Uma observação atenta aos bastidores da política do Paraná nos últimos dias sugere que alguns cenários importantes para a corrida eleitoral deste ano começam a se consolidar. Movimentos silenciosos, conversas reservadas e reposicionamentos partidários indicam que o tabuleiro estadual pode estar mais definido do que parece à primeira vista.
O primeiro ponto considerado praticamente consolidado no Palácio Iguaçu é o projeto nacional do governador Ratinho Junior. Apesar das especulações que circularam nos últimos meses, não há outra alternativa em discussão no núcleo político do governador que não seja a candidatura à Presidência da República.
Uma fonte com excelente trânsito no Palácio Iguaçu confirmou ao HOJEPR que o governador está decidido e que não existe, neste momento, qualquer debate interno sobre recuo ou composição em outro papel na disputa nacional.
A posição de Ratinho Junior deverá ser reafirmada já na próxima semana, em uma reunião com a cúpula do PL. Rogério Marinho e Flavio Bolsonaro devem ouvir do próprio governador que o único projeto político que o interessa é a candidatura ao Palácio do Planalto. Se a ideia do PL for oferecer a vice-presidência a Ratinho Junior para garantir um palanque robusto para Flávio no Paraná, a expectativa é de frustração da turma bolsonarista. O governador não demonstra nenhuma disposição para esse caminho.
Enquanto o cenário nacional se define, o quadro estadual também começa a tomar forma. Outro fato tratado como consumado nos bastidores é a escolha do secretário das Cidades, Guto Silva, como candidato do PSD ao governo do Paraná.
Os três principais personagens envolvidos nessa definição já estariam convencidos de que esse é o caminho escolhido dentro do partido. Com isso, Alexandre Curi e Rafael Greca começam a reorganizar suas trajetórias políticas.
O presidente da Assembleia Legislativa deve deixar o PSD e migrar para o Republicanos. Já o ex-prefeito de Curitiba encontra portas abertas no PP para seguir sua caminhada política.
Nesse rearranjo, uma hipótese ganha cada vez mais força entre analistas e interlocutores da política estadual: a possibilidade de uma chapa formada por Alexandre Curi como candidato ao governo e Rafael Greca como vice. Quem apostar nessa combinação pode ganhar algum dinheiro.
Mas, independentemente da formatação final dessa composição, quem tende a sair ainda melhor posicionado é o próprio governador Ratinho Junior.
Se o cenário se confirmar com Guto Silva representando o PSD e uma eventual candidatura de Alexandre Curi em outra legenda, o governador terá, na prática, dois palanques políticos no Paraná durante a campanha nacional.
A leitura não é apenas teórica, nem tampouco especulativa. O próprio presidente da Assembleia Legislativa tem reiterado publicamente que sua candidatura não representaria oposição ao atual governo. Em praticamente todas as entrevistas que concede, Alexandre Curi faz questão de repetir a mesma mensagem: sua movimentação eleitoral não será construída contra Ratinho Junior. “A minha candidatura não é de oposição ao governador Ratinho Junior. Ao contrário, vamos continuar caminhando juntos”, costuma afirmar.
Se essa engenharia política se confirmar nas próximas semanas, Ratinho Junior poderá disputar a Presidência com uma situação rara no estado: dois palanques competitivos no Paraná, ampliando sua presença no debate eleitoral e reforçando sua influência no cenário político local.



