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Uma máquina foi “engolida” pela areia durante as obras de alargamento da Praia Pontal do Norte, em Itapoá (SC). Vídeos do momento foram feitos por moradores que acompanhavam o início das obras, na segunda-feira, 20, e mostram a máquina apenas com a parte superior para fora da areia. Ninguém ficou ferido.
Segundo a Jan De Nul, empresa belga responsável pela obra, o maquinário foi desatolado em menos de uma hora e o incidente não gerou atrasos na dragagem, que transcorre normalmente. A empresa também afirmou que a Praia Pontal está interditada para banhistas até que as intervenções terminem.
Segundo o Secretário de Meio Ambiente de Itapoá, Rafael Brito Silveira, o objetivo é alargar o canal de acesso aos portos da região, permitindo a entrada de navios maiores e aumentando a competitividade logística do estado.
Engordamento
Atualmente, o canal possui 14 metros de profundidade, mas passará a ter 16,5 metros. Em largura, os trechos retilíneos serão ampliados de 160 para 260 metros, e as curvas, de 244 para 280 metros. Essa expansão vai facilitar as manobras das embarcações e reduzir riscos operacionais. A obra é considerada inovadora por ser a primeira do país que utilizará os sedimentos de uma dragagem portuária para o alargamento de praias.
Além da Praia Pontal, também devem passar pelo processo de alargamento as praias Figueira do Pontal e Princesa do Mar, que compõem parte da Baía da Babitonga. Os estudos estimam que cerca de 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos serão dragados. Desse total, aproximadamente 6,4 milhões de metros cúbicos serão usados na alimentação artificial das praias de Itapoá, processo conhecido como engordamento, que ajuda a conter a erosão costeira e amplia a faixa de areia.
A quantidade de material depositado na orla será três vezes maior do que a utilizada na obra de alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, que movimentou cerca de 2,15 milhões de metros cúbicos de areia.
O investimento total previsto para as obras é de cerca de R$ 336 milhões, somando as licitações conduzidas pela SCPar. O primeiro edital, de execução, foi aberto em R$ 324 milhões, enquanto o segundo, que trata da fiscalização e acompanhamento técnico, em R$ 11,9 milhões.
A obra teve um Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Devido aos impactos ambientais e sociais do alargamento, dezenas de programas de monitoramento e mitigação deverão ser realizados. Entre eles estão o controle da qualidade da água, do ruído, dos sedimentos e da fauna aquática, além de planos de comunicação social e acompanhamento das comunidades locais.



