ANO IV

23/06/2026

HojePR

lucas

Uma radiografia do mercado de trabalho paranaense

06/05/2026
trabalho

Na última sexta-feira comemoramos o Dia do Trabalho.

Com isso, realizei um levantamento com base em dados do Caged e Censo Demográfico para traça um panorama abrangente do mercado formal paranaense e confirma a relevância do estado na geração de empregos no país. Em 2025, o Paraná encerrou o ano com mais de 3,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a 6,81% dos vínculos formais do Brasil, que somou 48,4 milhões de postos de trabalho.

Nos dois primeiros meses de 2026, o estoque de empregos formais no estado avançou para 3,3 milhões, mantendo trajetória positiva. Ainda assim, o estudo aponta uma mudança importante na dinâmica do mercado de trabalho: embora o saldo entre admissões e desligamentos permaneça positivo, o ritmo de criação de novas vagas perdeu intensidade tanto no Paraná quanto no Brasil. O movimento decorre do fato de que, apesar do crescimento nas admissões, o volume de desligamentos passou a avançar em ritmo superior.

No contexto da participação por gênero no mercado de trabalho, em 2025, 55,1% das contratações realizadas no Paraná foram ocupadas por homens, resultado alinhado à composição ainda majoritariamente masculina da população economicamente ativa, o que influencia diretamente a participação nos fluxos de admissão.

O setor de serviços permanece como principal empregador paranaense, com estoque de 1.436.803 trabalhadores formais em 2025. Na sequência aparecem a indústria geral, com 803.378 vínculos, e o comércio, com 763.474 empregos. A construção civil contabilizou 173.325 trabalhadores, enquanto a agricultura respondeu por 120.132 postos formais.

O mercado de trabalho no Paraná manteve a continuidade na geração de empregos em 2025 e nestes primeiros meses de 2026, porém com alterações relevantes em sua dinâmica. O crescimento segue sustentado principalmente pelos setores de serviços e pela administração pública, enquanto indústria, comércio e construção demonstram perda de fôlego, com desaceleração em relação ao ano anterior. Isso indica um ambiente mais cauteloso, com menor intensidade nas contratações e maior dependência de atividades essenciais para sustentar o nível de emprego.

Os dados do Censo de 2022 reforçam a qualidade relativa do mercado de trabalho paranaense. No estado, 82,3% dos trabalhadores possuem carteira assinada, índice superior à média nacional, de 75,3%.

Dentro do setor comercial, o varejo segue como principal gerador de empregos, com 502.593 vínculos formais, seguido pelo comércio atacadista, com 167.772, e pelo segmento de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com 93.109 postos.

Apesar de manter saldo positivo de 14.509 novas vagas em 2025, o comércio paranaense registrou desaceleração expressiva de 35,1% na geração de empregos em relação ao ano anterior. O varejo, embora tenha criado 9.429 postos, apresentou forte retração no ritmo de expansão. O comércio atacadista também desacelerou, com 3.445 vagas, enquanto o segmento automotivo apresentou retração ainda mais intensa.

A maior geração de empregos está concentrada em funções operacionais, atendimento e vendas. O grupo de trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio em lojas e mercados liderou a criação de postos, com saldo de 37.328 vagas. Em seguida aparecem os trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, com 24.136 novos postos.

Ao mesmo tempo, esses setores também apresentam maior rotatividade. Comércio e serviços registram tempo médio de permanência de 13,5 meses, seguidos pela indústria, com 13,7 meses, e pelos serviços administrativos, com 15,7 meses.

O retrato do mercado de trabalho paranaense revela um estado que segue ampliando seu estoque de empregos formais e preserva posição de destaque nacional, mas em um ambiente mais seletivo e menos acelerado. O avanço continua, sobretudo nos serviços, enquanto segmentos mais sensíveis ao consumo e ao crédito demonstram desaceleração. A tendência é de continuidade na geração de empregos, porém em ritmo moderado, exigindo maior atenção à produtividade, qualificação e capacidade de adaptação das empresas e trabalhadores.

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