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17/06/2026

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Moro grava vídeo com vice-prefeito preso por moto furtada

17/06/2026

Sergio Moro construiu sua trajetória política embalado pelo discurso da ética, da moralidade e do combate implacável à corrupção. Foi assim que deixou a magistratura, entrou para a política e passou a se apresentar como uma espécie de guardião da integridade na vida pública. O problema é que, na prática, esse discurso vem sendo colocado à prova pelas companhias que escolhe para caminhar ao seu lado.

Não é a primeira vez. Em nome do projeto de chegar ao Palácio Iguaçu, Moro já se aproximou de personagens que carregam históricos de investigações, denúncias e até prisões. Sempre há uma justificativa política, uma aliança considerada estratégica ou um cálculo eleitoral. Mas, para quem fez da coerência sua principal bandeira, cada novo episódio cobra um preço maior.

Agora surge mais um caso difícil de explicar. No dia 22 de maio, Moro gravou um vídeo comemorando a filiação de Aldalto Pezzotti Bernardino, vice-prefeito de Doutor Camargo, ao PL. No vídeo, demonstra entusiasmo com a chegada do novo aliado. “Esse recado vai para Doutor Camargo. Estamos filiando o vice-prefeito”, afirma o senador.

O entusiasmo contrasta com um fato conhecido na região. Em janeiro de 2025, Bernardino foi preso durante uma blitz da Polícia Militar conduzindo uma motocicleta com registro de furto. Segundo o boletim de ocorrência, o veículo apresentava chassi sem numeração, motor com identificação raspada e utilizava uma placa pertencente a outra motocicleta.

E antes que venham os assessores, o marqueteiro, os adoradores, enfim, a turma de sempre, dizendo que a notícia é falsa, que é mentira, já adianto que saiu até no G1. Veja aqui.

O alerta de furto existia desde 2017. Após pagar fiança, ele foi colocado em liberdade e responde pelos crimes de adulteração de sinal identificador de veículo automotor e receptação.

No mesmo dia em que celebrava publicamente a filiação do novo aliado, Moro divulgava outro vídeo nas redes sociais criticando o PT e afirmando que “os governos de Lula destruíram a moral e a ética do país”.

É justamente essa coincidência que torna o episódio tão constrangedor. Não se trata de discutir a responsabilidade criminal do vice-prefeito, questão que cabe exclusivamente à Justiça. O ponto é outro. O rigor moral que Moro exige dos adversários parece não ser o mesmo aplicado à escolha de seus próprios aliados políticos.

Na política, alianças costumam ser justificadas em nome da governabilidade ou da estratégia eleitoral. Mas quem construiu toda uma carreira afirmando representar um padrão ético superior inevitavelmente será cobrado por esse mesmo padrão.

Quando o discurso é de tolerância zero, a régua precisa valer para todos. Inclusive para quem aparece sorrindo ao lado da câmera.

O espaço está aberto, caso queiram, para explicações do vice-prefeito e do senador.

(Imagem retocada por IA)

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