O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, apontou nesta terça-feira (26) a existência de um suposto esquema de rachadinha no gabinete do vereador Lórens Nogueira, em Curitiba. Segundo os promotores responsáveis pelo caso, o esquema teria movimentado cerca de R$ 118 mil por mês por meio da devolução irregular de salários de assessores parlamentares.
A investigação motivou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, incluindo o gabinete na Câmara Municipal de Curitiba, imóveis residenciais e locais vinculados ao instituto mantido pelo vereador. Durante a operação, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, documentos, celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos considerados relevantes para o avanço das investigações.

Em coletiva de imprensa concedida na tarde desta terça-feira (26), os promotores Nicole Pilagallo e Fernando Cubas detalharam os indícios levantados até o momento. Segundo o Ministério Público, a suspeita é de que servidores comissionados fossem coagidos a devolver parte dos salários recebidos mensalmente, prática que caracterizaria o crime conhecido como “rachadinha”.
De acordo com os promotores, os repasses teriam ocorrido de forma sistemática e organizada. O Ministério Público afirma que os valores eram entregues diretamente ao vereador ou a pessoas ligadas ao núcleo investigado. Ainda conforme a investigação, alguns assessores também seriam obrigados a trabalhar em um instituto mantido pelo parlamentar, mesmo recebendo salários pagos com recursos públicos da Câmara Municipal.

“O que se apura é uma exigência contínua de devolução de parte dos vencimentos pagos aos assessores”, afirmou um dos promotores durante a coletiva. Segundo o Gaeco, os elementos reunidos até agora indicam que a prática não seria isolada, mas sim um modelo permanente de arrecadação dentro do gabinete parlamentar.
As investigações começaram após denúncias e coleta de informações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados de pessoas ligadas ao gabinete. A partir disso, o Ministério Público passou a analisar movimentações bancárias, mensagens, depoimentos de ex-assessores e registros funcionais de servidores nomeados.
Segundo o Gaeco, os R$ 118 mil encontrados durante a operação reforçam a linha investigativa de que havia circulação de dinheiro vivo relacionada ao suposto esquema. Vídeos e imagens divulgados após a ação mostram malas contendo maços de dinheiro apreendidos pelos investigadores.

Outro ponto destacado pelos promotores foi o volume de dinheiro apreendido durante a operação. O Gaeco divulgou imagens de maços de dinheiro encontrados pelos investigadores em um dos endereços alvo da ação. As fotografias e vídeos foram apresentados à imprensa após o cumprimento dos mandados e passaram a integrar oficialmente o material da investigação.
O Ministério Público também investiga a eventual prática dos crimes de peculato e organização criminosa. A suspeita é de que parte dos servidores nomeados exercesse funções distintas daquelas formalmente registradas ou sequer desempenhasse atividades compatíveis com os cargos ocupados.
Em nota, a defesa do vereador negou irregularidades e afirmou que irá colaborar com as investigações. Os advogados sustentam que os valores apreendidos possuem origem lícita e que não houve exigência de devolução de salários por parte dos assessores.
A Câmara Municipal de Curitiba informou que acompanha o caso e que irá analisar oficialmente as informações encaminhadas pelo Ministério Público. Até o momento, não houve afastamento do parlamentar.



