Então ele acordou e compartilhou figurinhas com o seu bom dia, quatro fotos do seu fim de semana, alguns links com suas preferências musicais, coisas que lhe mandaram e que ele riu muito, escreveu “rsrsrsrsrs”… copiou, escolheu alguém dos seus contatos quase como sorteio… encaminhou.
Um gole, uma mordida no pão com margarina, continuou a encaminhar mensagens, piadas, vídeos, postou fotos suas fazendo pose à beira do rio com os amigos no fim de semana, com a caneca numa das mãos e na outra, o celular de self.
Tudo isto, enquanto tomava o seu café da manhã.
Nem percebeu o pedido de socorro nos mesmos contatos, alguém preocupado, alguém vazio, alguém perturbado com o mundo.
Apenas começou o seu dia como começa todos os dias, preocupado com o seu próprio umbigo.
Ela teve a sorte em conseguir falar com o seu irmão, que foi socorrer. Ele a levou na Tamoios, registrou o B.O. sem esperança de ter seu dinheiro de volta. Ao menos os documentos que foram, junto com a bolsa roubada.
Quatro horas depois, a resposta da mensagem:
– Não vi seu recado, meu amor… nem as ligações. Precisa de alguma coisa?
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