ANO IV

25/06/2026

HojePR

"NÓS NÃO SEREMOS INGRATOS COM O GOVERNADOR", DISSE O PRESIDENTE DA AMP, MARCEL MICHELETTO

Prefeitos e vice-prefeitos deixam o PL do Paraná após filiação de Moro

26/03/2026
prefeitos do PL

Prefeitos e vice-prefeitos do Partido Liberal (PL) no Paraná anunciaram, na manhã desta quinta-feira (26), em Curitiba, a saída coletiva da legenda, em reação à filiação do senador Sergio Moro e à definição de seu nome como pré-candidato ao governo do estado. Ao todo são pelo menos 133 lideranças – 53 prefeitos e 80 vice-prefeitos – que devem deixar o partido, todos alegando falta de diálogo na condução da decisão de receber Moro e divergência em relação ao novo direcionamento político do partido no estado.

O movimento foi formalizado durante reunião que reuniu prefeitos e consolidou um processo de insatisfação que vinha sendo construído nos últimos dias. Durante o encontro, o prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Micheletto, sintetizou o posicionamento do grupo. “Ninguém aqui vai soltar da mão do maior governador da história do Paraná”, disse ele reforçando o apoio do grupo ao governador Ratinho Junior. “De 399 municípios, mais de 390 vão estar ao lado do governador e não vão soltar a mão dele”, completou.

Micheletto foi duro com os deputados do PL. “Até esses dias atrás, os nossos parlamentares do PL, que foi o primeiro partido que se alinhou ao governador, diziam que o governador era o melhor do Brasil. E agora, de última hora, vem de cima pra baixo, dizer que não estamos mais com ele. Nós não seremos ingratos”, disse o prefeito. “Não fomos chamados para discutir, não fomos ouvidos e não participamos dessa decisão. Isso não é a forma como sempre construímos o partido no Paraná”, completou.

O presidente da AMP destacou que a decisão dos prefeitos foi tomada de forma conjunta e não representa um gesto isolado. “Aqui não existe atitude individual. Existe uma construção coletiva. Nós estamos saindo juntos porque acreditamos em um projeto que respeite os municípios e as lideranças locais”, disse.

Ao abordar diretamente a mudança no comando e na condução política do partido, o prefeito foi enfático: “O partido tomou um rumo sem ouvir quem está na ponta, quem enfrenta a realidade todos os dias. Não é possível conduzir uma estrutura partidária ignorando os prefeitos”, reforçou Micheletto.

“Nós temos responsabilidade com a nossa população e com a forma como fazemos política. Não podemos simplesmente aceitar uma decisão que não foi construída com a base”, declarou ele. E completou: “Não é uma saída por conveniência. É uma saída por convicção”.

A crise também atingiu a estrutura estadual da sigla. O deputado federal Fernando Giacobo deixou a presidência do PL no Paraná e anunciou sua desfiliação, acompanhando o movimento dos prefeitos. Giacobo criticou a condução interna do partido e a ausência de diálogo com as lideranças estaduais. “O que aconteceu no Paraná foi uma decisão tomada sem ouvir quem construiu o partido ao longo dos anos. Não houve respeito com a base”, afirmou.

O parlamentar também apontou mudança no perfil político da legenda após a filiação de Moro. “O partido deixou de ser aquele que conhecíamos no estado. Houve uma mudança de rumo, de comando e de forma de fazer política, e isso não foi debatido com as lideranças”, disse.

Em outra declaração, reforçou o alinhamento com os prefeitos que deixaram a sigla. “Eu não poderia permanecer em um partido que não dialoga com seus próprios quadros. O que vimos foi uma ruptura com a forma de construção política que sempre defendemos”, afirmou.

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