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‘The Morning Show’, com Aniston e Witherspoon, se debruça sobre o poder em novo ano; leia entrevista

17/09/2025

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The Morning Show, série do Apple TV+ estrelada por Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, criou o hábito de levar ao streaming temas quentes da atualidade, como o #MeToo, a pandemia de Covid-19 e a decisão que derrubou o direito ao aborto legal nos Estados Unidos. A quarta temporada, que estreia nesta quarta-feira (17), segue a mesma tradição, embora com menos intensidade que suas predecessoras.

Desta vez, a série se passa no primeiro semestre de 2024, no período que antecede as Olimpíadas de Paris – evento importante para a UBN, emissora que se formou após a fusão da UBA, onde as protagonistas trabalhavam, com a rival NBN. “Sabíamos que não conseguiríamos contar uma história sobre as eleições [americanas de 2024], por conta do nosso cronograma”, explica ao Estadão a showrunner Charlotte Stoudt. “Não podíamos brincar com esse mundo, e era mais importante focar em como a terceira temporada terminou, na promessa dessa fusão, então demos um passo para trás nesses grandes eventos mundiais”.

Não significa que temas do momento não estejam na temporada – IA, deepfakes e a ascensão dos podcasts são partes importantes das histórias dos novos episódios. “A série está sempre pensando à frente, e é divertido ser parte de uma série em que você pode falar sobre as coisas que as pessoas estão discutindo na mesa de jantar”, nota Reese, que também é produtora executiva da atração. Jennifer Aniston, que ocupa o mesmo cargo nos bastidores da série, completa: “É muito empolgante porque você espera para ver o que nossos roteiristas viram na bola de cristal. E muitas coisas acontecem mesmo.”

E em tempos em que o noticiário consegue ser até mais estranho que a ficção, há acontecimentos reais que a série não se arrisca a usar. “Houve alguns casos em que pensamos ‘não podemos colocar isso porque vai parecer ridículo’. É a realidade rindo na nossa cara”, nota Charlotte.

‘Corrupção não depende de gênero’

Mas o que The Morning Show quer explorar mesmo nos novos episódios é a ascensão das mulheres ao poder na UBN. Stella (a ótima Greta Lee) agora é CEO, Alex Levy (Aniston) se tornou vice-presidente de talentos, e há ainda a presença de Celine, a nova presidente do conselho da emissora, interpretada por Marion Cotillard. “Acompanhamos a dinâmica que acontece entre essas mulheres que estão no poder; é algo que você não vê muito, porque não acontece muito”, diz Reese.

A realidade da gestão, porém, se prova desafiadora para as personagens. “Ela [Alex] chega a essa posição de ter um grande poder, mas percebe como é uma experiência feroz”, diz Jennifer. “Cuidado com o que você deseja, porque a corrupção não depende de gênero”, completa. Segundo Charlotte, há ainda a questão de essa posição de poder ter ainda mais complexidades do que Alex contava: “Quando você chega lá, você é uma pessoa falha; você não toma todas as decisões corretas; seu aliado pode ter uma necessidade que é um segredo para você. Você chega à mesa, mas vê que ela é muito mais complicada do que parecia”.

Em paralelo a isso, Alex ainda tem de lidar com a presença de seu pai, interpretado por Jeremy Irons, outro recém-chegado à série. “Podemos entender um pouco porque a Alex é como é. Por que ela é meio solitária? Por que os relacionamentos dela não dão certo? Por que ela é tão workaholic? Foi legal ver um pouco do que está por trás disso”, diz Aniston, que rasgou elogios para Irons: “Eu estava muito nervosa para conhecê-lo, mas ele foi adorável – ele é muito divertido, sempre perguntava como ficou a cena, se ficou boa. Ele é divino”.

Jeremy Irons é uma das novas adições ao elenco de ‘The Morning Show’ Foto: Apple TV+/Divulgação

Bradley e o jornalismo

Por sua vez, Bradley, personagem de Reese Witherspoon, também está às voltas com seus próprios problemas, após ter deixado seu cargo na emissora e se entregue ao FBI por deletar filmagens da invasão ao Capitólio para acobertar seu irmão, Hal. “É a primeira vez que nós a vemos um pouco mais receosa e quieta, o que foi divertido de fazer. Ela está vulnerável”, acrescenta a atriz, dizendo que uma das tramas da personagem deixará o público surpresa: “Acho que as pessoas ficarão chocadas”.

Não é spoiler dizer que Bradley retornará ao jornalismo – que continua sendo um tema central na série, com as implicações éticas e as transformações intensas do mercado de trabalho da área sendo debatidas ao longo dos novos episódios, que começam com um chacoalhão nos bastidores da emissora e uma entrevista que periga se transformar em um incidente internacional.

“O jornalismo está mudando a todo minuto. Em quem confiar? O que é a verdade? Por que podcasters são tão importantes agora? Deveríamos acreditar neles ou na NPR?”, diz Reese, fazendo referência à rede de rádio pública norte-americana que recentemente teve seu financiamento federal cortado. “Acho que estamos vendo a evolução do jornalismo moderno se desenrolar neste formato divertido e novelesco, e aprendemos muito sobre o que acontece por trás das câmeras também”.

Alex, Bradley e a parceria Jennifer-Reese

Em meio a uma temporada de ritmo acelerado, Alex e Bradley voltam a se encontrar – mas de forma, a princípio, mais tensa. “Bradley é imprevisível. Mas nós sempre voltamos. Eu acho que elas realmente se amam. É uma história de amor entre amigas; [a amizade delas] é como um elástico que é esticado e depois volta”.

Segundo Charlotte, o relacionamento entre as protagonistas é complicado, mas a amizade delas “vai suportar qualquer coisa”. “Bradley sempre diz ‘sim, mas’ para Alex. É maravilhoso ter um amigo assim em sua vida, mas também é muito frustrante”, diz a showrunner. “As duas querem chegar na verdade, mas como elas chegam lá é um pouco diferente”.

A diretora Mimi Leder, responsável por quatro dos dez episódios da nova temporada, diz que as cenas com as duas são sempre divertidas de se filmar. “Nós sempre ficamos muito empolgados, e elas também, porque elas se divertem muito passando a bola uma para a outra. Elas amam”.

Jennifer descreve a parceria com Reese, em frente e por trás das câmeras, como uma “linda colaboração”. “Há áreas em que eu não sou tão boa, mas a Reese é”, pontua. Reese, por sua vez, nota que foram os esforços conjuntos das duas que viabilizaram a série, lá atrás. “Temos muita sorte de termos nos conhecido e de termos conseguido ligar uma para a outra e falar ‘você quer fazer isso? Por que eu não vou fazer sem você’. O poder de trabalharmos juntas é o que fez tudo isso acontecer”.

Os novos episódios de The Morning Show são divulgados semanalmente, às quartas-feiras, no Apple TV+. A série já está renovada para uma 5ª temporada.

Foto: Apple TV+/Divulgação

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