ANO IV

13/07/2026

HojePR

marcus-gomes

Uma trapaça e dois canos fumegantes

13/07/2026
trapaça

A esta altura, Javier Milei é o dono da Copa. Quem mais poderia ser? Se a Argentina está entre os semifinalistas, essa é a única explicação. Donald Trump, o amigão, bem que tentou, mas a anulação do cartão vermelho de Balogun não surtiu efeito. A Bélgica, que também deu adeus ao torneio, aplicou uma goleada de 4 a 1 na seleção norte-americana e enterrou qualquer tentativa de golpe no maior torneio de futebol do mundo.

Afora o episódio de Balogun, esse é o tipo de afirmação que viceja nas redes sociais. E, se você não crê na “informação”, eis as imagens para provar. Ora, Messi foi flagrado em um vestiário forrado de dinheiro, dançando com o suíço Gianni Infantino, presidente da FIFA. É verdade, a inteligência artificial comprovou. Messi recusou o cumprimento de Vozinha, goleiro de Cabo Verde. É verdade, o “corte” foi exibido nas redes sociais.

A conclusão é a de que Messi é racista. Escrevi sobre o atacante na semana passada e compartilhei o link da coluna em um grupo de supostos amigos. Recebi como resposta três notícias de origem duvidosa apontando o roubo contra o Egito, que enfrentou os argentinos nas quartas de final, e a omissão declarada de Messi frente às manifestações ofensivas da torcida sul-americana.

São argumentos desonestos de gente desonesta. Se eu afirmar que também são de esquerda, serei eu o preconceituoso. Mas é um fato. Os que atacam Messi não o fazem pela rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, mas porque o jogador, filho de uma faxineira e de um gerente de fábrica, não sai por aí empunhando bandeiras e bancando o virtuoso digital. E isso ofende os “antirracistas” com quarto de empregada

Os membros do tal grupo, que se dizem democratas e progressistas, veem na China comunista o paraíso na Terra. Esquecem os protestos de estudantes na Praça da Paz Celestial, as execuções diárias e a perenidade do Partido Comunista no comando do país. O Haiti é aqui; o Éden é lá.

Na mesa de bar — onde todos fazem a revolução —, ouvi, estupefato, afirmações sobre o modelo chinês de democracia e outros quejandos acerca das mentiras do Ocidente. Ainda não era sobre futebol, mas chegaríamos lá cedo ou tarde.

A miscigenação é a marca desta Copa do Mundo como nunca antes. É o resultado da diáspora que, assim como na Palestina bíblica, fez com que indesejados e refugiados buscassem outras plagas para viver com suas famílias. Deu nisso: talentos que, hoje, são estrelas em suas seleções.

Aqueles que não veem descendentes de negros na seleção da Argentina esquecem os indígenas. E isso também é um preconceito. O time de Messi e companhia tem raízes fincadas nas tribos da era pré-colombiana. Maradona é um exemplo; Lautaro Fernandez é outro.

Que os trapaceiros se recusem a admitir isso, nenhuma novidade. Querem impor uma realidade distorcida, nos moldes que a inteligência artificial pode produzir se a intenção for propagar ideias preconcebidas. No meu não, violão. Eu prefiro checar as informações e confrontá-las com outras fontes. É o que gente inteligente faz — ao menos os bípedes que não rastejam por opção.

As semifinais da Copa serão decididas nesta terça e quarta-feira. Há muito não se via quatro seleções favoritas confirmando a sua condição de candidatas ao título. Me pego escrevendo em uma semana de folga compulsória. O que fazer? Deixo estas mal traçadas ao leitor. “Que vença o melhor”, diria Carlos Alberto Parreira. Prefiro me juntar aos teóricos da conspiração: “Que Messi vença”. Acho que eles precisam mesmo de um seguidor. E, cá entre nós, torço para que o argentino vença mesmo.

Em tempo

Jamais faria parte de um grupo de WhatsApp que me aceitasse como sócio. É Groucho Marx atualizado. Sim, eu prezo pela minha sanidade.

Leia outras colunas do Marcus Gomes aqui.

Leia outras notícias no HojePR.
• Siga o HojePR no Instagram.

Deixe um comentário