Fazendo a resenha do livro “Aventuras e desventuras de um baterista de rock da América Latina”, de 420 páginas, lembrei dos versos finais do Soneto 29 de William Shakespeare: “Meu amor sofrido é tão grande e forte/Nem com reis trocaria esta sorte”. A vida de Rolando Castello Júnior é tão vasta e atribulada que precisei de dois artigos para resenhar sua autobiografia. A primeira parte foi publicada aqui no dia 18 de junho deste ano. E apesar de todos os sofrimentos por que passou, aposto que Rolando não trocaria com ninguém esta história. Aos interessados na obra, por favor escrevam para [email protected], que ainda levam de lambuja CD, vinil e camiseta comemorativos dos 60 anos dele nisso de bateria e rock.
Então retornamos à resenha no ano de 1977, quando Rolando foi para a Argentina para formar com o baixista Alejandro Medina e o mestre da guitarra Norberto Pappo Napolitano uma das mais emblemáticas bandas portenhas, o “Aeroblus”, até hoje reverenciada e homenageada por todos os roqueiros argentinos. Detalhe, Pappo e Medina vieram ao Brasil para ensaiar num sítio em São Paulo e aproveitaram pra convidar Rolando a se juntar a eles na criação do Aeroblus. O único disco lançado pelo grupo (Aeroblus – 1977), foi um marco do rock dos anos 70, abrindo caminho para uma série de bandas pesadas do rock latino-americano. Deste álbum, a música “Vamos a Buscar La Luz”, foi eleita pela revista Roadie Crew, em 2011, como um dos 200 Verdadeiros Hinos do Heavy Metal e Classic Rock. Ouça aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Kro3vOIoa0s&list=RDKro3vOIoa0s&start_radio=1 . O sucesso do Aeroblus não se restringiu à Argentina, também repercutiu no Brasil, no Japão, Europa, Canadá e Estados Unidos. O vinil virou objeto de culto e colecionável. Até hoje, Rolando é reconhecido como um ídolo em Buenos Aires, para onde volta periodicamente para tocar com as bandas locais. Apesar da incrível experiência por que passou no país vizinho, Rolando resolveu voltar devido à forte opressão da ditadura argentina, num episódio em que ele é preso e quase morto apenas por ser roqueiro, como conta em detalhes no livro.
De volta ao Brasil, Rolando recebe um convite do Cokinho para tocar com ele e o mitológico Arnaldo Baptista (ex-Os Mutantes), em uma nova banda proposta por este último, que voltava à ativa após anos de amargura e incompreensão. Segundo Rolando: “Éramos eu na bateria, o guitarrista irlandês John Flavin (ex-Secos & Molhados) e Osvaldo Gennari, o “Cokinho”, no baixo. Por esta banda largamos tudo o que estávamos fazendo musicalmente na época e nos entregamos de corpo e alma ao grupo. Ensaiamos e arranjamos as músicas do Arnaldo durante quase 40 dias seguidos e a banda soava como se tivesse anos de estrada, era maravilhoso. Logo as pressões comerciais e os abutres jogaram sua sombra sobre nós e o que era para ser uma unidade só se transformou em um engendro chamado Arnaldo e a Patrulha do Espaço. Começou um processo de distanciamento que seria irreversível entre o Arnaldo e A Patrulha, que culminaria com a saída de John Flavin, poucos dias antes da estreia da banda. Da formação desta época ficaram os altos e baixos astrais e um trabalho maravilhoso de estúdio que só viria a ser conhecido, em parte, mais de uma década depois.”
Ele fala do disco “Elo Perdido”. Ouça a obra-prima aqui.
A estreia da banda foi no dia 17 de setembro de 1977, no 1° Concerto Latino-Americano de Rock, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo para oito mil pessoas e com Eduardo Chermont, o Dudu, na guitarra. E desse jeito, entre tapas e beijos, vitórias e derrotas, ficaram com o Arnaldo até o dia 28 de maio de 1978, quando fizeram o último concerto no Anfiteatro Cacilda Becker em São Bernardo do Campo/SP. Foram nove meses, o tempo de uma gestação. Permanece, até hoje, uma mágoa muito grande em Rolando, que pouco fala sobre a passagem de Arnaldo pela Patrulha do Espaço.
No primeiro momento, Rolando, o Dudu e o Cokinho ficaram em um estado misto de raiva, depressão e esperança, porque não se separaram numa boa e tinham compromissos profissionais e contratuais para cumprir. O problema maior era o repertório, já que com exceção de duas músicas, o resto do trabalho era do Arnaldo. O vocal, em princípio, o Dudu iria segurar. Então, devido ao escasso tempo, começaram a cavoucar o baú de suas outras bandas antes da Patrulha e garimparam umas músicas de quando Rolando gravou com o Made in Brazil e umas do Aeroblus. O Cokinho resgatou alguns temas de sua ex-banda Neblina, e o Dudu tirou da manga algumas outras composições.
Nesses dias frenéticos, ensaiavam num depósito de móveis na rua Augusta, em que dispunham de um pequeno auditório com uns 30 lugares e um palco onde cabiam os três e algum equipamento. Um assíduo frequentador dos noturnos ensaios era Percy Weiss, ex-vocal do Made in Brazil e que na época estava sendo cortejado para entrar na Casa das Máquinas. Durante aqueles dez dias, o Percy foi a oito ensaios e naturalmente, ia colocando uma voz aqui, dando um palpite ali ou uma harmonia acolá. Quando se deram conta, o cara estava lá em cima do palquinho com a Patrulha e com ele vieram ainda mais um monte de equipamentos e sua entourage particular.
No dia 8 de julho de 1978, a nova “Patrulha” fez sua estreia no Ginásio de Esportes de Sorocaba (SP). Depois disso, ficaram um ano ininterrupto na estrada, até que o equipamento começasse a pifar, de tanto monta e desmonta. A providência foi ir para um sítio no interior paulista, onde durante quase dois meses ensaiaram e compuseram material suficiente para voltar à estrada. Nessa época fizeram sua primeira tour pelo Sul do país.
Nos meses que se seguiram, tentaram uma nova composição que desse um novo impulso à banda. A saída foi a incorporação de Walter Baillot como segunda guitarra. O Waltão exímio e pesado tocador de Les Paul vinha do “Joelho de Porco” e do “Cães e Gatos”, banda formada pela Rita Lee após a separação do Tutti-Frutti. Apesar de todos os esforços, devido a problemas de ego do vocalista Percy, a separação caminhava inexorável para seu desenlace. Antes fizeram uma apresentação com os cinco num dos salões de rock da periferia paulista. A seguir, a última apresentação com o Percy e o Waltão no hoje histórico e lendário concerto do Teatro Pixinguinha, em 16 de abril de 1979. Segundo Rolando: “Fechamos esta fase com broche de ouro, no enorme e totalmente lotado teatro no coração da Paulicéia. Nesse show nos despedíamos do Percy e da Gibson S.G do Dudu, que foi quebrada e imolada aos deuses do rock naquele palco para delírio dos milhares de fãs”.
Mas este episódio serviu para fortalecer ainda mais a Patrulha, que passou a ambicionar o sucesso nacional através de uma turnê por todo o país. Para montar o esquema, pararam de tocar ao vivo por três meses. Nesse tempo iriam gravar um disco, lançar um jornal tabloide de apoio para a tour, reequipar a banda com um novo P.A., além de agendar e articular a promoção da mesma, tudo sem apoio de empresários. E de fato a turnê aconteceu, mesmo com uma série de problemas logísticos e financeiros, com estreia em Curitiba.
Para a gravação do álbum, um papo com o André Christovan os levou ao estúdio de oito canais de um amigo dele, recém-chegado dos Estados Unidos. Na época o estúdio se chamava Imaginasom. Restava o problema da prensagem, capa e distribuição. Apesar de Rolando já ter nas costas dois discos gravados em grandes gravadoras – o primeiro do “Made” (RCA) e o “Aeroblus” (Phillips) na Argentina – a Patrulha não dominava os mecanismos. E foi no peito e na raça que realizaram a gravação de seu álbum de estreia: o primeiro disco independente do Brasil, conhecido como “Disco Preto”, de onde os hits “Arrepiado” e “Vamos Curtir uma Juntos” marcaram o sucesso das oito faixas lançadas em vinil. Devido aos perrengues financeiros, o disco só seria oficialmente lançado no Teatro Ruth Escobar, no dia 29 de setembro de 1980, já sem a presença do baixista Cokinho, trocado por Sérgio Santana.
De 1979 a 1985, a banda consolidou-se como o primeiro trio de hard rock brasileiro, realizando centenas de shows. Durante esse período, gravaram três álbuns e um EP, contendo canções como “Columbia”, “Festa do Rock” e “Não Tenha Medo”. No segundo disco gravaram também duas músicas de um genial roqueiro e compositor de Curitiba, o Ivo Rodrigues, das bandas A Chave e Blindagem. Os temas foram “Vampiros” e “Berro”.
O ano de 1983 começou com a notícia de que o “Van Halen” seria a primeira banda de rock de alto nível e no auge da forma a tocar no Brasil. No dia 20 de janeiro de 1983, na véspera do primeiro show do “Van Halen” em São Paulo, alguém contatou a produção do show para saber se era verdade que a “Patrulha” faria a abertura do show dos semideuses, e a resposta deixou a pessoa estarrecida. A produção confirmava a abertura em São Paulo e procurava desesperadamente contato com a banda. Segundo Rolando: “Assim que avisados, às 17:30hs do dia 20 de janeiro de 1983, cruzamos o lobby do hotel Hilton, com destino a suíte de um tal de Alex Valdez. Entramos Sergio e eu, e vimos sobre a mesa o disco branco da “Patrulha”. O dito Sr.Valdez nos disse que o pessoal do “Van Halen” queria que abríssemos o show deles. Que haviam ouvido e gostado do disco, mas que só poderiam pagar um cache simbólico. Quando ouvimos aquele papo quase desmaiamos. Tocar com a maior banda de hard-rock do mundo, no seu melhor momento, e ainda ganhar um cachê simbólico gringo que ia muito além de qualquer cachê não simbólico brazuca, era um sonho… E assim, nos dias 21, 22 e 23 de janeiro de 1983, tocamos no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo, abrindo o Van Halen no mesmo ginásio em que há seis anos antes fizemos nossa estreia com o Arnaldo Baptista. Fora a consagração pessoal de sermos ovacionados, pelo público e de ter durante os três dias a particular e especial assistência de Eddie Van Halen na mesa do monitor vendo a gig, e sermos procurados pelo mesmo em nosso camarim para nos cumprimentar, nós sabíamos não éramos só nós os vitoriosos. Nós apenas representávamos todos os músicos e bandas que tentavam algo e que ficaram pelo caminho”.
Passada a euforia do evento, era necessário capitalizar aquela chance de ouro. Assim, quinze dias depois da abertura do show do Van Halen, a Patrulha do Espaço fechava uma turnê pelo Brasil, agora com um patrocinador de peso por trás e todas as possibilidades do mundo para uma exposição da banda em âmbito massivo. Porém, no anoitecer daquele mesmo dia, após torrencial chuva, vários tiros em um incidente de rua atingiram Rolando, que foi direto para a UTI. O baterista teve que se retirar de cena, já que os tiros não apenas esfacelaram a sua mão esquerda, mas vários órgãos do corpo. A fatalidade inviabilizou qualquer chance de realização de turnê naquele grande momento da banda. A descrição deste drama é um dos momentos altos do livro.
Depois do incidente, foram seis meses de recuperação, miséria e esquecimento pela mídia. Rolando relata: “Não foi fácil voltar a tocar porque estava com o dedo indicador semidestruído. Tive que me reinventar para tocar devido a poliomielite no braço e mão direita, e agora teria que fazer o mesmo com a mão esquerda. Confesso que a primeira vez que sentei na bateria e senti a dificuldade, chorei. Porque a dificuldade foi grande e pensei que não conseguiria, mas superei esse baque e barreira inicial e todo dia sentava na bateria e tentava tocar um pouco. Primeiro foram cinco minutos por vários dias, depois dez minutos por dia na outra semana e, assim, indo devagar, com paciência e muita fé. Da prática consegui atingir a perfeição. Depois de um bom tempo já dava pra tocar seminormal. Nunca mais pude tocar como antes, mas consegui me virar bem para seguir na estrada e com a banda”.
Rolando volta à Patrulha no dia 9 de junho de 1983, num show no clube Gran em Limeira/SP. Desse show saíram os fundos para gravarem o quarto disco, e desta vez com uma preponderância no repertório composto pelo Sergio Santana e uma maior atuação dele nos vocais. Durante esta fase, a banda contou com a participação do guitarrista argentino Pappo do “Aeroblus”, que resultou na gravação do álbum Patrulha 85, lançado em 1985 no formato 12″ EP, editado inclusive na Argentina, com as canções “Olho Animal” e “Robot”. Apesar das ótimas críticas, sem shows para promovê-lo e, sem banda para cair na estrada, o álbum e o trabalho caíram no ostracismo. Só voltariam a fazer um show novamente depois de três anos. Entre voltas e revoltas, a Patrulha permanece ativa até hoje, mesmo com o fato que Rolando mora em Brasília.
Nesse meio tempo, Rolando mudou para Curitiba, onde desenvolveu um grande trabalho no desenvolvimento das bandas locais. Deixo aqui um testemunho de Luiz Ferreira, guitarrista do Beijo AA Força sobre a influência do baterista na cena local:
“Era um dia frio como muitos outros na Curitiba da década de 1980. O telefone tocou. Era uma voz de mulher… não, não é um conto noir, era a Wilma, esposa do Rolando na época; até então eu não sabia quem era o cara, embora conhecesse a Patrulha do Espaço, banda que já havia tocado por aqui, vi cartazes e conhecia algumas histórias sobre a banda. “Meu marido vai lançar uma coletânea com bandas curitibanas e gostaria de convidar sua banda, “Beijo AA Força”, para participar”, disse ela. Gostei da ideia, mas precisava de detalhes para levar aos outros integrantes, afinal, era um assunto de banda e eu não tinha como fechar sozinho a questão, já que iria envolver esforço conjunto. Ficou acertado que quando o Junior (assim ela o chamava e assim o chamo também até hoje) viesse a Curitiba eu iria a sua casa conversar sobre a coletânea.
“Passaram algumas semanas e ela me ligou marcando um dia, pela manhã, para ir até sua casa na República Argentina. No dia e hora marcada eu estava lá. O cara era um cabeludo parecido com os paulistas do “Made In Brazil”. E era mesmo um deles. Eu adorava o primeiro álbum do “Made”, ouvi muito, era um sucesso entre minha turma de adolescentes… O cara que gravou o álbum que eu adorava vem me convidar para gravar minha banda. Topei na hora, claro, e o cara não tinha nada da carranca de um executivo de gravadora (o nome da gravadora dele era Vinil Urbano – V.U.)
“Bem… A coletânea foi lançada com o nome de “Cemitério de Elefantes”, apesar do nome, foi bem, abriu muitas portas. Fizemos muitos shows, demos muitas entrevistas, fomos a programas de TV. A foto de divulgação juntou todos os músicos de todas as bandas da coletânea (Beijo AA Força, Ídolos de Matinê, Pós Meridion e Tessália) no ponto mais alto da cidade na época, o prédio da TELEPAR. O fotógrafo é um mestre, também ícone do rock local, o grande Orlando Azevedo, ex-baterista da “A Chave”, importante.
“Enfim, a chegada de Rolando Castello Junior a Curitiba chacoalhou a cultura roqueira da cidade. Aquele álbum, eu espero que tenha pago seus custos e tenha até dado um pequeno lucro. Coisas do underground. Hoje é bem difícil achar, virou um álbum cult, feito a duras penas, contra a corrente e a vontade das “majors”, as grandes gravadoras que dominavam o mercado fonográfico na época. Ganhamos algumas cópias e tivemos os custos de gravação bancados pelo Junior em um estúdio de São Paulo, o clássico Quadrophenia.
“O Junior ficou um bom tempo em Curitiba e deixou sua marca em várias canções gravadas, álbuns produzidos, shows realizados e acima de tudo, para mim, muito aprendizado. O cara era uma oficina de ideias inovadoras, um empreendedor do rock and roll, sempre arrancando leite de pedra para pagar as contas com seu trabalho de músico, produtor e agitador da cultura do rock. Certamente, Curitiba ficou um pouco menos sisuda e careta por causa dele.
“Suas baterias são sempre inconfundíveis e seus feitos dentro e fora do palco são dignos de um filme, de uma série, de filmes longa metragens. Tocou punk rock com o “Beijo AA Força” e até mesmo uma bossa nova (!) no álbum de minha banda “Ferryboat”, que ele batizou, ficou uma bossa rock, claro. Aliás, gravamos o álbum em um clima de total imersão rock and roll, um power trio completado pelo baixista Alberto Lins; nos internamos durante 10 dias na casa da praia de minha família, num inverno marcado pelo denso nevoeiro.
“Rolando Castello Junior é um músico que não se acovarda diante de novos desafios. Produtor competente, empreendedor inovador e agora, lendo seu livro, vejo que acima de tudo é um grande guerreiro que sobreviveu a muitas batalhas inclusive pela própria vida, em passagens que eu desconhecia. Leiam e entendam a admiração que ele desperta não só em quem é roqueiro.”
A Patrulha do Espaço retomou os trabalhos em 1992, com o lançamento do álbum “Primus Inter Pares”, uma homenagem póstuma ao baixista Sergio Santana. Após esse álbum, a banda se retirou da cena musical, motivada pela atividade do baterista Rolando Castello Júnior, à frente da produção de eventos culturais e como oficineiro, palestrante e produtor musical. Rolando foi o pioneiro em inúmeras atividades dentro da cena rock brasileira, seja ela da indústria de instrumentos musicais, da bateria, produção musical e didática. Dentre essas, destaca-se seu trabalho que implementou no Brasil o conceito das Workshop Tours, tendo realizado inúmeras turnês para prestigiadas marcas internacionais e nacionais.
Dono de uma técnica insuperável no instrumento, Rolando tem uma forma de tocar que é inconfundível e única, frutos de uma genialidade nata aliada a fatores de superação física. Para o crítico musical, e ex-baterista, Regis Tadeu, “Rolando é um dos poucos bateristas a criar um estilo identificável a quilômetros de distância. Basta ouvir uma de suas potentes levadas com uma virada de tambores para saber que é ele quem está tocando. Sua maneira desconcertante de tocar é acentuada pelo fato de ter sua mão direita atrofiada por conta de uma poliomielite contraída na infância, que não o impediu de ter uma das pegadas mais pesadas que você jamais irá ouvir em um baterista de qualquer canto do planeta.”
Em entrevista ao jornalista André Molina, na época da pandemia, Rolando foi perguntado: “Quando esteve em Curitiba produziu a coletânea “Cemitério de Elefantes” no fim da década de 80, que revelou importantes bandas paranaenses. Como foi a gravação deste álbum?”
Rolando: “Sim. Foi muito bom produzir e participar desse disco. A cena em Curitiba era riquíssima, mas desconhecida. Poder dar uma movimentada nisso foi demais e muito gratificante, mas minha dedicação e interação com a cidade foi muito maior do que com o disco “Cemitério de Elefantes”. Por aí produzi um disco da Relespublica, que são uns gênios esses caras; posso dizer que dei uma boa força ao Blues, levando o André Christovam para tocar várias vezes em Curitiba. Também levei e trabalhei com o Terço e Golpe de Estado, na capital e interior do Paraná. Produzi três históricos eventos chamados Encontros de Bateristas em Curitiba, enfim, tenho uma ligação muito forte com Curitiba e o Paraná, até os dias de hoje, estou sempre produzindo, tocando e gravando por aí. Adoro Curitiba. Tenho muitos bons amigos por aí e músicos admirados. E tudo isso começou lá por 1978, com nossa amizade com o grande Ivo Rodrigues e o não menos grande, Carlão Gaertner, da saudosa banda Chave.”
E, finalmente, chegamos ao fim da resenha da saga do invulnerável patrulheiro do rock. Compre o livro que ele merece.
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