do voto obrigatório. A multa para quem se ausenta sem justificativa é irrisória, mas a Justiça encontrou outro meio de punir o faltante, criando dificuldades para que ele tire o passaporte ou assuma cargo público. Em qualquer país do mundo, pretensamente democrático, medidas como essas violariam direitos fundamentais do cidadão. A Constituição, no entanto, diz que votar é um ato de civilidade. Para quem, cara pálida?

38 milhões desconsiderados

Somados os votos nulos, brancos e as abstenções no primeiro turno, em 2022, chegaríamos a um total de 38,2 milhões. Suficientes para bater na terceira colocação no pleito presidencial ou eleger oito Flávios Bolsonaros ao Senado, 532 Tiriricas à Câmara e 660 Renatos Freitas (aquele) à Assembleia do Paraná.

Petistas são mensaleiros e quadrilheiros comprovados. Lula passou mais de 500 dias preso, envolvido que estava no maior escândalo de corrupção da história do país. Bolsonaro desprezou a covid, mandou que seus seguidores saíssem à rua e, quando a epidemia bateu à porta, receitou cloroquina e chá de alho. No mais, foi um dos aloprados à frente da invasão do 8 de janeiro, que seria um golpe caso envolvesse ativamente as forças armadas com fuzis e tanques. Não envolveu. Mas essa não é uma nota a seu favor. Muito pelo contrário.

Com as eleições à vista, o quadro de polarização se repete e o discurso idem. Estaríamos muito bem agora se promovêssemos um grande boicote às urnas e exigíssemos novas regras eleitorais. Para mim abstenção é voto, voto nulo é voto e voto em branco também. Seria uma saída democrática para evitar que a maioria tirânica nos impinja seu bandido de estimação.

Veja o caso do senador Sérgio Moro. Deslumbrado e, reconheçamos, quase incapaz de articular três ou quatro palavras com algum sentido, ele desponta como candidato favorito ao governo do Paraná, aliado ao capiroto e aos Irmãos Metralha. De paladino da Justiça a fantoche da família Bolsonaro, o ex-juiz tem mesmo um nome a zerar.

Cabine do ‘sim ou não’

Por conta da polarização que grassa, a política no Paraná aponta para um cenário inusitado onde um governador com 80% de aprovação não logra êxito, por ora, em transferir as intenções de voto para o candidato de seu partido, o PSD.

Moro, no entanto, não é só flores. Sua rejeição bate em 25,1%, atrás apenas de Requião Filho, com 33,7%, que a essa altura, e até por isso, já deveria ter se distanciado de seu pai e adotado de vez seu nome verdadeiro: Maurício Requião.

Se o quadro das eleições de 2022 se repetir, teremos no governo federal e, em muitos dos governos estaduais, candidatos eleitos pelo critério ‘menos pior’. É uma lástima que tenhamos chegado a esse ponto.

Eu sei. Nessas horas, é melhor ficar dormindo em casa ou ler um livro. Mas as eleições ganharam um tom plebiscitário e, se não votamos, valha-me Zeus, estamos prestes a participar do jogo do ‘Sim ou Não’ do Silvio Santos. Aquele em que o participante, isolado em uma cabine à prova de som, respondia se queria trocar o prêmio: Quer trocar uma Ferrari por um apontador de lápis? Sim! Barack Obama por Kim Jong-un? Sim! Bolsonaro por um colar de pérolas e R$ 2 milhões para passear nos EUA? Não! Janja por uma viagem a Roma e um jatinho para chamar de seu? Não! Moro por um Paraná melhor? Não!

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