A poucos dias do fim da janela partidária, quando termina o prazo para mudanças de partido, as especulações em torno da sucessão estadual no Paraná não param de crescer. Nos bastidores, todo dia aparece um fato novo, uma candidatura nova, um cenário novo e uma chapa diferente dentro do grupo político do governador Ratinho Junior.
Se de um lado o eleitor já convive com as candidaturas do senador Sergio Moro (PL) e do deputado estadual Requião Filho (PDT), de outro ainda aguarda a definição da chapa que irá enfrentá-los com o apoio do governador.
Enquanto essa decisão não aparece, o ambiente político segue dominado por hipóteses. Algumas são consideradas mirabolantes, dignas de hospício, enquanto outras são vistas como cenários que, ao menos em tese, poderiam se tornar realidade.
Nesta segunda-feira (30), por exemplo, um cenário curioso passou a circular com desenvoltura entre lideranças políticas e assessores. Segundo relatos de bastidores, o governador Ratinho Junior teria conversado no domingo com a jornalista Cristina Graeml, que disputou a prefeitura de Curitiba na última eleição e ainda está filiada ao União Brasil.
O encontro foi suficiente para disparar uma nova rodada de especulações. Algumas fontes afirmam que dessa conversa teria surgido a possibilidade de uma chapa encabeçada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Nesse desenho, Cristina Graeml apareceria como candidata a vice-governadora, enquanto o secretário estadual Guto Silva disputaria uma vaga ao Senado.
Uma composição desse tipo indicaria uma mudança relevante no eixo de alianças do grupo governista. O MDB do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ficaria fora da principal articulação política do governo e em seu lugar entraria o União Brasil. O partido também estaria fora do governo do Estado, perdendo cargos e posições que poderiam ser mantidas até o fim do ano.
Isso, no entanto, não significaria necessariamente a retirada de Greca da disputa eleitoral. Fontes próximas ao ex-prefeito garantem que ele pretende disputar a eleição de qualquer maneira, mesmo que seja com uma chapa própria. Nesse cenário, ele poderia concorrer ao governo tendo como candidato ao Senado o ex-governador Alvaro Dias. Complicado seria escolher dentro do partido um nome para a vice.
Essa hipótese também sepultaria aquilo que muitos aliados do governador vinham tratando como a chapa ideal. Alexandre Curi como candidato ao governo tendo Rafael Greca como vice. O próprio Greca demonstrava simpatia por essa composição, mas nos últimos dias algo azedou a maionese nas conversas políticas e agora o ex-prefeito não aceita mais a posição de vice, insistindo em disputar a eleição como cabeça de chapa.
Há ainda um terceiro cenário que continua sendo discutido nos bastidores: uma candidatura de Guto Silva ao governo. Entre as possibilidades colocadas até agora, esta é considerada a que mais tensiona o grupo político que garantiu duas vitórias eleitorais consecutivas a Ratinho Junior.
Além de ser a candidatura que aparece com desempenho mais modesto nas pesquisas eleitorais, ela também abriria um problema interno imediato. Isso porque levaria Alexandre Curi a buscar outro caminho partidário. O presidente da Assembleia não pretende disputar nenhum cargo que não seja o de governador e encontra no Republicanos portas abertas para essa possibilidade.
Caso esse movimento ocorra, o vice passaria a ser um detalhe dentro da equação eleitoral. Curi conta hoje com o apoio de um grande número de prefeitos dispostos a embarcar em sua candidatura, o que poderia alterar significativamente o equilíbrio político da disputa.
Nesse cenário, com as candidaturas de Sergio Moro, Requião Filho, Rafael Greca, Alexandre Curi e um candidato do Palácio Iguaçu, a eleição caminharia para um inevitável segundo turno.
As especulações, ou sandices, não param por aí. Também chegou a circular nos bastidores a hipótese de o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ser o candidato ao Palácio Iguaçu. Fontes garantem que a pressão ainda existe, mas esse cenário perdeu força por uma série de razões políticas e operacionais.
Dentro do próprio grupo governista há forte resistência à ideia de deixar a capital nas mãos do vice-prefeito Paulo Martins, sobretudo após sua mudança para o partido Novo.
Outro ponto sensível seria a composição da vice. O ex-prefeito Rafael Greca dificilmente aceitaria ocupar a posição de vice em uma chapa encabeçada por Eduardo. Sugerir a jornalista Cristina Graeml para essa função também seria visto como uma afronta à coerência política do prefeito, depois das várias indelicadezas públicas cometidas por Cristina durante a última campanha municipal.
Restaria, então, o nome do secretário Guto Silva, que, segundo interlocutores do próprio grupo, não agregaria densidade eleitoral suficiente à chapa. Além disso, essa equação ainda exigiria convencer Curi, a disputar o Senado, algo que o deputado já deixou claro, em mais de uma ocasião, que não pretende fazer.
Diante de tantas especulações, o fato concreto é que o tabuleiro sucessório do Paraná permanece aberto. Entre conversas reservadas, articulações silenciosas e hipóteses que surgem e desaparecem com velocidade, a única certeza é que a chapa apoiada pelo governador Ratinho Junior ainda não está definida e que até o último momento novos cenários podem aparecer.



