ANO IV

23/06/2026

HojePR

mauro mueller

Vampiro

05/05/2026
vampiro

Eram três horas da manhã e eu ainda estava acordado, escrevendo de forma compulsiva. Três noites assim, sem querer parar de escrever. Nem lembro se gostei ou não do que escrevia. Só escrevia e nem me dava conta do que seria. Eu escrevia e não olhava tempo, relógio, compromissos, nada.

Estava plenamente submisso ao papel e escravo de uma caneta.

Foi o dia em que pensei em ser vampiro. Aqueles textos onde ele dizia que “Curitiba é boa se você é um sapo coaxante na chuva… a pedra solta na rua, o galho seco na árvore, a pena do pardal soprada ao vento”. Onde a viúva comemora a morte, no consolo de alguém que ele não identifica no texto, mas que eu autorizei imaginar um primo distante, vindo de Paranavaí.

Fui correndo saber o significado da palavra “bagana”, quem era Zé Pelintra, tive um pouco de raiva, porque ele não tinha pudores para escrever, mas gostava de me deixar até tarde, ou lendo seus contos, ou escrevendo compulsivamente, inspirado por um quase diálogo, aquele quando estraguei a grande oportunidade que nem sei se teria, mesmo se fizesse tudo o que seria o certo a fazer. Quem saberá agora?

É que, quando tudo me cansa o meu desejo ainda hoje, é que Dalton me morda.

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