ANO IV

13/07/2026

HojePR

sergio

Trilogia

09/10/2025

trilogia

Em 13/10/2022, escrevi uma das primeiras resenhas desta coluna cultural intitulada “A Trilogia de Renato Quege”. Ali comentava seus três primeiros livros, lançados em sequência: Reynaldo, Amadeo e Las Castas. Veja aqui.

Pois não é que agora tive a satisfação de saber que o Renato está lançando o trio de obras num único livrão chamado justamente de “Trilogia”? Um projeto editorial bem caprichado e bancado pelo próprio autor, coisa rara de se ver por aqui. À frente da produção está o renomado poeta Fernando Koproski, que é um dos principais personagens da “Trilogia” e o motivador da trama, cujo começo avassalador é assim:

“Meu nome é Reynaldo e quero tornar público o meu descontentamento em relação ao que um poeta metido a romancista teve a imprudência de escrever a meu respeito.

“De cara, deixo claro que esta Crônica de um amor morto é, sem dúvida, uma obra inspiradíssima; principalmente, porque segue um princípio muito caro a artistas que tanto admiro. Afinal, o velho Hank não falou de Bandini: “Eis aqui um homem que não tem medo da emoção!”?

“O incômodo vem de certas informações que não correspondem à realidade; não sei se por memória debilitada devido ao pesado consumo de bebidas alcoólicas ou por provocação gratuita ou por uma necessidade latente e involuntária de me deixar com a pulga atrás da orelha.

“Enfim, o cronista deste finado amor, que deve ter sido escrito numa escrivaninha próxima à de Brás Cubas, conseguiu me animar a fazer algumas considerações sobre determinados acontecimentos que, parcial ou integralmente, merecem algum tipo de correção.

“Não se provoca uma personagem impunemente.”

Não resisti e resolvi fazer outra provocação a Renato Quege, pedindo sua biografia a uma dessas Inteligências Artificiais que pululam por aí. O resultado foi este:

Renato Quege: O Poeta Punk das Ruas e das Palavras

Entre riffs, versos e resistência: a trajetória inquieta de um ícone da contracultura brasileira

Origens e Descobertas

“Nascido em Porto Alegre, em um bairro onde o concreto se mistura às histórias de resistência, Renato Quege cresceu ouvindo as vozes da cidade. Filho de professores, desde cedo teve contato com a literatura marginal, o rock nacional e os ecos do punk londrino, que explodiam pelas periferias com a urgência de um grito juvenil. A infância cercada de livros e discos foi o solo onde germinou a inquietação que o levaria, anos depois, a se tornar um dos nomes mais viscerais do punk brasileiro.

“Ainda adolescente, Quege já escrevia poemas em cadernos surrados, misturando linguajar do cotidiano com imagens surreais e críticas sociais afiadas. Influenciado por Paulo Leminski, Torquato Neto e pela geração mimeógrafo, encontrou na palavra o mesmo poder de ruptura que sentia nos acordes distorcidos do punk. Para ele, escrever era como gritar no vácuo – e, com o tempo, percebeu que poderia, também, fazer ecoar sua voz por meio da música.

A Fusão Entre Literatura e Música

“A transição de poeta a compositor se deu quase naturalmente. A primeira banda, formada nos anos 1990 entre amigos igualmente insatisfeitos com a ordem vigente, chamava-se “Insurreição Urbana”. O grupo nasceu das garagens suburbana, tocando em bares e centros culturais, sempre em busca de espaços alternativos. Ali, Renato Quege começou a experimentar o casamento entre suas letras ácidas e a energia crua do punk rock.

“As composições de Quege se destacavam pela densidade das imagens e pelo uso de metáforas urbanas. Em músicas como “Concreto & Fúria” e “Cidade em Ruínas”, denunciava as contradições do progresso, a alienação cotidiana e a brutalidade policial. Ao mesmo tempo, havia espaço para lirismo e esperança – versos sobre amores impossíveis, sonhos juvenis e pequenas alegrias anônimas.

““Para mim, o punk não é só barulho, é poesia de rua”, declarou certa vez em uma entrevista independente. “A cidade grita, e eu traduzo esse grito.”

Punk Como Resistência

“Ao longo de sua trajetória, Renato Quege consolidou-se como um dos porta-vozes de sua geração. Seus textos – tanto em canções quanto em zines e livros independentes – são testemunhos de um tempo marcado por crises e lutas sociais. Muitas vezes, foi perseguido ou censurado por sua postura crítica e seu envolvimento em movimentos estudantis e coletivos de arte independente.

“No auge da repressão policial a shows alternativos, suas letras tornaram-se ainda mais contundentes. “Vivemos sob escombros, mas ainda cantamos”, escreveu em um dos panfletos distribuídos às vésperas de um festival punk interditado pelas autoridades. Não raro, seus versos foram entoados por multidões em protestos, virando slogans nas paredes e cartazes.

“Além dos palcos, Quege também se fez presente em saraus e feiras literárias marginais, onde sua voz encontrou eco entre poetas, rappers e performers. Sua obra transita entre a música e a literatura, desafiando rótulos e fronteiras. Nos livros “Manifesto dos Cacos” e “Poemas para um Mundo em Ruínas”, publicados por pequenas editoras, compila textos escritos entre a juventude e a vida adulta – sempre marcados pela urgência e pela busca de sentido em meio ao caos.

Estética e Temas

“A poética de Renato Quege é marcada pela observação aguda do cotidiano urbano: a pressa dos transeuntes, o farfalhar dos jornais, os grafites que cobrem as paredes gastas, as luzes que nunca se apagam. Em sua escrita ressoam influências do existencialismo, da literatura beatnik e do concretismo brasileiro, mas sempre filtradas pelo olhar rebelde e solidário do punk.

“Entre os temas recorrentes estão o desencanto geracional, o confronto com a autoridade, a crise das utopias e a celebração das pequenas resistências diárias. Há em seus textos um humor ácido, por vezes niilista, mas entrecortado por lampejos de ternura:

• “Sou filho do asfalto quente, irmão do muro pichado, neto do rádio quebrado.”

• “Meu verso é sirene, minha rima é tijolo, meu refrão é manifesto.”

“Nos palcos, Quege é intenso e performático. Seus shows são marcados por interação direta com o público, discursos improvisados e versões reinventadas de clássicos do punk nacional e internacional. Não raro, convida poetas e artistas plásticos a participarem de suas apresentações, promovendo verdadeiros encontros entre diferentes linguagens.

Legado e Influência

“Hoje, Renato Quege é referência para uma nova geração de escritores, músicos e ativistas que encontram na arte um instrumento de transformação social. Suas músicas foram gravadas por bandas de diferentes estilos, do hardcore ao folk, e seus textos circulam em blogs, podcasts e publicações alternativas.

“Em oficinas de escrita criativa realizadas em escolas públicas e centros culturais, Quege incentiva jovens a experimentarem a liberdade da palavra. “A poesia é uma arma carregada de futuro”, costuma dizer, ecoando a máxima do poeta Gabriel Celaya. Defende a literatura como possibilidade de resistência cotidiana, espaço de invenção e encontro.

“O reconhecimento, ainda que distante dos holofotes da mídia tradicional, veio na forma de prêmios em festivais de música independente, convites para feiras literárias e homenagens de coletivos culturais. Para ele, mais importante que prêmios é saber que suas palavras continuam ecoando onde mais importa: nas ruas, nos cadernos, nos fones de ouvido e nos corações daqueles que não se conformam.

Conclusão

“A trajetória de Renato Quege é um convite ao desassossego. Em tempos de conformismo, sua poética inquieta permanece um lembrete de que a arte pode – e deve – ser provocação, refúgio, denúncia e possibilidade. Entre riffs rasgados e versos certeiros, constrói uma obra que é, ao mesmo tempo, espelho e martelo: reflete as dores e sonhos de uma geração enquanto ajuda a forjar novas realidades.

“Assim, o poeta punk segue, atravessando noites e ruas, multiplicando palavras e melodias. Como escreveu em um de seus poemas mais conhecidos: “Se o mundo é ruína, faço dele meu palco improvisado. Se tudo é silêncio, invento um grito.” É nesse grito que reside a força de Renato Quege – escritor, compositor e símbolo de uma arte em permanente rebelião.”

Fico impressionado com a capacidade da Inteligência (?) Artificial de produzir um texto enorme como este, sem nenhuma informação verdadeira. Para saber quem seria este Renato Quege é muito melhor ler sua “Trilogia” e acompanhar a incrível trajetória do personagem Reynaldo, seu alter ego. Como Reynaldo, Renato é uma espécie de globe trotter: cada vez que falo com ele está num canto diferente do mundo. Agora mesmo está em Buenos Aires preparando o lançamento da “Trilogia” a nível mundial. Diz que volta em breve para lança-lo na terra dos pinheirais.

Um dos atrativos do livraço é o prefácio escrito pelo sempre surpreendente Roberto Prado, aqui vai um trecho:

As voltas que a persona dá
ou Um posfácio do antes e do durante

“O Renato Quege é um escritor são. E essa invejável característica, a saúde, começa na sua relação com as personagens. Reais ou imaginárias, entre elas ele, são abduzidas da sua mente e colocadas, literalmente, para cruzarem o mundo. Livres, leves e soltas? Nem tanto, pois, se são libertas como criaturas da imaginação, essa é uma liberdade vigiada pelo autor, que as acompanha de perto em todos os momentos, inclusive colocando a si mesmo como testemunha ocular dos diversos enredos que se entrelaçam, formando uma curiosa realidade paralela que interliga os três romances da série. E dá esperança de uma sequência. Possível?

“Observador e observado, vivente e convivente das aventuras que produz, Renato optou por dar a palavra a um narrador onipresente, isto é, aquele que vê tudo, ouve tudo, tudo sabe e prevê do enredo, das narrativas e das pessoas que coloca no planeta. E mesmo assim, com as rédeas bem firmes nas mãos, escapa da tentação de julgar os atos nem sempre razoáveis ou decentes das personagens, dedicando a elas um olhar sagaz, muitas vezes mordaz, mas sempre com a devida humanidade às criaturas afetuosamente paridas pela sua capacidade criativa. Reynaldo, Amadeo, as meninas do Las Castas, para ficar apenas nos protagonistas, não são condenados ou redimidos em nenhum momento, apenas vivem e convivem. Suas existências se abrem aos nossos olhos em uma construção rigorosa, detalhista, digna do transtorno obsessivo que é a saúde de um bom romancista. Saúde, sim, é disso que continuamos a falar, da escritura como um remédio para as nossas sensibilidades tão maltratadas em tempos de ódios absolutos e simpatias irracionais. Renato/Reynaldo não se contentam em serem meros médicos legistas das doenças do mundo. Eles as examinam sim, criticamente, mas com o olho clínico voltado para a vida.

“Se quiser conhecer o texto completo (que começa na pág. 439), e se deliciar com a grande Trilogia é só pegar o livro! 🤭 Mais detalhes em: https://www.instagram.com/direct/t/121039829290223/

Agora só nos resta seguir o sábio conselho de Roberto Prado e mergulhar de cabeça na “Trilogia”, de Renato Quege!

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