Por Felipe de Almeida Florencio
A inteligência artificial está cada vez mais presente na rotina das pessoas. Seja para pesquisar informações, criar textos, resumir conteúdos ou apoiar atividades de trabalho e estudo, ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras soluções de IA generativa passaram a fazer parte do dia a dia de milhões de usuários.
Com poucos comandos, essas tecnologias produzem respostas rápidas e aparentemente bem elaboradas. Mas existe uma característica importante que todo usuário precisa conhecer: a possibilidade de a inteligência artificial fornecer informações incorretas com grande convicção.
Esse fenômeno é conhecido como “alucinação da IA” e representa um dos principais desafios para quem utiliza essas ferramentas.
Quando a IA parece certa, mas está errada
A alucinação acontece quando a inteligência artificial gera uma resposta que parece verdadeira e confiável, mas contém informações incorretas, distorcidas ou até inventadas. Em alguns casos, a ferramenta pode criar datas, referências, nomes de pessoas, estatísticas ou fontes inexistentes. Como a resposta costuma ser escrita de forma coerente e convincente, nem sempre é fácil identificar o erro.
Por isso, confiar cegamente em conteúdos produzidos por IA pode trazer riscos, especialmente em temas relacionados à saúde, finanças, questões jurídicas, estudos acadêmicos ou decisões profissionais importantes.
Por que isso acontece?
Diferentemente das pessoas, a inteligência artificial não compreende o mundo da mesma forma que nós. Os modelos generativos funcionam identificando padrões em grandes volumes de dados e calculando quais informações têm maior probabilidade de aparecer em sequência.
Em outras palavras, a IA não sabe se uma informação é verdadeira ou falsa. Ela produz a resposta mais provável com base no que aprendeu durante o treinamento. Quando encontra assuntos pouco conhecidos, perguntas muito específicas ou informações que não possui, pode preencher essas lacunas com conteúdos plausíveis, mas incorretos.
O papel do usuário continua sendo fundamental
A principal recomendação é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, e não como única fonte de informação. Sempre que o conteúdo for relevante para uma decisão, vale conferir os dados em fontes confiáveis e verificar se há respaldo em documentos, estudos ou canais oficiais.
A inteligência artificial oferece inúmeras oportunidades para aumentar a produtividade, ampliar o acesso à informação e apoiar a tomada de decisões. No entanto, seu uso exige senso crítico e responsabilidade.
A tecnologia evolui rapidamente, mas a capacidade de questionar, verificar e interpretar informações continua sendo essencial. Afinal, mais importante do que obter respostas rápidas é saber identificar quando elas realmente merecem confiança.
Felipe Florencio é engenheiro de Machine Learning no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). É mestre e bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), com MBA em Machine Learning in Production pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Leia outras colunas do ICI aqui.



