A política tem dessas ironias que só se explicam depois que a poeira baixa. Durante meses, nos cafés, nos gabinetes e nas rodas de analistas de plantão, o jogo sucessório no Paraná parecia ter apenas três cartas sobre a mesa. Falava-se em Guto Silva, em Alexandre Curi e em Rafael Greca.
Pois eis que, quando o governador Ratinho Junior resolveu mostrar a mão, a carta que apareceu foi outra: Sandro Alex.
Num primeiro momento, a escolha soou estranha. Sandro Alex não frequentava as bolsas de apostas que, nos últimos meses, tentavam antecipar os movimentos do Palácio Iguaçu. A política paranaense tem essa mania de tratar prognóstico como ciência exata e, como se vê, costuma errar com convicção.
Mas política não se faz com emoção. Faz-se com pragmatismo, objetividade e pesquisas. E foram justamente as pesquisas que pesaram a favor de Sandro Alex.
Engana-se quem imagina que a decisão saiu de repente, como uma ideia soprada no ouvido do governador durante o café da manhã. A escolha foi técnica. Nas várias pesquisas qualitativas que pousaram na mesa do governo, o nome do então secretário de Infraestrutura começou a crescer de forma consistente.
E por quê?
Simples, dizem fontes ouvidas pelo HOJEPR. A associação entre obra concreta e percepção pública funcionou. E a imprensa, sem nem notar, teve um papel importante nesse processo ao noticiar de forma intensa, por exemplo, o avanço das obras da Ponte de Guaratuba.
Nas qualitativas feitas pelo governo, muitos eleitores passaram a identificar Sandro Alex como o homem que tirou do papel aquela que é provavelmente a principal demanda histórica do litoral paranaense. Com a inauguração prevista para os próximos dias, a ponte virou símbolo político, e símbolo pesa.
Outras obras relevantes também acabaram sendo associadas ao ex-secretário. Dessa forma. Sandro Alex começou a aparecer nas pesquisas. Mais que isso, começou a ultrapassar nomes que vinham sendo tratados como favoritos naturais na corrida eleitoral, entre eles Guto Silva.
A escolha de Ratinho Junior, portanto, seguiu o critério claro de desempenho junto ao eleitorado.
Isso não quer dizer, evidentemente, que todos ficaram felizes.
Nas bandas dos que defendiam uma candidatura de Guto Silva, a gritaria tem sido de fazer inveja a arquibancada em final de campeonato. Há quem trate a decisão como se fosse uma traição histórica, quase uma ruptura institucional. Calma, amigos. Política não é campeonato de torcida organizada, embora alguns insistam em jogar como se fosse.
Enquanto alguns ainda recolhem os cacos emocionais da decisão, o tabuleiro começa a se reorganizar.
Alexandre Curi teve sua candidatura ao Senado confirmada pelo governador Ratinho Junior. A missão foi aceita mas, dizem as mesmas fontes, com uma exigência. Curi quer ser o candidato único do grupo, apesar de a eleição prever duas vagas em disputa.
Se a estratégia prosperar, abre-se um espaço importante na composição da chapa majoritária.
Nesse cenário, o nome de Cristina Graeml aparece como possibilidade para vice de Sandro Alex. Caso não queira, sobra a ela uma candidatura a deputada federal. A decisão, segundo as fontes ouvidas pelo HOJEPR, está em suas mãos.
Já Rafael Greca mantém sua candidatura ao governo pelo MDB. Consultado pelo HOJEPR, confirmou que segue no páreo. Resta saber se terá legenda.
O capo do MDB no Paraná, Ademir Adur, é homem de confiança de Ratinho Junior. Foi coordenador de suas campanhas e hoje ocupa cargo relevante na Casa Civil.
Em política, lealdade costuma pesar mais que estatuto partidário. Se a candidatura de Greca for considerada inconveniente para o Palácio Iguaçu, é bem possível que Adur encontre algum argumento regimental, estratégico ou simplesmente meteorológico para detoná-la antes mesmo da largada.
Porque, no fim das contas, eleição começa muito antes da urna. E no Paraná, ela já começou.
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