A proximidade do prazo legal de desincompatibilização já estimula muitos secretários de Estado a limpar gavetas e organizar festinhas de despedida com direito a bolo e guaraná. É a turma que vai deixar o governo junto com Ratinho Junior para disputar as eleições deste ano.
Pelas contas feitas dentro do próprio governo, e por lideranças da base aliada, boa parte do secretariado do governador Ratinho Junior pretende entrar na corrida eleitoral.
Entre os secretários que devem buscar espaço na Câmara Federal estão:
- Beto Preto, da Saúde;
- Sandro Alex, da Infraestrutura e Logística;
- Luizão Goulart, da Administração;
- Leonaldo Paranhos, do Turismo;
- Rogério Carboni, do Desenvolvimento Social e Família;
- Leandre Dal Ponte, da Mulher e Igualdade Racial;
- Marco Brasil, da Indústria, Comércio e Serviços.
O presidente do Detran-PR, Santin Roveda, também deve deixar o governo para disputar uma cadeira na Câmara Federal.
Outro grupo relevante do primeiro escalão prepara a saída para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Devem concorrer ao cargo de deputado estadual:
- Darlan Scalco, secretário-chefe do Gabinete do Governador;
- Márcio Nunes, secretário da Agricultura e do Abastecimento;
- Do Carmo, secretário do Trabalho, Qualificação e Renda;
- Valdemar Jorge, secretário da Justiça e Cidadania;
- Ulisses Maia, do Planejamento;
- Hélio Wirbiski, secretário do Esporte;
- Hudson Teixeira, da Segurança;
- Alex Canziani, secretário de Inovação e Inteligência Artificial.
Há quem aponte que o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, também pode disputar uma vaga na Assembleia.
Os secretários Guto Silva, das Cidades, e Rafael Greca, do Desenvolvimento Sustentável, também vão sair do governo já que pretendem encarar a disputa pelo governo do Estado.
O efeito prático desse movimento será uma ampla recomposição administrativa dentro do Palácio Iguaçu. A saída simultânea de secretários abrirá espaço para substituições em série no primeiro escalão e para rearranjos políticos dentro da estrutura do governo.
Esse cenário acaba beneficiando o vice-governador Darci Piana, que assume o governo com a desincompatibilização de Ratinho Junior. Piana terá diante de si uma máquina administrativa renovada. A saída dos secretários que entram na disputa eleitoral abre espaço para que ele monte um secretariado com nomes novos e com figuras mais próximas do seu próprio grupo político.
No tabuleiro eleitoral, o movimento mostra como o governo Ratinho Junior pretende manter forte sua presença nas chapas proporcionais. Ao lançar um número elevado de ex-secretários nas disputas para deputado federal e estadual, a base governista amplia sua influência tanto em Brasília quanto na Assembleia Legislativa.
Ao mesmo tempo, a debandada eleitoral revela o tamanho da estrutura política construída ao redor do Palácio Iguaçu. Poucos governos estaduais, nos últimos anos, viram um número tão grande de integrantes do primeiro escalão preparar candidatura simultaneamente.
A saída desses nomes do governo e o desempenho deles nas urnas servirão como um termômetro do peso político acumulado pelo grupo que hoje comanda o Paraná. Para muitos dos secretários, a eleição será o momento de transformar visibilidade administrativa em capital eleitoral. Para o governo, será a prova de fogo de uma estratégia que aposta na força de um time inteiro entrando em campo ao mesmo tempo. É esperar para ver.



