O presidente da CBF, Samir Xaud, proibiu o uniforme vermelho para os goleiros do selecionado brasileiro. É uma estratégia diversionista. A alegação é a de que a peça não consta no ‘enxoval’. A verdade é que Xaud precisava arranjar um jeito de fazer a opinião pública esquecer que ele anda por aí rosetando em restaurantes e hotéis com acompanhantes sorridentes.
A CBF é uma entidade de direito privado, pero no mucho. Se fosse privada, teria dono. Não tem. Os dirigentes vão e vêm, e a confederação de esporte fica. Em tempos de Obdúlio Vargas e Emídio Garrastazu — então CBD, o que dá no mesmo —, era subordinada ao Conselho Nacional de Desportos (CND). Agora, tem ligações estreitas com o Ministério do Esporte ou pasta similar. Ligações extraoficiais.
Não fosse isso, e o estádio do Corinthians, a R$ 300 milhões, não teria sido erguido. Não fosse isso, e a metade da Arena do Athletico, cuja pendura é equivalente, jamais teria saído do papel. Não fosse isso, e a pista de atletismo digna de primeiro mundo, construída no entorno do campo do Pinheirão em 1996, nunca teria sido presenteada à Federação Paranaense de Futebol ao custo de US$ 1 milhão — US$ 2,18 milhões nos valores de hoje. Obra do ex-governador Jaime Lerner, que alegou interesse público na coisa privada. É o velho realejo.
Patriotada
Goleiros da seleção já usaram vermelho em outras Copas. Xaud diz que não se trata de questão partidária; que o vermelho não compõe a paleta tradicional de cores da pátria. Ora, do mesmo modo o preto, o rosa, o laranja, o marrom, o roxo vexaminoso e o cinza fugidio. Alisson jogou de rosa-choque dos pés à cabeça na partida contra o Haiti e isso não parece ter ferido os brios nacionalistas de Xaud. Bem dizia o Dr. Samuel Johnson: ‘o patriotismo é o último refúgio dos canalhas’.
Que o diga o Movimento Verde Amarelo, a torcida organizada do Brasil paga pela CBF e por patrocinadores para ‘dar suporte à seleção’. É uma canalhice das grandes. Elevada ao cubo porque organizadas de diferentes escudos abraçaram a causa com bastante empolgação. Desde que Neymar foi convocado no Museu do Amanhã com aqueles ares de ontem.
Que se dê nome aos boys. A caravana que foi à Copa com tudo pago — o Brasil é essa Coca-Cola toda — é composta em grande parte por organizadas do Corinthians: Gaviões da Fiel, Camisa 12, Estopim da Fiel e Fiel Macabra (que, confesso, nunca ouvi falar).
Até tu, Fúria?
Mas o trem da alegria não fica nisso. Lá estão a Galoucura (Atlético-MG), Máfia Azul (Cruzeiro), Bamor (Bahia), Cearamor e Ceará Chop (Ceará), além das indefectíveis Os Fanáticos (Athletico-PR) e Império Alviverde (Coritiba). Faltou a Fúria Independente, do Paraná Clube? Sim, ela vai torcer em home office.
O jogo nesta quarta-feira (24) é contra a Escócia e tudo o que se espera é que a seleção não nos deixe vermelhos de vergonha. Só a notícia de que Neymar estará no banco de reservas é suficiente para nos queimar a cútis. Que não será um jogo fácil, é evidente. A nosso favor, o fato de a Escócia possuir a infame marca de nunca ter passado da fase de grupos da Copa do Mundo. O time é um azarão contumaz.
Mas há que se lembrar que os escoceses venceram o Haiti e, se repetirem a façanha contra a seleção brasileira, podem ostentar o primeiro lugar no grupo. Força, sofrimento e coragem é tudo o que a ébria torcida escocesa precisa. Some-se a isso a cor que esses sentimentos representam: o vermelho. Será premonição?
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