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25/06/2026

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PAPELÃO

Vereador da “lacração” vira alvo do MP justamente por se expor demais nas redes sociais

04/02/2026

A busca incessante por visibilidade nas redes sociais transformou-se em armadilha para o vereador Éder Borges (PL), de Curitiba. Conhecido por seu estilo exagerado e presença constante em plataformas digitais, Borges agora enfrenta uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que utilizou justamente suas publicações para embasar a denúncia.

O cerne da acusação é a nomeação de Victoria Lauren Maciel de Almeida, enteada do vereador, como chefe de gabinete na Câmara Municipal, com salário mensal de R$ 18.599,66. Segundo a promotoria, a relação de parentesco por afinidade configura nepotismo, prática vedada na administração pública. Para sustentar a ação, o MP-PR anexou fotos e postagens de Borges em redes sociais, incluindo declarações públicas de afeto e registros de datas comemorativas, que evidenciam a convivência familiar anterior à nomeação.

Além das imagens, depoimentos de testemunhas e documentos oficiais indicam que o vereador e a mãe de Victoria mantinham uma união estável desde abril de 2022, três meses antes da nomeação da enteada. A promotoria também aponta que Victoria omitiu o vínculo familiar ao preencher a declaração exigida pela Câmara, afirmando não possuir parentesco com Borges, o que, segundo o MP, reforça a irregularidade.

Antes da ação judicial, o caso foi analisado pelo Conselho de Ética da Câmara Municipal, que, por 4 votos a 3, decidiu pelo arquivamento da denúncia. Entre os votos favoráveis ao vereador estava o de Guilherme Kilter (Novo), colega igualmente lacrador nas redes sociais, além de Rafaela Lupion (PSD), Toninho da Farmácia (PSD), e Bruno Secco (PMB). A defesa de Borges alegou na época que as acusações eram infundadas e motivadas por adversários políticos.

O episódio de Éder Borges ilustra os riscos da exposição excessiva de políticos nas redes sociais, especialmente quando a busca por engajamento supera os limites éticos e legais. A prática da “lacração”, termo popularizado para descrever ações performáticas voltadas à obtenção de curtidas e compartilhamentos, pode, como neste caso, se voltar contra seus protagonistas.

O processo segue em tramitação na 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Se condenados, Borges e sua enteada poderão ser obrigados a pagar multa de até R$ 500 mil, equivalente a 24 vezes o salário da servidora. O juiz ainda não decidiu sobre o pedido de afastamento imediato de Victoria do cargo.

O caso serve como alerta para a crescente tendência de parlamentares utilizarem as redes sociais como palco principal de atuação política, muitas vezes em detrimento de práticas transparentes e responsáveis no exercício do mandato.

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