ANO IV

13/07/2026

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Valdemar, Cunha e a República dos sem-mandato

13/07/2026
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O que Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha têm em comum?

Muita coisa.

Os dois já foram presos. Portanto, sem maldade e sem adjetivação, são ex-presidiários. Os dois também estão sem mandato. Não são deputados, não são senadores, não foram escolhidos pelo povo para decidir o destino de um centavo do orçamento.

Mas, segundo o ministro Flávio Dino, ambos aparecem ligados ao direcionamento de emendas milionárias.

Que beleza de país.

No Brasil, o eleitor escolhe o deputado, o deputado ganha a caneta e, aparentemente, alguém sem mandato ajuda a decidir onde o dinheiro será gasto. É a democracia terceirizada. O povo vota, o Congresso posa para a foto e as eminências pardas cuidam do caixa.

A pergunta é simples: quem manda nesta desgraça?

Valdemar Costa Neto preside o PL. Não ocupa cargo eletivo, mas exerce influência suficiente para ser tratado como uma espécie de deputado-geral da República. E não custa lembrar, ele é o presidente do partido de Sergio Moro, amigo de todas as horas e novo companheiro de trincheira do ex-juiz que construiu a carreira política falando em combate à corrupção.

A política brasileira tem dessas delicadezas. Ontem, inimigos. Hoje, aliados. Amanhã, dependendo da pesquisa, irmãos desde criancinhas.

Eduardo Cunha também não tem mandato, mas continua circulando nos bastidores como se nunca tivesse deixado a Câmara. É uma eminência parda com crachá imaginário. Não senta no plenário, mas conhece todos os corredores, todas as portas e, principalmente, todas as gavetas.

E quer voltar.

Cunha pretende disputar uma cadeira de deputado federal nas eleições deste ano. Talvez considere que deixou algum serviço inacabado. Antes mesmo da campanha, já reaparece no noticiário ligado, segundo Dino, à movimentação de emendas. É o candidato que faz aquecimento com o orçamento público.

Claro que os dois têm direito de defesa. Isso é básico numa democracia. Mas o problema vai além deles.

Quando pessoas sem mandato conseguem influenciar a destinação de milhões, a política deixa de ser representação popular e vira clube privado. O eleitor entra com o voto. O contribuinte entra com o dinheiro. E certos personagens entram pela porta dos fundos.

Depois perguntam por que a política está desacreditada.

Talvez porque tenha virado sinônimo de enriquecimento, negociata, privilégio e safadeza. Talvez porque o cidadão trabalhe, pague impostos e descubra que quem decide o destino de milhões de reais do dinheiro público nem sequer foi eleito. Talvez porque alguns políticos percam o mandato, mas nunca percam o poder.

Emenda parlamentar não é patrimônio de partido, não é mesada de cacique e não é combustível eleitoral. É dinheiro público. Precisa ter autor, justificativa, transparência e responsabilidade.

O Brasil precisa dar um basta nisso.

Não importa se o operador está à direita, à esquerda ou no centro. O dinheiro continua saindo do mesmo bolso: o nosso.

Valdemar e Cunha têm muito em comum. Já foram presos, estão sem mandato e continuam orbitando o poder como se a vontade popular fosse apenas um detalhe burocrático.

No Brasil, o mandato acaba.

A influência, pelo visto, ganha prorrogação.

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