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A cúpula do Partido Liberal (PL) lidera o ranking dos maiores salários pagos a dirigentes partidários em 2025. A prestação de contas dos partidos para as despesas realizadas no ano passado foi encerrada em 30 de junho. A maior parte das receitas das legendas é de origem pública, com recursos do Fundo Partidário.
Dos dez maiores rendimentos mensais pagos pelas siglas em 2025, seis são de dirigentes do PL, incluindo o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além deles, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também figura com um dos maiores vencimentos mensais do período.
Além do PL, o ranqueamento de maiores salários é dominado por Podemos e pelo Partido Renovação Democrática (PRD). Procuradas, as legendas não responderam.
A base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contém despesas pagas pelos partidos como “salários” e outras, como “serviços técnico-profissionais”. Entre os pagamentos do segundo tipo, há débitos recorrentes, com frequência mensal e destinados a pessoas físicas, funcionando, na prática, como salários. Para chegar aos maiores salários, o levantamento do Estadão considerou a média de rendimentos de filiados que receberam de 10 a 14 pagamentos no ano por “serviços técnico-profissionais”.
O advogado Antonio Carlos de Freitas Júnior explica que não há limite de remuneração para um empregado de uma sigla, mas a soma das folhas de pagamento não deve ultrapassar 50% dos gastos partidários no âmbito federal. Além do limite global, os salários também exigem o pagamentos de encargos sociais e tributos.
“Desse modo, seja para dirigentes ou para outras pessoas que prestam serviços, os partidos costumam optar pelo pagamento por serviços prestados. Além de simplificar as questões tributárias e de encargos sociais, esse pagamento não é limitado pelo teto”, disse Freitas Júnior.
As maiores médias nos rendimentos são da cúpula da PL, como Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, e José Tadeu Candelária, presidente do diretório paulista. O rendimento médio deles foi de R$ 33,7 mil mensais. O casal Bolsonaro também figura entre os que receberam o maior valor médio por mês. Assim como Valdemar e Candelária, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve um salário médio de R$ 33,7 mil. Ela deixou o comando da ala feminina da sigla, o PL Mulher, em meio ao embate com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pela sigla. Jair Bolsonaro é o “presidente de honra” do PL e registrou um rendimento médio de R$ 32,7 mil.
O PL conta com mais dois nomes entre os dirigentes mais bem pagos no ano passado: Luiz Henrique Sampaio Guimarães ganhou R$ 33,7 mil mensais, e Eduardo Cury, ex-prefeito de São José dos Campos (SP) e ex-deputado federal, R$ 29,3 mil por mês.
Depois do comando do PL, os maiores salários são da executiva do Partido Renovação Democrática (PRD). Ovasco Resende e Marcos Vinícius Ferreira, conhecido como “Neskau”, tiveram um rendimento médio de R$ 31 mil cada. Eles são egressos das siglas que originaram o PRD. Resende presidiu o Partido Republicano Progressista (PRP), extinto em 2019, quando se incorporou ao Patriota, que se fundiu ao PTB em 2023 para formar o PRD. Já Neskau é ex-genro de Roberto Jefferson, ex-cacique do PTB que está em prisão domiciliar.
O PRD é federado ao Solidariedade. Enquanto Marcos Neskau preside a sigla, Ovasco Resende dirige a federação.
Entre os dirigentes mais bem pagos de 2025, o pessedista João Francisco Aprá é o único que teve os rendimentos bancados por um diretório estadual. Ele recebeu, em média, R$ 29,9 mil mensais do diretório paulista do PSD. O empresário já ocupou cargos comissionados em secretarias paulistas e é um dos vice-presidentes da legenda de Gilberto Kassab.
Em nota, o PSD informou que a remuneração do dirigente é relativa à sua atuação como secretário-geral da sigla em São Paulo. Segundo o partido, João Aprá “possui longa e bem-sucedida carreira tanto no setor público como na vida político partidária” e “é um dos responsáveis pelo estabelecimento das fortes estruturas do PSD”.
Entre os dez maiores rendimentos do ano passado, dois são de dirigentes do Podemos. A presidente nacional da legenda, a deputada federal Renata Abreu, recebeu doze pagamentos com valor médio de R$ 26,8 mil, assim como Thiago Milhim, ex-secretário de Esportes da cidade de São Paulo, e Everaldo Pereira, conhecido como Pastor Everaldo, vice-presidente do Podemos.
Ex-cacique do Partido Social Cristão (PSC), que se fundiu ao Podemos em 2023, Everaldo candidatou-se a presidente nas eleições de 2014, terminando o pleito em quinto lugar, com 780.513 votos.
Em 2025, o PL recebeu R$ 192,1 milhões do Fundo Partidário, que custeia as atividades do dia a dia dos partidos políticos, como aluguéis, contas de luz e água, passagens aéreas e serviços de advocacia e de contabilidade. A maior parte das glosas do Fundo Partidário provém de recursos públicos, oriundos do Orçamento da União.
As verbas são distribuídas mensalmente e de forma proporcional à votação do partido na eleição para a Câmara. O PL, que elegeu a maior bancada de deputados federais em 2022, recebe o maior montante durante os quatro anos de legislatura. O PT, detentor da segunda maior bancada na Câmara, recebeu R$ 140,4 milhões do Fundo em 2025.
Como mostrou o Estadão, os cofres dos partidos políticos estão turbinados às vésperas das eleições de 2026, ano em que as verbas públicos destinadas às legendas é recorde. Embora na máxima histórica, os repasses seguem marcados por falta de transparência, com prestação de contas tardias, e concentração desigual de recursos.


