A reunião entre o governador Ratinho Junior (PSD) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) esteve longe do clima de tensão descrito ao longo do dia por parte da imprensa. De Loanda, Noroeste do Estado, onde entregou a ampliação da Casa de Saúde e Maternidade Santa Catarina – Ugo Roberto Accorsi, o governador negou que tenha havido pressão, ultimatos ou discussões sobre uma possível candidatura a vice na chapa do PL e reafirmou que sua eventual participação na disputa presidencial dependerá exclusivamente do PSD.
Segundo Ratinho Junior, a conversa com Marinho, coordenador da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, ocorreu em tom cordial e tratou principalmente do cenário político do Paraná e das conjunturas nacionais, sem qualquer avanço sobre composição eleitoral.
“Eu tive uma conversa com o ex-ministro Rogério Marinho, o senador, que é uma pessoa que eu gosto. Convivi com ele quando ele foi deputado, tivemos um bom relacionamento. Conversamos bastante sobre política do Paraná, as conjunturas. Mas em nenhum momento teve esse tipo de avanço [candidatura a vice]. Até porque o PSD, o meu partido, decidiu que terá candidato próprio. Se vai ter candidato, obviamente que eu tenho que trabalhar dentro dessa composição, de ser uma alternativa para o Brasil.”
A declaração do governador contrasta com versões divulgadas ao longo do dia que apontavam para um suposto ultimato do PL: ou Ratinho Junior desistiria da corrida ao Palácio do Planalto ou o partido romperia a aliança política existente no Paraná. Essas interpretações se basearam principalmente em declarações do próprio Marinho à imprensa nacional.
No entanto, o tom adotado pelo governador indica um cenário bem diferente. Não há menção a ameaças, exigências ou qualquer tipo de pressão direta. Ao contrário, a ênfase recai sobre a autonomia do PSD e sobre a disposição pessoal de Ratinho Junior de cumprir o papel que lhe for atribuído pela legenda.
Outro ponto que ganhou destaque na cobertura foi a possibilidade de o PL ter oferecido ao governador a vaga de vice em uma chapa presidencial. Segundo uma fonte muito próxima ao chefe do Executivo paranaense, esse assunto simplesmente não foi tratado na reunião.
Além disso, o encontro ocorreu sem a presença das principais lideranças nacionais do PL. Nem o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, nem o próprio Flávio Bolsonaro participaram da conversa, o que reforça a leitura de que se tratou de um diálogo preliminar e sem caráter decisório.
Exageros à parte de uma imprensa ansiosa por narrativas de conflito, o encontro foi breve e protocolar. O conteúdo efetivamente discutido coincide com o que o próprio governador relatou: troca de impressões sobre o cenário político e reafirmação das posições partidárias.
Ao lembrar o coordenador da campanha bolsonarista que o PSD terá candidato próprio e que está “à disposição” para ser uma alternativa ao país, Ratinho Junior deixou claro sua disposição em disputar a Presidência da República sem rupturas com aliados, mas também sem submissão a agendas externas.



